Especial bancos digitais: novo cliente tem baixa renda, mas é adepto ao digital - WHOW
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Especial bancos digitais: novo cliente tem baixa renda, mas é adepto ao digital

Estudos apontam que há uma multidão de novos clientes chegando ao setor bancário. A maioria deles de renda baixa, mas alta adesão ao serviço digital

POR Raphael Coraccini | 16/12/2019 10h00 Especial bancos digitais: novo cliente tem baixa renda, mas é adepto ao digital

O sistema bancário mundial vai receber mais de 250 milhões de novos clientes nos próximos três anos, é o que aponta o estudo Accenture Global Financial Service Consumer. Nesta sétima parte da série especial sobre bancos digitais de Whow!, você verá quem é o novo cliente dos bancos digitais e o seu potencial.

As fintechs, mais do que interessadas em roubar um pedaço do bolo que está nas mãos dos bancos, estão dedicadas a abocanhar essa massa de novos clientes. E contam com sua habilidade digital para isso.

O estudo aponta que o maior potencial de adesão a serviços financeiros digitais no Brasil está entre as classes de menor renda: 46% dos entrevistados de baixa renda são considerados pioneiros no uso de novos serviços financeiros digitais, contra 33% da média global para esta faixa. 

“O acesso às diferentes tecnologias tem sido ampliado pelas empresas de serviços financeiros no Brasil por meio de diferentes ofertas de produtos, serviços, aplicativos e formas de interação, como por WhatsApp, por exemplo”, destaca Joana Henklein, diretora-executiva de Serviços Financeiros da Accenture para América Latina.

digital Foto Voicu Hora (Unsplash)

R$ 7 bilhões em potencial de consumo

Só nas periferias brasileiras existe um potencial de consumo de R$ 7 bilhões de reais, segundo outro levantamento, da Outdoor Social. 

“Apesar da crise econômica atual, a classe C, segue contribuindo decisivamente para movimentar o consumo interno no Brasil. Assim, os integrantes da classe média, presentes nas periferias de todos os estados brasileiros, permanecem sendo um público consumidor extremamente importante e com enorme potencial a ser explorado”, explica Emília Rabello, fundadora do Outdoor Social.

Rocinha – R$1.231 bi

Rio das Pedras – R$1.036 bi

Sol Nascente – R$910 bi

Baixada – R$728 bi

Casa Amarela – R$706 bi

Paraisópolis – R$705 bi

Heliópolis – R$685 bi

Coroadinho – R$ 662 bi

Baixada das Condor – R$ 555 bi

Cidade de Deus – R$549 bi

Paula Paschoal, diretora geral do PayPal, afirma que ao incluir pessoas que nem eram consideradas consumidoras pelas instituições tradicionais, o Brasil, além de democratizar serviços bancários básicos, também reforça a conscientização sobre como gerenciar o dinheiro. “E isso muda tudo. Cada pessoa, cada empresa, por menor que seja, ganha o direito de ingressar na economia global, inteiramente conectada. Permite-se, assim, o desenvolvimento de muitos novos negócios”, destaca a executiva.

A importância do débito

O PayPal realizou um estudo junto ao IDC que aponta que, expandir os serviços de débito é o mais importante para alcançar essa população: 73% dos brasileiros usam essa modalidade para compras de menos de 50 dólares. 

É pensando nesse potencial que o Itaú tem apostando em maneiras de facilitar a aceitação de compras a débito na internet por meio da presença dos seus cartões em diferentes carteiras digitais. 

“Quando a gente olha o uso dos cartões de crédito, já passou de 30% o uso dos nossos cartões de crédito em lugares digitais”, explica Rubens Fogli, diretor de Pagamentos Digitais do Itaú Unibanco. Além disso, o banco expandiu o alcance do Iti, sua carteira digital, permitindo que pessoas sem conta em banco façam pagamentos online pelo seu aplicativo.

45 milhões de fora

O potencial de crescimento do setor bancário e das novas entrantes está diretamente relacionado à inclusão de consumidores de menor renda. O estudo Future of Banking Consumer Survey, da McKinsey, apresentado este ano, aponta que 64% das pessoas que não fazem uso do serviço bancário digital estão fora do sistema por que não estão familiarizadas com esses serviços.

Países em desenvolvimento, como o Brasil, contam com o poder do digital para expandir seus serviços bancários. No País, cerca de 45 milhões de brasileiros não têm uma conta em banco, mas o número de celular ultrapassa o de pessoas no País, sendo a interface de maior potencial para desenvolvimento do sistema.

digital Foto Benjamin Dada (Unsplash)

Smartphone como interface

São, segundo a FGV, mais de 230 milhões de aparelhos que podem ser usados para integrar brasileiros a serviços bancários de todo tipo. Os serviços bancários mais utilizados hoje precisam de um cartão para serem realizados. 

O Itaú possui pouco mais de 30 milhões de plásticos para efetuar esses serviços, oito vezes menos que a quantidade de celulares no mercado.

Além de facilitar o acesso ao sistema bancário a consumidores, os smartphones prometem otimizar a vida dos comerciantes, ao dispensar, em alguns anos, o uso da maquininha de pagamento, jogando as operações para o celular, evitando, portanto, gastos extras com meios de pagamento. 

Hoje, a batalha das maquininhas está sendo travada principalmente, no campo dos pequenos e micro negócios. A retomada da economia pode forçar ainda mais a necessidade dos brasileiros pela expansão dos serviços bancários digitais. 

A redução das agências bancárias aponta para o movimento dos grandes bancos de acessar os consumidores cada vez mais como fazem as fintechs, reduzindo custos e aumentando a capilaridade. 


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