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Artigo: Agtechs na reinvenção do agronegócio no Brasil

De acordo com um levantamento da CBA, 67% das propriedades agrícolas no país já adotaram algum tipo de inovação tecnológica

POR Redação Whow! | 26/06/2020 16h08 Foto ilustrativa (Pixabay) Foto ilustrativa (Pixabay)

*Por Nathália Secco

Agricultura de precisão, drones, controle fitossanitário por meio de soluções tecnológicas, Big Data, blockchain, QR Code. Isso, e muito mais, é o futuro próximo do agronegócio no Brasil. Mesmo em meio a turbulências e com o cenário de pandemia, o setor vem apresentando resultados positivos e, segundo especialistas, deve ser o motor de recuperação da economia brasileira. Nisso, destacam-se as AgTechs, que protagonizam um papel fundamental neste processo, para entregar inovação e celeridade à toda a cadeia.

O uso da tecnologia já é uma realidade no Brasil, dentro ou fora do campo: de acordo com um levantamento da Comissão Brasileira de Agricultura de Precisão (CBAP), 67% das propriedades agrícolas no país já adotaram algum tipo de inovação tecnológica. Contudo, neste momento de recuperação econômica, a transformação digital é a resposta aos grandes desafios atuais do agronegócio.

A verdade é que a crise do novo coronavírus expôs, ainda mais, diversos desses gargalos da cadeia de produção de alimentos: das condições de trabalho nos grandes frigoríficos, às perdas, pelos problemas logísticos dos produtores para escoar a produção de suas propriedades. A tendência, então, é que o agrobusiness passe por transformações profundas, que devem acelerar a necessidade de digitalização do segmento.

AgTechs acelerando o agronegócio

O agronegócio foi o único setor da economia que teve resultado positivo no PIB do primeiro trimestre deste ano. O valor gerado pelo campo foi de R$ 120 bilhões e, até o fim do ano, com safras recordes, as lavouras devem render R$ 697 bilhões.

Em um mercado aquecido, empreendedores e agricultores recorreram à tecnologia como uma aliada na produção e inovação para o setor. Por exemplo, os drones, com processos cada vez mais sofisticados e aperfeiçoados, são uma das tecnologias que têm conquistado fazendeiros e dominado os céus dos campos. Uma startup que fornece este tipo de solução no Brasil viu seus negócios crescerem, registrando aumento de cerca de 220% em hectares sobrevoados, antes mesmo do fechamento do mês de abril, em comparação ao mesmo período de 2019, somando um total de 2.002,09 ha.

O próprio Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) lançou o programa IA² MCTIC, em parceria com a Softex. O objetivo é encontrar startups com soluções de Inteligência Artificial – e o agronegócio é um dos setores prioritários do projeto. As inscrições vão até 28 de junho e podem ser feitas neste endereço.

agronegócio Foto ilustrativa (Unsplash)

Novo unicórnio no agronegócio

E a movimentação nas AgTechs não para! A americana Apeel Sciences, que nasceu com aporte inicial da Bill & Melinda Gates Foundation, captou nova rodada de investimentos – dessa vez, de US$ 250 milhões. Avaliada em US$ 1 bilhão, é o mais novo unicórnio AgTech.

A Apeel Sciences é reconhecida como uma das AgTechs mais inovadoras do mundo por conta da importância da tecnologia que desenvolveu, com foco na ampliação da vida útil de alimentos e na redução do desperdício. Usando uma solução à base de vegetais totalmente comestível, a startup criou uma espécie de segunda camada de proteção em frutas e legumes, reduzindo a oxidação e a perda de água.

Digitalização do produtor 

Por aqui, no Brasil, a transformação digital do agrobusiness envolve a aceleração da adoção de uma série de tecnologias de ponta. A gestão eficiente de dados, por exemplo, é uma das necessidades primordiais. Por meio de softwares especializados, análise de Big Data e, até mesmo, uso de Inteligência Artificial, é possível aprofundar a qualidade da informação a fim de se alcançar a redução de custos e aumento da produtividade.

Também será importante ter atenção especial ao rastreamento de todo o ciclo de vida do produto, da fazenda até a mesa do consumidor – para isso, já há tecnologias, como o blockchain e o QR Code.

No Brasil, a AgTech Agrofy está endereçando essa missão e já reúne 17 categorias em seu marketplace, que incluem, desde insumos, como sementes e defensivos agrícolas, até veículos e serviços financeiros para o agricultor.

*Nathália Secco é CEO da Orchestra Innovation Center, centro de inovação para o agronegócio no Brasil.


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