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Os cases de empresas e startups que mais fecham negócios de inovação no Brasil

Conheça cases de algumas das corporações e startups que mais fecham negócios de inovação no País; e como investidores e poder público entram nessa relação

POR Raphael Coraccini | 26/09/2019 14h24 Os cases de empresas e startups que mais fecham negócios de inovação no Brasil Imagem: Shutterstock

O aumento do desemprego nos últimos cinco anos e a dificuldade de retomar a criação de novos postos de trabalho na economia tradicional elevaram o número de pessoas dispostas a investir no próprio negócio. O resultado é o impulsionamento do empreendedorismo por necessidade. Mas será que negócios que nascem dessa forma prosperam? De acordo com uma análise do Centro de Inteligência Padrão (CIP), a partir de dados da 100 Open Startups, sim.

Fernando Seabra, especialista em inovação, empreendedorismo e startups e líder do GRI (Grupo de Relacionamento com Investidores do Departamento da FIESP), define startups como empresas que operam sob o signo da imprevisibilidade. “Por isso, é comum que empresas como Uber ainda mantenham o título de startup, porque apesar do seu valor de mercado ser de dezenas de bilhões, ela não lucra. Elas ainda estão buscando sua sustentabilidade”, explica o especialista.

Apesar dessa imprevisibilidade, as empresas da nova economia têm, nos primeiros anos de vida, um desempenho superior ao de empresas tradicionais. O potencial das startups está, portanto, no que elas têm a oferecer no médio e longo prazo. Por outro lado,  um quarto das empresas brasileiras de economia tradicional precisam mostrar resultado a toque de caixa, literalmente. Essa urgência faz com que a maiora delas feche antes de completar dois anos de atividade, segundo dados do Sebrae. 

No estudo desenvolvido pelo CIP e pela 100 Open Startups, 80% das startups já ultrapassaram essa idade. O levantamento contempla 4.764 startups e um pool de 789 grandes empresas brasileiras. Juntas, elas já geraram mais de 2.500 matches e quase 1.900 contratos.

startups Foto Freepik

“Ao promover essas conexões conseguimos estruturar a demanda de capital considerando, por exemplo, quem está procurando investidor, quem quer de fato investir e quais negócios convertem em mais retorno e menos riscos”, explica Bruno Rondani, CEO da 100 Open Startups.

A Accenture é uma das corporações que mais fecha negócios com startups no Brasil, segundo ranking da 100 Open Startups. A empresa criou o movimento Be Founder Friendly (BFF), para melhorar a relação entre grandes empresas e startups no mercado brasileiro.

“Mensalmente, recebemos um fundador de uma startup que tenha experiência e um número importante de negócios com grandes empresas. De forma estruturada, ele apresenta como seria um fluxo ideal entre uma startup e uma grande empresa”

Paulo Vinícius Costa, diretor da Accenture Ventures

“Desde o primeiro contato até a relação estar escalável e em produção. Assim, criamos a oportunidade para provocar insights e promover a discussão sobre como elevaremos o nível dessa relação”, conta Paulo Vinícius Costa, diretor da Accenture Ventures.

Com projetos de inovação em praticamente todos os segmentos que atuam (indústria financeira, telecom, mineração, indústria química e bens de consumo), a Accenture analisa cerca de 500 startups por ano, de forma presencial. E, em 2018, fechou negócio em mais de 100 projetos. Ao todo, a empresa tem nove programas de impulsionamento de startups.

Essa preocupação em se aproximar e catapultar o ecossistema de inovação permitiu à empresa transformar seu core business radicalmente para manter-se viva. Antes, se a empresa fazia integração de sistemas e com as novas soluções em todas essas verticais, agora consegue gerar novas fontes de receita.

Foto Daria Nepriakhina Unsplash startups
O que faz de uma empresa uma startup?

1. Opera sob profunda incerteza

2. Tem base tecnológica no core business

3. Modelo de negócios altamente escalável

Essa definição, entre tantas, é a usada por Fernando Seabra, especialista em inovação, empreendedorismo e startups e líder do GRI (Grupo de Relacionamento com Investidores do Departamento da FIESP)

A Accenture começou a criar processos novos para aquilo que já fazia e a diversificar suas opções, criando não só novos produtos, mas também novos modelos de negócios. Para isso, além do fomento a startups, a empresa vem investindo em pesquisas dentro de universidades.

No começo de agosto, a companhia ampliou suas operações em Campina Grande, na Paraíba e abriu uma filial no Centro Universitário Facisa, com planos de ampliar o número de funcionários de 140 para 200. O foco das contratações deve ser entre estudantes e egressos do curso de Sistemas de Informação da universidade.

Revolução verde

Uma das marcas brasileiras de maior destaque no mundo, a Natura é também uma das que mais fecha negócios de inovação no País, com um programa de recrutamento de startups voltado para o desenvolvimento de novos produtos que explorem de maneira sustentável a biodiversidade nacional.

Mas não é só com pequenas empresas ainda em evolução que a gigante brasileira se relaciona para desenvolver novas soluções. A Natura firmou parceria com o Google Cloud há mais de um ano para otimizar seu banco de dados de mais de 50 anos de pesquisa, agilizando em 30% o tempo dedicado a pesquisa e desenvolvimento.

Outra empresa que se destaca no número de contratos fechados com startups é a Braskem, maior petroquímica das Américas e líder mundial na produção de biopolímeros. A empresa precisa das empresas inovadoras para reformular seu processo produtivo em tempos de medidas urgentes para redução no uso de materiais fósseis.

“É comum que empresas como Uber ainda mantenham o título de startup, porque apesar do seu valor de mercado ser de dezenas de bilhões, ela não lucra. Elas ainda estão buscando sua sustentabilidade”

Fernando Seabra, GRI (FIESP)

Por meio de seus programas de aceleração chamados Braskem Labs Scale e Ignition, a empresa seleciona startups que otimizem processos de produção de plástico e que tenham um apelo socioambiental positivo em áreas como reciclagem, moradia, saúde, água e saneamento.

O programa de aceleração da petroquímica é focado em startups que já foram validadas e apresentam soluções disponíveis no mercado. Desde o seu início, o programa acelerou 50 startups e 40% delas receberam algum tipo de investimento após participar do programa.

A Braskem fechou contrato com a dinamarquesa Haldor Topsoe, líder mundial em catalisadores e tecnologia para as indústrias química e de refino. Nessa parceria, a petroquímica passa a utilizar o açúcar como matéria-prima na produção de monoetilenoglicol (MEG), um dos principais componentes da garrafa PET. Atualmente, o mercado global de MEG movimenta cerca de 25 bilhões de dólares.

startups Foto Freepik

TOP 5 EMPRESAS QUE MAIS FECHAM NEGÓCIOS DE INOVAÇÃO

1 BMG

 2 NATURA

3 ACCENTURE

4 ISA CTEEP

5 BRASKEM

Fonte: 100 Open Startups

Para Gustavo Sergi, diretor de Químicos Renováveis da Braskem, o desenvolvimento de MEG renovável é um grande avanço em termos de competitividade para o PET Verde. “Essa parceria fortalece nosso protagonismo e agrega valor ao nosso portfólio I’m green, que já conta com o Polietileno Verde e o EVA Verde, ambos produzidos a partir da cana-de-açúcar. Ela também reforça nossa visão de utilizar biopolímeros como ferramenta de captura de carbono, contribuindo para a redução na emissão de gases do efeito estufa”, explica Sergi.

Localizada em Lyngby, na Dinamarca, a operação da planta piloto da fábrica do PET Verde é a etapa decisiva para a confirmação da viabilidade técnica e econômica desse processo de produção em escala industrial.  A partir de 2020, os clientes receberão amostras do PET verde para testar em seus produtos. O objetivo é que a fábrica seja capaz de converter diferentes matérias-primas, como sacarose, dextrose e açúcares de segunda geração, em MEG. Atualmente o composto é feito a partir de origens fósseis, como nafta, gás ou carvão.

A TriCiclos, com matriz dividia entre Chile e Brasil, é outra startup capacitada no Braskem Labs Scale e a primeira empresa fora da América do Norte a ser Certificada “B”, que visa como modelo de negócios o desenvolvimento social e ambiental.

“Nosso objetivo é buscar soluções para a redução na geração de resíduos, fazendo uma gestão mais sustentável do ciclo de uso dos produtos”

Daniela Lerario, CEO da TriCiclos

A startup criou e opera os pontos de recepção voluntária e incentivada de materiais recicláveis, chamados de Pontos Limpos, que são centros de coleta e triagem para até 20 tipos de materiais (como polietileno, polipropileno, PET e vidro) que, após a coleta, são transportados para reciclagem. Nestes locais, há membros das cooperativas de reciclagem parceiras, prestadores de serviço treinados pela TriCiclos, que ensinam aos consumidores a forma correta de descarte de cada material.

Existem quatro Pontos Limpos no Estado de São Paulo, um no Rio de Janeiro e outros 70 no Chile.

startups Foto (Pexels)

O papel do investidor

A startup Allya também atua focada na economia de colaboração, porém, com foco no mundo corporativo, promovendo parcerias entre empregadores, funcionários e pontos de venda por meio de seu aplicativo de descontos e programa de fidelidade. A startup é a que mais fechou contratos com empresas, segundo ranking da 100 Open Startups.

Marco Ferelli, fundador da Allya, destaca o fato de a startup atuar tanto em favor da empresa, reduzindo perda de dinheiro com benefícios mal utilizados no mercado, quanto dos colaboradores, com programas de desconto que reduzam gastos cotidianos e desenvolvam a educação financeira. “A Allya é um benefício com diferencial da personalização. Hoje, tirando benefícios mais consagrados, como o Vale Refeição, os RHs oferecem benefícios com engajamento baixo. O que as empresas mais procuram numa startup como a nossa é que os colaboradores entendam os benefícios que elas oferecem, e façam uso”, explica Ferelli.

A Allya tem parceria com 110 empresas, 27 mil parceiros e oferece descontos a 650 mil colaboradores. Top 10 no ranking que destaca anualmente as startups mais atraentes para o mercado corporativo, a Allya já captou R$ 1,7 milhão desde que surgiu, em 2012.

Agora, ela está articulando uma nova rodada de investimentos para lançamento de novos produtos com fundos de venture capital, que, juntos, investiram um total de R$ 5,1 bilhões em startups brasileiras em 2018, segundo dados da Associação Latino-americana de Private Equity e Venture Capital.

1. A capacidade dos colaboradores

2. O posicionamento desses talentos dentro da empresa (talentos nos lugares certos)

3. A clarividência da startup sobre as dores dos consumidores que as empresas tradicionais não resolveram (ou criaram)

4. Modelo de negócios bem estruturado (ponto de partida, caminhada e ponto de chegada)

5. Oportunidades de o negócio ganhar escala

Dicas da especialista em inovação do Sebrae, Natália Bertussi

O volume movimentado é 51% superior na comparação com o do ano anterior, e representa 65% de todos os investimentos feitos na América Latina. Ainda assim, o ecossistema brasileiro como um todo ainda está em fase de desenvolvimento.

Só o Softbank criou um fundo de 5 bilhões de dólares para investir na Amércia Latina, cujo principal destino será o Brasil. O banco japonês de investimento já tem participações no iFood, Rappi e QuintoAndar, três dos dez unicórnios brasileiros.

“Apesar de não se comparar à maturidade que vemos em alguns fundos estrangeiros, os investidores brasileiros estão se tornando mais maduros e estão colocando recursos nesses negócios inovadores”

Natália Bertussi, especialista em inovação do Sebrae

Franklin Ribeiro, head de Ecossistema de Startups da Invest SP, destaca o papel das grandes empresas e do meio acadêmico na maturação das empresas de inovação brasileiras. A Invest SP é uma agência de promoção de investimentos e competitividade voltada ao setor de inovação paulista.

A cidade de São Paulo é o maior polo de inovação do Brasil, conforme o levantamento da 100 Open Startups. Ainda assim, a cidade não está no ranking dos 30 maiores polos de inovação do mundo, organizado pela Genome. “Dos desafios mais importantes, a gente tem a necessidade de formação científica em exatas, promoção de talentos que venham da universidade, pesquisadores, desenvolvedores, e conexão maior entre universidade, executivos e investidores”, avalia Ribeiro.

TOP 3 STARTUPS QUE MAIS FECHAM NEGÓCIOS 

1 Allya

2 Fhinck

3 Opinion Box

Fonte: 100 Open Startups

Além de ajudar a catapultar o ecossistema de inovação da capital paulista, a Invest SP, que tem contrato de gestão com o governo de São Paulo por meio da Secretaria de Economia, Ciência, Tecnologia e Inovação, quer expandir a inovação para outras regiões do Estado, com projetos pelo interior que visam aproximar empresas e startups locais.

“Essas grandes empresas têm um papel fundamental no desenvolvimento do ecossistema, e as vejo cada vez mais capacitadas, aprendendo a se relacionar com startups”

Franklin Ribeiro
, head de Ecossistema de Startups da Invest SP

“É um universo completamente diferente, onde elas precisam mudar processos e a cultura. É um trabalho árduo, mas eu acompanho de perto essa evolução”, explica Ribeiro.

Números da 100 Open Startups organizados pelo Centro de Inteligência Padrão sobre o destino da inovação

Dados em alta
A maior parte das startups brasileiras se volta a soluções baseadas em dados e experiência:

Big Data & Analytics 44%
Experiência do consumidor 29%
Computação em nuvem 25%
Modelos de negócios inovadores para a competitividade global 22%
Internet das coisas 21%
Economia colaborativa 17%
Design para inovação 16%
Serviços de inovação para a indústria 15%
Gamificação 15%
Inteligência artificial 14%
Pagamentos digitais 12%

A Fhinck, segunda colocada no ranking da 100 Open entre as startups que mais fecham negócios, dedica-se a reverter esse quadro de baixa produtividade. Para isso, ela usa ferramentas que permitem aos seus clientes acompanharem o tempo de trabalho dos colaboradores e o foco deles nas atividades que fazem parte da job description.

A empresa aponta 17% de ganho de produtividade nas operações com mais de cem funcionários. CEO e fundador da startup, Paulo Castello diz que esse acompanhamento é importante, principalmente entre as novas gerações. “Elas têm uma característica delicada que é a de não separar os ambientes de trabalho e de casa, misturando tudo. O uso dos celulares contribui para isso. Por isso, ajudamos a identificar como o tempo tem sido distribuído nas tarefas que precisam de atenção”, explica o executivo.

Tendências

Entre as tendências de tecnologia e inovação mais exploradas pelas startups brasileiras estão big data e analytics, tecnologias que a Opinion Box, terceira colocada no ranking da 100 Open de negócios realizados, domina bem. Spin-off da Expertise (empresa de pesquisa de mercado), a startup encontrou uma maneira de derrubar custos e prazos para realizar pesquisas por meio de seu sistema de captação e análise de dados.

A separação das operações da Expertise e da Opinion Box aconteceu em 2017, pouco depois de a startup começar a operar no azul. Desde então, a empresa aumenta seu faturamento em 50% ao ano, mesmo em meio a empresas bastante sólidas. “Tivemos algumas premiações entre as melhores startups do País ainda na fase de MVP. Isso facilitou a nossa entrada em clientes de renome”, lembra Christian Reed, fundador e CEO da Opinion Box.

Hoje, a empresa atende cinco setores: agências de comunicação, consultorias estratégicas, grandes corporações, PMEs e outros institutos de pesquisa.

A startup de pesquisas teve como aportes iniciais apenas a contribuição dos próprios sócios. Depois, um grande investidor-anjo entrou em cena e, na sequência, a empresa de tecnologia ReThink resolveu comprar uma participação da empresa. “A ReThink fez o cash out para alguns sócios que abriram mão por entenderem que seria necessário ter o conhecimento e a tecnologia de ponta da empresa em favor da Opinion Box”, disse Reed.

Allya, Fhinck e Opinion Box estão entre as empresas que mais fecharam negócios com grandes empresas na plataforma 100 Open Startups. Entre todas as startups avaliadas, 67% já receberam algum tipo de aporte externo. Dessas, 54% estão no mercado há três anos ou menos. Segundo a 100 Open, as startups que estão na plataforma apresentaram um crescimento médio do faturamento de 79% entre 2015 e 2018. O número de startups dentro da plataforma também saltou 35% no período.

E engana-se quem pensa que os investimentos são destinados somente a startups com modelos de negócios validados, lançados e operantes. Segundo o levantamento do CIP, mais da metade das empresas está em fase de validação do modelo de negócios, ou seja, prototipagem, MVP, bancada ou prova de conceito e patente.

Faturamento em alta

A receita média das startups brasileiras praticamente dobrou nos últimos três anos:

FATURAMENTO STARTUPS

Evolução das receitas médias por Estado

Paraná foi o Estado que teve o maior crescimento em rentabilidade média: 311% nos últimos três anos:

POR ESTADO

Caminho do sucesso

Estágio de desenvolvimento das startups brasileiras

caminho startups


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