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Eficiência

As asas dos unicórnios brasileiros

O Brasil tem produzido cada vez mais startups que chegam a US$ 1 bilhão em valor de mercado. Saiba o que fez essas empresas voarem tão alto

POR Gabriely Souza | 30/08/2019 12h06

Até março deste ano, o mundo contabilizada 326 unicórnios, segundo levantamento da CB InsightsUber, Nubank, Movile (dona do iFood) estão entre os seres raros. As duas últimas são ‘brazucas’. 

Quatro outras brasileiras chegaram ao tão sonhado valor de mercado de US$ 1 bilhão. A primeira foi a 99, no início de 2018. Depois, vieram Nubank, Movile, Stone, Arco e, mais recentemente, a Gympass.

Confira algumas das características dos unicórnios nacionais


1. Segmentos diversos

Cartão de crédito sem taxas, aplicativo de transporte e serviço on-line para entrega de comida são inovações já presentes em todo o mundo, e que abriram oportunidade para o surgimento dessas startups bilionárias. 


2. Resolvem problemas históricos

Para o economista Guilherme Fowler, professor do Insper e especialista em empreendedorismo, não existe um segredo para ser uma unicórnio. “Cada organização é única. Logo, cada unicórnio também é único. No Brasil, as empresas unicórnios estão, quase sempre, associadas à solução de problemas (‘dores’) que, embora sejam comuns a diversas localidades, podem ser considerados intensos no país (ex. 99 – logística urbana; Nubank – setor bancário concentrado e confuso)”.


3. São frutos do ensino público 

No Brasil há algo em comum entre as unicórnios: o local de formação de seus CEOs. A Universidade de São Paulo, USP, formou 10 das 16 pessoas que fundaram essas startups. “São todas modelos copiadas de fora. São todas baseadas em commodities e intensivas em capital porque aqui tem grandes concentrações disso”, afirma Christian Aranha, Fundador e Cientista Chefe da Entropia, rede de inovação e empreendedorismo. 


4. Aceleram com uma boa gestão

A criatividade brasileira não é suficiente para chegar ao patamar do bilhão, embora sem ela não seja possível. Para escalar uma ideia brilhante é preciso gestão. Para Fowler, o crescimento rápido dessas empresas “traz desafios gerenciais importantes, além da necessidade de se cuidar para que a cultura organizacional fique consistente no processo. O fundador/empreendedor precisa entender que a sua postura deve mudar também – ou um time profissional precisa ser contratado. Um bom empreender não necessariamente é um bom gestor”, afirma Aranha. 

unicronio2 Foto Unsplash

Em artigo, o professor Caio Bianchi, pesquisador especialista sobre gestão da criatividade, inovação, empreendedorismo e negócios internacionais e professor da ESPM, cita quatro estratégias em comum ajudam a explicar as unicórnios: 

1) Passam por um crescimento exponencial na participação de mercado; 

2) Seu potencial é impulsionado por altíssimos investimentos de risco;

3) Não buscam necessariamente o lucro no primeiro momento; 

4) Buscam prioritariamente a escala e alcançar o maior número possível de consumidores. 

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