As barreiras para pessoas negras ingressarem e evoluírem no ecossistema das startups - WHOW

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As barreiras para pessoas negras ingressarem e evoluírem no ecossistema das startups

De psicóloga para fundadora de um hub de inovação, e com o objetivo de gerir um fundo de investimento. Conheça a Maitê Lourenço

POR Eric Visintainer | 12/04/2021 14h21 Foto ilustrativa Ketut Subiyanto (Pexels) Foto ilustrativa Ketut Subiyanto (Pexels)

Desde 2016, a BlackRocks Startups apoia pessoas e negócios inovadores, lucrativos e tecnológicos, como um hub de inovação para empreendedores brasileiros negros e os conecta a capital e oportunidades no ecossistema de startups. E a sua fundadora Maitê Lourenço, uma psicóloga de formação se apaixonou e se especializou em inovação para criar este projeto.

Atualmente, apenas um fundador dentre as 14 startups únicórnios brasileiras é negro, o Robson Privado, da paranaense Madeira Madeira. E um estudo do Distrito, de 2020, aponta que, entre os empreendedores que fundaram os nove primeiros unicórnios do Brasil, 93% são homens, 43% estudaram na USP e 40% fizeram pós-graduação em Harvard ou Stanford. E segundo a Maitê apenas 5% da população negra mundialmente consegue estudar nestas duas universidades norte-americanas.

E o portal Whow! convidou a CEO da BlackRocks Startups para a 33ª Whow! Live. Dentro os pontos que ela abordou, para que cada vez mais a população negra tenha acesso ao ecossistema de tecnologia e startups no Brasil, há o incentivo do uso de canais não tradicionais por fundos de investimento para que se engajem com empreendedores mais diversos.

Barreiras para pessoas negras 

Uma outra pesquisa do ecossistema de startups nacional, desta vez da Associação Brasileira de Startups (Abstartups), indica que na região Sudeste, que concentra aproximadamente 60% das startups do país, só 21% delas possuem fundadores negros e 45% não têm nenhuma pessoa negra nem entre os fundadores, ou na equipe. Enquanto isso, 56% da população brasileira se declara negra, segundo o IBGE.

Para quebrar estas barreras, a Maitê pontuou durante a Whow! Live que a BlackRocks Startups vai acelerar 24 projetos de empreendedores negros até 2022. E dez já estão neste processo do primeiro programa.

“Quantas pessoas negras você já recebeu no seu pipeline de startups? Raramente ou nunca tiveram pitches por pessoas negras, dizem os agentes do ecossistema entrevistados na pesquisa da BlackRocks Startups em parceria com a Bain & Company. E há um grupo que se conecta e mantem em um único eixo, o que não possibilita ampliar o escopo por sempre ver as mesmas pessoas nos mesmos lugares”, comentou Maitê.

“E como desenvolver um negócio inovar se só temos um grupo participando?”

Maitê Lourenço, fundadora e CEO da BlackRocks Startups

Falta de diversidade nos fundos de venture capital do ecossistema de startups

Na pesquisa proprietária do hub de inovação — a qual o portal Whow! já trouxe no site —, alguns dos principais dados indicam que:

  • 32% das startups de pessoas negras receberam alguma espécie de aporte; no caso de startups de não negros, o total cresce para 41%;
  • Todos os agentes de investimento entrevistados disseram que a indicação tem relevância na seleção inicial de uma startup, sendo que cerca de 80% mencionaram considerar a indicação muito importante ou essencial; e
  • 71% dos agentes entrevistados disseram não ter nenhuma pessoa negra em seus times de seleção e investimento.

E empresas como o Google for Startups no Brasil e o Nubank anunciaram entre o final de 2020 e o início de 2021, fundos de investimento voltados para empreendedores negros brasileiros. Além disso, o maior VC do mundo hoje, que é o Softbank, também destinou uma pequena parcela do seu capital para startups de negros e latinos nos EUA.

“É importante esta discussão começar a reverberar. E os Estado Unidos têm esta responsabilidade, pois muito do que é dito como inovação lá é copiado aqui no Brasil. Então, a gente espera que os dados deste investimento do Softbank cheguem até nós, para saber quais foram os impactos, as ações e os retornos”, disse Maitê, que completou ao dizer que, apesar desse passo ter sido dado, o valor ainda é muito baixo perto do que estas empresas poderiam ofertar. “Faltam os fundos também contemplarem a população do país onde atuam”, concluiu.

Próxima Whow! Live

Na terça-feira (13), o 34º episódio da Whow! Live será, às 18h, com Hugo Tadeu pesquisador e professor na Fundação Dom Cabral, colunista no portal Whow! e especialista em inovação para o Fórum  Econômico Mundial. O tema central da conversa será sobre “Expectativa das empresas sobre a inovação”. Não perca!

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VEJA A WHOW! LIVE COM A MAITÊ LOURENÇO NA ÍNTEGRA


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