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Tecnologia

Big techs e o problema do monopólio de poder

Google, Amazon, Facebook e Apple são acusadas por lei ameriana de praticarem monopólio. Veja quais foram as denúncias

POR Carolina Cozer | 14/10/2020 16h54

Muito investigadas por escândalos que envolvem armazenamento inadequado de dados e invasão de privacidade, as big techs apresentam um buraco muito mais profundo, segundo um recente relatório da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos.

O relatório antitruste, do Congresso, classificou o Google, Amazon, Apple e Facebook como monopólios, acusadas, sobretudo, de controlarem os meios globais de anúncios, publicidade, redes sociais e os preços de mercadorias tecnológicas.

No relatório, que abrangeu 16 meses de investigações ― e resultou em quase 500 páginas de informações ― foram apresentadas propostas que podem transformar completamente essas empresas, como, por exemplo, proibir a competição com seus próprios usuários ― no caso do Google e Amazon, que colocam seus próprios produtos à frente das buscas ― além de exigir que sejam desmembradas para que possam atuar em múltiplos setores.

Desta forma, segundo a ata, a perpetuação de poder e dominância descabida dessas empresas poderia ser controlada.

O perigo de cada uma

De modo individual, quais seriam exemplos de riscos apresentados pelas big techs investigadas?

O relatório alega, no caso do Facebook, que a rede social utiliza dados com a finalidade de rastrear, prever e “matar” qualquer possível concorrente, como aconteceu com o WhatsApp e com o Instagram, que foram adquiridos pela empresa de Zuckerberg para que não ameaçassem sua posição de liderança. Ao impedir que sequer existam concorrentes, o Facebook se torna um monopólio, não existindo espaço para novos modelos de redes de comunicação no mercado.

Enquanto o uso de algoritmos pode trazer opções interessantes na criação de produtos orientados às necessidades do usuário, o Google é acusado pelo relatório de criar o navegador Google Chrome para captação de dados para benefício próprio. Além disso, o mecanismo de buscas também é delatado por privilegiar seu próprio conteúdo à frente de outros sites, o que é considerado uma tática anticompetitiva.

Já o marketplace de Jeff Bezos ― a Amazon ― também é acusado de ser anticompetitivo ao, objetivamente, boicotar o bom posicionamento de lojas e produtos dentro de seu site. A acusação indica que a prática é efetuada para que outras lojas não sobreponham os próprios produtos da marca Amazon. Além disso, também são delatados por usarem captação de dados para, através das vendas dessas outras marcas dentro do marketplace, descobrirem quais produtos são populares para que comecem, também, a produzi-los.

E como se não bastasse a polêmica dos novos produtos da Apple, que virão sem carregadores e fones de ouvido, a mãe dos iPhones e Macbooks impõe barreiras aos aplicativos concorrentes via App Store, captando seus dados e criando aplicativos para não deixar que eles avancem em posicionamento na loja.

Assim, todas as big techs acusadas pelo relatório antitruste carregam práticas em comum: a captação de dados para bloqueio total de concorrência, o que tira diretamente o poder de escolha das mãos dos usuários.


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