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Assistentes virtuais respondem mensagens de assédio

97% das mulheres já foram assediadas alguma vez na vida, a fim de ir contra essa estatística, empresas lançam assistentes virtuais contra o assédio

POR Redação Whow! | 01/06/2021 10h17

Como você deve saber, muitas empresas vêm apostando em assistentes virtuais para se aproximar ainda mais dos clientes. Essa estratégia tem feito tanto sucesso, que atualmente não só as empresas de tecnologia contam com essa ferramenta, diversas marcas dos mais variados segmentos, também já adotaram essa inovação.

No entanto, um fato triste, é que assim como as mulheres de verdade, as assistentes virtuais também passaram a sofrer de assédio. A fim de auxiliar no combate dessa prática, também começaram a responder essas mensagens. Continue a leitura e saiba como esse sistema funciona e como pode auxiliar no problema enfrentado por mulheres reais.

Assistentes virtuais e o assédio cibernético

Assim como na vida física das mulheres, o assédio cibernético infelizmente também é muito comum. Afinal, muitas pessoas se sentem imunes por praticarem suas violências de forma online. Logo, esta prática também é crime, e deve ser combatida da mesma forma pelas instituições e pela sociedade num geral,

Por que a maioria das assistentes virtuais são mulheres?

Quando pensamos em assistentes virtuais, geralmente lembramos de nomes femininos, como Cortana (Windows), Siri (Apple), Alexa (Amazon), Cris (Crefisa), Bia (Bradesco) e Lu (Magazine Luiza). Por mais que tentemos, é difícil lembrar assistentes virtuais que não remetem à figura feminina.

São tão raros os casos, que até a Unesco resolveu advertir as empresas a repensarem sobre o uso demasiado de assistentes virtuais mulheres. Para a fundação, essa prática dissemina e reforça o preconceito de gênero. E o pior é que a Unesco está certa. Infelizmente, muitos assistentes virtuais possuem vozes e características femininas, porque no imaginário popular, a figura da mulher está associada com uma imagem dócil, subserviente e disponível para ajudar.

É nesse sentido que está o problema. Ao utilizar assistentes virtuais femininas, as marcas acabam reforçando a ideia de que as mulheres estão sempre disponíveis para ajudar. Segundo a Unesco, essa situação já nasce na equipe desenvolvedora dos projetos, visto que 90% são constituídas por homens. Em outras palavras, são homens que definem o gênero do assistente, assim como as respostas.

Vale ressaltar que para alguns casos, a figura feminina realmente faz sentido. Como por exemplo a rede de moda feminina Mob, que lançou a Olivia, uma assistente virtual que reconhece a localização da consumidora, e sugere as roupas mais adequadas. Ou seja, como o público da loja é majoritariamente feminino, a assistente também deve ser mulher.

A proposta da Unesco já vem recebendo algumas conquistas. Depois de lançada, a Apple já alterou algumas respostas da Siri. Antigamente quando o usuário usava nomes chulos para se referir a ela, a assistente respondia: “Ficaria corada se pudesse”. Hoje ela já diz “não vou responder a isso”.

Bia e Lu passam a responder mensagens de assédio

Assédio é crime, e infelizmente é um crime muito praticado na nossa sociedade. Um estudo realizado pelo instituto Patrícia Galvão e Locomotiva, com apoio da Uber, apontou que 97% das mulheres acima de 18 anos já sofreram assédio nos transportes públicos e privados.

Apesar de ser um número que indica os crimes realizados nos meios de transporte, sabemos que abrange toda a realidade da nossa sociedade. Ou seja, demonstra como as mulheres sofrem com assédio diariamente.

Infelizmente o mesmo vem acontecendo com as assistentes virtuais. Elas já receberam diversos pedidos e mensagens absurdas com conotação sexual e maxista. Somente a Bia, a assistente virtual do Bradesco, recebeu 95 mil mensagens ofensivas no ano de 2020. E foi com esse panorama que o banco criou a campanha para combater estes insultos.

Na campanha feita pelo banco, apresentam alguns exemplos como “Bia, eu quero uma foto sua agora” e “Bia, sua imbecil. Mas a instituição garantiu que existem mensagens bem piores que estas. Porém, vale ressaltar que a empresa pioneira em responder contra assédio foi a da Magazine Luiza, a Lu. Ela já foi programada desde 2018 para dar respostas mais hostis contra o assédio.

Agora a Bia e a Lu serão incisivas. E darão respostas de que certos comportamentos não são adequados nem com uma inteligência artificial, muito menos com uma pessoa de verdade. Por outro lado, a Amazon adota outra forma de lidar com essa situação. Para a empresa, a Alexa não deve encorajar essas interações inapropriadas. Ou seja, quando alguém fala alguma coisa imprópria para a assistente, ela simplesmente não responde.

Um movimento importante para as mulheres reais

Estas ações podem refletir em impactos positivos para as mulheres reais. Afinal, conforme já citamos, quase todas as mulheres já sofreram algum tipo de assédio na sua vida. Ou seja, mesmo que as respostas tenham sido dadas por robôs, são pessoas reais que irão recebê-las. Assim, podem significar um resultado realmente positivo para todas as mulheres.

Porém, apesar das assistentes virtuais serem poderosas ferramentas para auxiliar no combate do assédio e na conscientização das pessoas, as suas ações ainda são limitadas. Quando é preciso atuar diretamente nas vidas das mulheres, apenas respostas mais ríspidas não são suficientes. Por isso, o Magazine Luiza inovou mais uma vez, e lançou ferramentas a fim de ajudar mulheres em situação de risco.

O aplicativo da empresa conta com funcionalidades que ligam a mulher diretamente com a polícia, ou com o 180, o telefone de denúncia contra violência doméstica. Além disso, também tem uma opção de chat, para falar diretamente com o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. E isso tudo muito bem disfarçado. No layout da página do aplicativo, parece que a mulher está realizando compras de livros. Assim, garante mais discrição para a usuária do aplicativo.

Há alguns anos a empresa já vem aperfeiçoando os processos e políticas de combate à violência contra a mulher. Principalmente para suas funcionárias, que quando sofrem violência, a empresa muda de unidade para outra cidade e até paga a mudança. Definitivamente o uso das assistentes virtuais, como forma de combate ao assédio e a violência contra mulher são benéficas para a sociedade. Visto que assim, temos mais um exemplo de luta a favor dos direitos iguais.

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