Bem-estar sexual: mercado bilionário em franca ascensão - WHOW
Consumo

Bem-estar sexual: mercado bilionário em franca ascensão

Desde o início da pandemia, triplicou no Brasil o número de empreendimentos voltados ao sexo e à intimidade

POR Daniel Patrick Martins | 15/09/2021 12h22 Bem-estar sexual: mercado bilionário em franca ascensão

A busca por bem-estar é uma constante no cotidiano das pessoas. É cada vez mais comum encontrar alternativas para se alimentar melhor, fazer exercícios, ter cuidados com a pele, com cabelo e com o sono, além de ficar de olho em produtos ou serviços inovadores que tragam novidades para a saúde mental. E uma das novidades que vem ganhando força no mercado de wellness é o de negócios eróticos.

Este segmento de bem-estar sexual, liderados por empresas femtech, que elaboram produtos e serviços que usam a tecnologia para a saúde da mulher, está cada vez mais em pauta, sendo reconhecido e debatido, desmistificando assim os tabus inerentes ao falar sobre sexo.

“O bem-estar é holístico. Tem o bem-estar mental, físico, emocional e, agora, vem o bem-estar sexual. Tivemos muitos investimentos nas outras frentes, como alimentação, corpo e sono. O movimento do bem-estar sexual acompanha o de bem-estar geral: empresas de meditação, ioga, o uso de tecnologia para que pessoas acessem isso. E a última fronteira é a sexualidade”, explica Lídia Cabral, especialista em tecnologia e inovação e fundadora da Tech4Sex, plataforma de tendências e pesquisas em sextechs, em entrevista ao Estadão.

A partir dos avanços tecnológicos e maior discussão pelos diversos setores da sociedade, é crescente a oferta de produtos e serviços para o setor de bem-estar sexual. Desta maneira, cada vez mais se ouve falar de empresas voltadas aos negócios eróticos, chamadas de sextechs. De acordo com os dados do instituto Allied Market Research, empresa de consultoria e pesquisa de mercado, o segmento de sexual welness movimenta mais de US$ 50 bilhões por ano em todo o mundo. Segundo este levantamento, há uma previsão que o setor mais que dobre de tamanho e movimente US$ 108 bilhões em faturamento até 2027.

Com oferta e demanda em ascensão, surgem oportunidades para empreender, com potencial para pequenos e médios negócios. Os empreendedores que conseguirem inovar no universo das sextechs tendem a ter ainda mais sucesso neste contexto.

Entre a vasta gama de produtos e serviços, podemos destacar tendências como streamings de áudio eróticos, cosméticos veganos para região íntima, sextoys inteligentes, plataformas de educação, aplicativos para autoconhecimento, dispositivos interativos pensados no design e experiência do usuário, e sistemas inteligentes para monitoramento da vida sexual. Essas são as soluções em inovação que muitas empresas do ecossistema de sextechs trazem com a finalidade de despertar novas formas de autocuidado e uma maior intimidade com o bem-estar sexual.

Distanciamento social triplica números de empreendedores no mercado erótico

Segundo pesquisa realizada pelo Portal Mercado Erótico, o contexto de pandemia e o distanciamento social decorrente deste momento fez com que o setor triplicasse o número de empreendimentos dedicados ao sexual wellness.

O estudo aponta que há uma estimativa de 100 fornecedores de produtos de linha erótica, entre nacionais, importadores e distribuidores, e que há 9 mil pontos de vendas (sexshops) espalhados pelo Brasil, além de 50 mil vendedores que se dedicam às vendas de porta a porta. O tíquete médio é de R$500. Das pessoas que empreendem neste setor de bem-estar sexual, a maior parte são mulheres, com 76,13% de participação, e quase metade delas (47%) trabalha por conta própria.

“A presença feminina no setor é cada vez mais forte, com empreendedoras abrindo novos negócios e fugindo da imagem estereotipada sobre satisfação e bem-estar. Isso faz muita diferença, porque elas sabem quais são as dores e necessidades umas das outras”, explica Marília Ponte, fundadora da marca de sexual wellness Lilit à Forbes Brasil.

Este boom dos negócios eróticos é significativo, se levado em conta a pandemia. Segundo o estudo da Abeme (Associação Brasileira de Empresas do Mercado Erótico), o setor entre 2018 e 2019 teve aumento de 8%. Já entre o período entre 2019 e 2020, este crescimento foi de 12%.

“Os investidores estão sempre de olho no que chama a atenção das pessoas. Sexo e sexualidade é um exemplo. Os aplicativos de relacionamento abriram a porta para todo este mercado”, diz Michelle Sampaio, psicóloga especialista em sexualidade humana pela Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e vice-coordenadora do departamento de parafilias da Associação Brasileira de Medicina e Saúde Sexual (ABEMSS), em entrevista à StartSe.

Ainda de acordo com a pesquisa do portal Mercado Erótico, o comportamento do consumidor também está diferente, pois 47,4% dos empreendedores notaram que houve um aumento no interesse por clientes que queriam novidades em seus relacionamentos, assim como o número de solteiros passaram a consumir mais produtos eróticos, chegando a 18,4% das vendas. Oito em cada dez respondentes da pesquisa informaram que acreditam que em 2021 tenha uma expansão em seus negócios, apontando uma média de 20% a 30% de aumento para o setor.