Artigo exclusivo no Brasil: Como a pandemia pode redefinir cidades e transformar aspectos da mobilidade urbana - WHOW
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Artigo exclusivo no Brasil: Como a pandemia pode redefinir cidades e transformar aspectos da mobilidade urbana

Mais cidades e cidadãos têm a chance única de se envolverem e explorarem a ‘tela’ de seus municípios de novas maneiras para aproveitar seus dias

POR Redação Whow! | 05/08/2020 19h52

*Por Isabel Froes

As cidades são sistemas difíceis e complexos. Com suas políticas, plantas e ruas definidas, elas oferecem pouco espaço para experimentação, com um limiar baixo para qualquer tipo de interferência ao seu fluxo regular. Para testar e prototipar na área urbana, além de lidar com procedimentos regulatórios, requer indicações claras do impacto positivo que esses testes podem trazer. Assim, qualquer mudança nos fluxos da ruas é perturbadora e não necessariamente bem-vinda por todos.

Algumas destas dificuldades tornaram-se explícitas durante os processos realizados por várias cidades em quatro projetos de bairro financiados pela União Europeia: Cities-4-People, Sunrise, MUV e Metamorphosis. Eles reuniram cidadãos e outras partes interessadas da cidade para identificar e cocriar soluções e abordagens de mobilidade para enfrentar os problemas locais.

Cidades obrigadas a desenvolverem soluções

Cada projeto teve um objetivo distinto, mas todos fazem parte da iniciativa CIVITAS, focada no planejamento sustentável da mobilidade de vizinhança’ e estão em execução desde 2017, com três deles terminando em 2020 e outro em 2021. No caso das cidades do projeto Cities-4-People, em execução nas cidades de Hamburgo, Istambul, Oxford, Trikala e Budapeste, os municípios, cidadãos e autoridades de transporte trabalharam em conjunto para cocriar e implementar soluções que abordam congestionamentos, estacionamento de bicicletas, rotas seguras e novas para alcançar o transporte público e muito mais.

Uma das maiores dificuldades na implantação de protótipos urbanos passa por permissões, compartilhamento de espaço, fechamento de partes de uma rua inteira ou calçada, alteração de rotas de tráfego e etc.

“Mesmo ao implementar aspectos que os cidadãos consideram valiosos e benéficos, como bicicletários, ciclovias, durante a construção, esses processos tendem a ser percebidos como um incômodo.”

Outro aspecto decorre do fato de que, a menos que seja uma cidade ou bairro novo em planejamento, a cidade, como uma tela, nunca fica em branco. Portanto, as cidades são constantemente obrigadas a desenvolver soluções, que são impostas sobre uma planta existente e fixa com muito pouco espaço de manobra. Todas verdades até março de 2020.

mobilidade urbana Foto Andrew Gook (Unsplash)

Uma oportunidade sem precedentes

A pandemia, por meio de bloqueios e outras restrições de movimento, mudou o fluxo das cidades quase que do dia para a noite. Pela primeira vez, desde o amplo desenvolvimento da cidade com foco nos automóveis, as cidades tiveram a chance de olhar para os seus espaços públicos agora vazios e repensar seus usos e propósitos.

Essas mudanças forçaram os projetos de bairro a uma parada repentina, pois o envolvimento das pessoas com os espaços urbanos tem sido muito limitado. No entanto, enquanto espaços físicos de trabalho, lojas e muitas empresas fecham suas portas, com cidadãos ficando em casa, as cidades encontram uma oportunidade sem precedentes de repensar suas ruas.

Em dois exemplos de mobilidade relacionados, Vilnius, capital da Lituânia, o prefeito da cidade abriu dezoito dos espaços públicos da cidade gratuitamente, para bares e restaurantes, para que desta forma eles possam funcionar, mantendo o distanciamento social necessário.

E em Milão, durante o verão, a cidade se envolverá em um protótipo urbano em larga escala, implantando 35 km de ciclovias temporárias e áreas de pavimentação ampliadas.

Enquanto a cidade reabre lentamente, com a maioria dos funcionários ainda trabalhando de casa e não se deslocando tanto, os cidadãos, quando saírem, devem ter espaço suficiente para manter uma distância segura, enquanto também experimentam modos ecológicos, como caminhar e andar de bicicleta.

Novos padrões de mobilidade urbana

Quando alguns dos projetos de bairro, como o Cities-4-People, forem retomados em alguns meses suas cidades e cidadãos poderão ter mudado. No entanto, em vez de considerar os dados que foram coletados nos projetos anteriores ao bloqueio como “desatualizados” ou não mais válidos, esses projetos podem considerar o redirecionamento destes dados, usando-os como uma linha de base robusta para ser comparada com o período pós-bloqueio.

Do ponto de vista da mobilidade, esse “novo normal” pode se provar como um valioso ativo de mobilidade. À medida que as pessoas retornam às ruas, elas podem experimentar esses espaços conhecidos em novos formatos, encontrando novos padrões de mobilidade, onde pessoas e empresas podem repovoar as ruas de maneira diferente, ao reconfigurarem os fluxos da cidade.

Além disso, algumas dessas mudanças temporárias podem vir a ser populares e se tornarem permanentes, promovendo não apenas uma melhor mobilidade, mas também menor poluição e melhor qualidade do ar, ajudando indiretamente as cidades a alcançarem alguns de seus objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS).

“A oportunidade de redefinir os ocupados centros urbanos é rara. No entanto, como ocorreu e continua acontecendo com a pandemia, mais cidades e cidadãos têm a chance única de se envolverem e explorarem a ‘tela’ de seus municípios de novas maneiras para aproveitar seus dias.”

*Isabel Froes é pós-doutora no Departamento MSC da Copenhagen Business School.

**O artigo foi originalmente publicado no site The Business of Society, em 18 de maio de 2020. E aparece com exclusividade no Brasil, aqui no Whow!.


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Isabel Froes trabalha em dois projetos da União Europeia (Cities-4-People e iPRODUCE) que lidam com aspectos distintos dos serviços urbanos e da sustentabilidade. Ela também possui uma vasta experiência no setor e já trabalhou como pesquisadora de usuários e consultora de design de serviços para várias empresas na Dinamarca e internacionalmente. Isabel será uma das principais keynotes internacionais, durante o Whow! Festival 2020. Compre o seu ingresso.

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