Bruno Soares, CEO da Feedz, une paixão por tecnologia e por gerir pessoas - WHOW
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Bruno Soares, CEO da Feedz, une paixão por tecnologia e por gerir pessoas

Fundador da startup que melhora engajamento das equipes conseguiu multiplicar por cinco vezes o número de funcionários durante a pandemia

POR Marcelo Almeida | 20/10/2021 13h24 Bruno Soares, CEO da Feedz, une paixão por tecnologia e por gerir pessoas

Aos 33 anos, Bruno Soares demonstra tranquilidade e uma personalidade analítica de quem está acostumado a mexer com sistemas de computadores, liderar pessoas e responder questões complexas em sua rotina. Por isso, dificilmente sai pelas tangentes ao ser perguntado sobre qualquer assunto, respondendo sempre de forma clara e objetiva.

O CEO da Feedz, empresa que trabalha com soluções para engajamento de colaboradores e para a área de recursos humanos em geral, está em uma posição confortável atualmente. Sua empresa cresce a passos largos e conta com clientes como Animale, Lacoste, Danone, Reclame Aqui, Aramis, Grupo Gentil, dentre muitas outras, somando mais de 700 no total.

Formado em gestão de TI, pós graduado em gestão de projetos e com vários cursos na área de negócios e liderança, ele passou por diversas companhias até começar a empreender. “A minha passagem foi sempre por empresas de tecnologia, comecei muito novo, com 17 anos, em uma época em que a internet era ainda mais à rádio, nem cabo tinha muito. Comecei trabalhando com infraestrutura de computadores, depois fui trabalhar com desenvolvimento de softwares, desenvolvimento web”, diz Soares.

Quando questionado se sempre teve interesse por negócios e por empreendedorismo, sua resposta demonstra que no início era outra coisa que o motivava.

“As pessoas de tecnologia são muito apaixonadas pela tecnologia, quando você conversa com o desenvolvedor de software ele muitas vezes gosta menos do que ele está construindo do que a construção em si. Como se fosse um pedreiro que buscasse criar a parede perfeita, com os tijolos totalmente alinhados. Acho que o diferencial foi que eu sempre fui muito apaixonado por tecnologia mas agora eu olho mais para o mercado, para as necessidades do mercado em que estou trabalhando, para que eu não acabe construindo algo que ninguém vai usar e não faz sentido”, afirma.

As primeiras tentativas como empreendedor

Foram duas as suas principais tentativas de empreender no início, e ambas acabaram não dando certo, o que ele atribui, sobretudo, à falta de conhecimento de mercado, em um dos casos, e ao timing ruim, no outro. Soares começou a olhar mais para o mercado em 2010, quando fez sua primeira tentativa de empreender no segmento de compras coletivas, que viviam um certo boom naquele momento. A sua visão, à época, é de que teria uma boa demanda por compras coletivas de bens com maior valor agregado, como carros e apartamentos.

Logo, no entanto, ele percebeu as dificuldades quando falou com donos de concessionárias e percebeu que as suas margens de lucros eram muito pequenas na revenda de carros, em torno de 1% no caso dos mais populares, enquanto o mercado imobiliário vivia um verdadeiro boom e não precisavam conceder nenhum desconto para vender, pelo contrário, poderiam aumentar os preços e ainda assim vender todos os imóveis que tinham à disposição.

Outra tentativa foi um marketplace no setor de serviços, em 2014, chamado Achou Serviços, que permitia que pessoas como diaristas, eletricistas, etc, oferecessem seus serviços em uma só plataforma, com o diferencial de que havia uma integração com redes sociais como o Facebook, permitindo mostrar quais pessoas já tinham usado os serviços daquela pessoa, facilitando a contratação de alguém confiável. O que ele percebeu, no entanto, é que marketplaces exigem um capital muito grande porque precisa atrair bastante gente para oferecer seus serviços e ao mesmo tempo um grande grupo de potenciais contratantes, e se isso não ocorre logo de início acaba tornando difícil manter o negócio.

“Eu era muito novo, não entendia disso, não tinha networking, então chegou uma hora que a gente percebeu que tinha colocado muito dinheiro naquilo e que não fazia sentido ficar batendo o pé. Mas a gente chegou a ser o terceiro player do segmento no brasil, o primeiro sendo a GetNinjas, que chegou a fazer o IPO esse ano e mandaram super bem”, afirma Bruno.

Negócio certo no momento certo: Feedz

Depois dessas tentativas, no entanto, o timing acabou dando certo com a Feedz, uma startup focada em soluções para engajamento de colaboradores que multiplicou por cinco vezes o número de funcionários desde o início da pandemia, ou seja, passou por essa crise sem um arranhão. Mas apesar da experiência acumulada com os outros negócios e com mais de 15 anos trabalhando com softwares, ainda assim não foi fácil conseguir investimento para engatar o negócio.

“Apesar de termos levantado R$ 700 mil só com anjos, a gente se considera como um negócio bootstrapping. Não temos um fundo de venture capital por trás, então isso mostra o quanto a gente é eficiente. Existem pouquíssimas startups no Brasil e no mundo que faturam tanto como a gente tendo levantado dinheiro como a gente fez”, afirma.

Segundo ele, além de ter colocado parte do dinheiro do próprio bolso, o importante era tornar a operação eficiente o mais rápido possível, e isso foi conseguido logo nos seis primeiros meses, quando a empresa já se tornou capaz de pagar suas contas.

Durante o primeiro ano, outra medida arrojada foi que ele e seu sócio ficaram sem salário para favorecer o crescimento da empresa, apertando o cinto com o consumo pessoal e usando o que acumularam em trabalhos anteriores para pagar as contas.

“Soluções como as que a Feedz oferece já existem há um tempo, mas elas eram caras, ineficientes e limitadas aos grandes players. As HRTechs acabaram trazendo uma maior simplicidade ao mercado, e esse movimento começou entre 2015 e 2018, então a Feedz entrou em um timing muito bom. Além disso, com a pandemia muitas empresas foram para o home office, para o trabalho híbrido, e a gestão de pessoas remotas se tornou fundamental. Então a Feedz já estava super estruturada no momento em que começou a pandemia”, afirma.

Isso se deve, sobretudo, ao fato de a empresa já estar bem estabelecida como serviço digital e capaz de oferecer seus serviços de forma totalmente remota antes do início da pandemia. Além disso, eles oferecem uma série de serviços de ponta no setor, como pesquisa de clima, termômetro emocional, pesquisas internas, comunicação, reconhecimento, gestão de desempenho, feedbacks contínuos aos colaboradores,  reuniões 1 a 1, dentre muitos outros.

Embora boa parte dessas soluções tenham sido pensadas logo de início, algumas acabaram nascendo, em parte, como resposta às demandas dos clientes, o que mostra a flexibilidade da empresa em implementar novas soluções.

Uma equipe em crescimento

Atualmente, a Feedz conta com 93 funcionários, o que a categoriza como empresa de médio porte. Para Bruno, a pandemia tornou a tarefa de ser responsável pelo salário de tantas famílias, sendo um negócio tão jovem, um tanto estranha.

“Eu só sei que tem 93 pessoas dependendo do meu trabalho e de como a empresa se sustenta porque toda segunda-feira a gente tem uma reunião de check-in em que quase todas as pessoas comparecem. Nelas a gente fala como as coisas estão andando, dá pra ver a cara de todo mundo nas câmeras”, afirma Bruno.

Mas o que torna a experiência um pouco surreal é o crescimento um tanto vertiginoso que a empresa teve durante a pandemia. “A gente tinha 15 colaboradores em abril do ano passado, agora temos 93. Então boa parte dos colaboradores eu nem conheço pessoalmente, mas acho que o grande ponto é olhar para qual é a minha responsabilidade como membro da sociedade que tem esse poder de ajudar outras famílias a alimentar, crescer, sustentar, ser justo e ser transparente. Com grandes poderes surgem grandes responsabilidades, eu olho muito nesse sentido. Não é fácil, todo mundo tem seus compromissos e desafios pessoais ao mesmo tempo em que temos um trabalho muito sério pra fazer, então é um desafio bem grande”, conclui.

Para ele, o segredo do sucesso foi ter aliado a sua paixão de longa data por tecnologia com um carinho específico pela gestão de pessoas, evitando o perfil da pessoa pragmática que não se importa muito com os outros e vê as pessoas como números ou meros degraus na sua evolução pessoal.

Mais um empreendimento

Sempre disposto a correr novos riscos, Bruno começou um novo empreendimento recentemente. Tornou-se pai. “Como estava fácil demais empreender no Brasil eu resolvi começar esse novo empreendimento”, afirma, de forma irônica.

Embora esse tipo de empreendimento dependa menos de suas habilidades analíticas e capacidade de liderança e mais de outros aspectos da natureza humana, também nessa área ele espera ter o mesmo sucesso.