Cafeterias independentes e seu lugar no mundo dos negócios  - WHOW
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Cafeterias independentes e seu lugar no mundo dos negócios 

Startups investem em tecnologia, delivery e personalização para competirem com o Starbucks

POR Carolina Cozer | 13/09/2019 13h37 Cafeterias independentes e seu lugar no mundo dos negócios  Foto Nathan dumlao( Unsplash)

Quando o assunto é café, não é de se espantar que o Brasil tenha números altíssimos. Segundo dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), além de sermos os maiores exportadores da bebida do mundo, somos o segundo maior consumidor. 

Já de acordo com a Forbes, a produção do mercado de café no Brasil apresentou crescimento de 23% em 2019 em comparação com o ano anterior, apesar da crise na economia. O aumento no consumo foi de 4,8%, o maior visto desde 2006, e está fortemente ligado à expansão da “gourmetização” da bebida pelo país. 

Atualmente, vivemos a terceira onda do segmento de café no Brasil, com cafeterias pequenas e intimistas abrindo suas portas, sobretudo no eixo Rio-São Paulo. Apesar disso, a maior parte do consumo da bebida é feito de modo tradicional, dentro dos lares brasileiros. 

Segundo a Associação Brasileira de Indústria de Café (ABIC), 81% do café consumido no Brasil é em pó, contra apenas 19% de cápsulas — populares, apenas, entre as classes A e B. 

No mercado norte-americano, o maior desafio das cafeterias alternativas é concorrer contra a gigante do mercado, Starbucks. A multinacional monopoliza os grandes centros comerciais e já possui mais de 30 mil lojas em todo o mundo.

Tecnologia para vencer a concorrência

Para tentar concorrer com o Starbucks, as pequenas empresas apostam em tecnologias e personalizações, que possam trazer algum destaque para seus estabelecimentos. 

É o caso da Bean Box — criada também na cidade-sede da gigante americana, em Seattle nos Estados Unidos—, este serviço de assinatura digital de café permite que o consumidor personalize a entrega ao seu gosto, recebendo uma curadoria individual, que o ajuda a escolher as opções mais pertinentes a seu paladar. 

Para desenvolver esse processo, o CEO da empresa, Matthew Berk, usou o seu conhecimento em mineração de dados e tecnologia de pesquisa para criar um sistema que facilita a customização ao consumidor.

Até o momento, a empresa já levantou um total de US$ 2,3 milhões em investimento, apontado pela Crunchbase. 

https://www.facebook.com/beanboxgourmetcoffee/videos/882901905414319/

Café como inovação?

Outra empresa dos EUA, a texana Briggo, figura no segundo lugar da lista de startups de café mais bem-sucedidas da lista do site Crunchbase, somando um total de US$ 9 milhões em financiamento.

A empresa projetou quiosques robóticos que servem cafés personalizados com um simples comando de tela — seja no próprio quiosque ou através de smartphone. 

A automatização agiliza o processo, permitindo que cada loja venda cerca de 100 cafés diferentes a cada hora, o equivalente ao trabalho de três ou quatro barista. E tudo é preparado ao gosto do cliente. 

Recentemente, a startup foi listada pela revista Fast Company como uma das 10 empresas mais inovadoras do mundo. Por enquanto os quiosques só existem nos EUA. 

https://www.youtube.com/watch?v=jpyo5a7QBB8

Startup de café chinesa quer ultrapassar o Starbucks 

Na Ásia, uma corporação tem sido destaque justamente por ter conseguido fazer o Starbucks perder seu espaço em menos de 1 ano de vida. A Luckin Coffee, do bilionário e ex-presidiário Yan Fei — preso em 2010 por fraude em sites de reviews —, aposta nos meios digitais para efetuar suas vendas.  

A empresa trabalha com o modelo de pagamento apenas através do aplicativo oficial da marca. Já a entrega do produto, em caso de delivery, é efetuada em até 30 minutos. 

Neste ano, a Luckin Coffee começou a comercializar suas ações na Nasdaq, mercado de ações norte-americano, arrecadando US$ 560 milhões com a operação. 

A startup já possui cerca de 3.000 lojas em 40 cidades chinesas e planeja aumentar esse número para 4.500 até o final de 2019.

Em junho, a empresa anunciou ter fechado uma parceria para expandir seu modelo de negócio para a Índia e países do Oriente Médio, e não esconde o desejo de tomar o mercado global.


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