BossaBox amplia oferta e ajuda startups a desenvolverem novos produtos - WHOW

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BossaBox amplia oferta e ajuda startups a desenvolverem novos produtos

Em entrevista exclusiva, André Abreu, CEO e fundador da BossaBox, revela detalhes da estratégia que busca tornar a solução mais escalável

POR João Ortega | 24/11/2021 22h29

São muitos os casos de startups que precisaram pivotar totalmente o produto, serviço ou o próprio modelo de negócio para alcançar a escalabilidade. Há empreendedores, por outro lado, que realizam apenas alguns ajustes no modelo existente para que este objetivo seja alcançado. A BossaBox, do CEO e fundador André Abreu, caminha para se enquadrar neste segundo grupo. A empresa de squad-as-a-service está ampliando sua oferta, sem alterá-la radicalmente, mas a viabilizando para uma nova gama de clientes: startups e PMEs. 

É o que revela o empreendedor com exclusividade ao Whow!. “Engajei em um processo profundo de pesquisa qualitativa de mercado após passar um tempo distante dos clientes. Ouvi qual é a dor de empresas pequenas, médias e grandes, e entendi que a solução da BossaBox resolveria diversos problemas do mercado atual como um todo”, explica André Abreu. “Percebemos um comportamento de startups que já têm um produto-chave validado no mercado e querem um parceiro para acelerar o desenvolvimento de novos produtos, de outras esteiras de inovação”.

Até o segundo semestre deste ano, a BossaBox oferecia uma solução única, focada em grandes empresas: o outsourcing de desenvolvimento de produtos digitais por meio de squads independentes, formados por prolancers – profissionais de tecnologia vinculados à startup. Estes squads deveriam ser formados por sete pessoas alinhadas à metodologia da BossaBox. O cliente acompanha o processo em uma plataforma digital. 

Este formato criava barreiras de entrada para empresas menores, tanto por uma questão de preço quanto pelo fato de não poder trabalhar em produtos em andamento. Além disso, startups não costumam realizar outsourcing do desenvolvimento de algo que é core para o negócio. 

“Com pandemia, trabalho remoto e a quebra de barreiras geográficas, a corrida por desenvolvedores e profissionais de tecnologia no mercado de trabalho ficou ainda mais acirrada. As startups capitalizadas e PMEs que já tinham um produto core estabelecido no mercado passaram a olhar ainda mais para parceiros que possam suprir as demandas de tecnologia”, analisa André Abreu. 

Para acessar esta demanda reprimida, a decisão foi ampliar a oferta. Agora, há opção de contratar squads menores e híbridos. Ou seja, ao invés de serem totalmente independentes, podem trabalhar junto a outros squads internos do cliente, trazendo o desenvolvimento de produto para mais próximo da operação. A autonomia dos squads contratados, bem como a metodologia e a plataforma, continua inalterada.

“Aumentou o LTV (Lifetime Value) e reduziu a barreira de entrada, por ser uma oferta mais barata e um trabalho mais contínuo. Além disso, paramos de pegar apenas novos produtos para também aceitar iniciativas em andamento. Com isso, o mercado abriu absurdamente e as startups se interessaram”, explica o empreendedor. “Mesmo produto, mas com outro nível de velocidade de entrega e ticket mais baixo”

Ainda assim, a solução é destinada para startups em um estágio de evolução que já permite pensar em features ou mesmo produtos que vão além do produto original, e a PMEs pensando em diversificar o portfólio digital. “O motivo pelo qual startups em estágios muito iniciais não casam bem com a nossa solução está mais na maturidade de produto do que pela questão financeira”, afirma o CEO. 

Integração e descoberta

No mesmo processo de repensar a solução, a equipe da BossaBox identificou outras duas dores de mercado que a metodologia da startup poderia solucionar. A primeira delas é a integração de sistemas, um fator fundamental para se trabalhar em ecossistemas digitais. 

“Muitas vezes, as startups, para realizar uma venda a uma grande empresa, por exemplo, precisam criar uma série de integrações que conectem seu produto ao sistema do cliente. Isso acabaria envolvendo a equipe de tecnologia, mas não é core, é um gasto pontual”, revela André Abreu. O squad da BossaBox surge para suprir esta necessidade e não tomar o valioso tempo dos profissionais de tecnologia deste parceiro. “É uma demanda muito grande, o mercado quer contratar squad-as-a-service para resolver problemas de integração”, completa. 

Outra novidade, batizada de Discovery, surge para resolver um problema anterior que está presente em diversas empresas, especialmente da Velha Economia. Trata-se de uma solução em que a metodologia da BossaBox é usada para validar uma ideia no mercado antes que o produto seja, de fato, desenvolvido. “É uma das principais demandas de grandes empresas, que precisam mobilizar stakeholders e orçamentos absurdos para desenvolver um produto. Então, elas querem saber se isso funcionaria na prática e mitigar riscos antes de tentar convencer estes stakeholders”, explica o empreendedor.