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Tecnologia

Arte e criatividade na era das máquinas

Ao contrário do que muitos temem, a tecnologia está aprimorando a criatividade. E no futuro será possível recriar familiares através de IA em hologramas

POR Carolina Cozer | 21/10/2019 18h00 Foto Starline (Freepik) Foto Starline (Freepik)

Em tempos em que o aprendizado de máquina evolui e resolve situações em uma velocidade sobre-humana, será que ainda há espaço para a criatividade? Programas de edição de vídeo e imagem utilizam elementos de inteligência artificial para manipular retratos de modo mais natural possível, e o escopo do que esses softwares podem fazer aumenta a cada dia.

Recentemente, a Adobe desenvolveu uma nova ferramenta, baseada em aprendizado de máquina, que detecta sozinha quais fotos foram ou não “photoshopadas”. A ferramenta serve para reduzir a propagação de imagens e vídeos deepfake usadas em fakenews.

Como qualquer outra inovação tecnológica, a inteligência artificial afetará, também, a maneira como criamos música, arte e literatura. E, ao mesmo tempo em que as ferramentas evoluem para trazer novas soluções criativas e inovadoras para o mundo, cresce a preocupação sobre o papel da mão de obra humana no desenvolvimento destes fatores.

Bons criadores amam automação

Para resolver essa questão, o Google, em seu blog de insights Think with Google, produziu uma entrevista com profissionais da área de criação, questionando se o aprendizado de máquina e criatividade estariam em desacordo. Todos foram enfáticos ao responder: a criatividade apenas tem a se beneficiar do aprendizado de máquina. De modo geral, pessoas criativas tendem a aderir à Big Data, porque ela fornece dados novos e simplifica etapas, pulando tarefas chatas e dando vida a produções de forma muito mais rápida.

“Quando surgiu o Photoshop, ou a edição de filmes em computadores, todo mundo estava preocupado que essas ferramentas estariam em desacordo com a criatividade. Mas isso não é verdade”

Dawn Winchester, diretora digital da Publicis North America

criatividade Foto (Freepik)

“Na realidade, elas criaram novas ondas de inovação, que agora são garantidas no nosso trabalho, e acho que o mesmo se aplica a todas as ferramentas que acompanham o aprendizado de máquina”, completa Dawn.

Para Justin Billingsley, CEO da Publicis Emil, os profissionais de criatividade têm uma relação positiva com as novas tecnologias e ganham ao atingir a personalização para os seus clientes em um anúncio, por exemplo.

“A criatividade está, na verdade, sendo liberada por todas essas mudanças. Os dados estão trazendo informações para criatividade, para que sejamos guiados por um briefing mais afiado”

Justin Billingsley, CEO da Publicis Emil

Identidade profissional

Não é de hoje que a robótica causa medo em diversos setores do mercado de trabalho. Uma matéria publicada pela BBC, em 2017, apontou que 800 milhões de trabalhadores pelo mundo perderão seus empregos para a automação robótica até 2030. Contudo, o mesmo estudo alerta que as novas tecnologias trarão novos tipos de empregos, da mesma forma que a introdução dos computadores, nos anos 80, inutilizou alguns processos manuais, mas trouxe muitos outros negócios no lugar.

Mesmo quando a IA entra em campos criativos, ela ainda serve muito mais para recomendar ideias a um designer, projetista ou artista do que fazer todo o trabalho em seu lugar.

A ascensão da arte da IA

Não é somente o mercado de publicidade que se beneficia do aprendizado de máquina.  Assim como a Netflix utilizou leitura de algoritmos para criar suas séries de sucesso, como House of Cards e Stranger Things, diversas áreas podem recorrer a recursos de big data para criar projetos que conversam melhor com seus públicos, ou simplesmente fazer experimentações criativas.

Mario Klingemann é um artista plástico residente no Google Arts and Culture, conhecido por ser o pioneiro em utilizar IA em suas criações. Através de um misto entre programação, redes neurais e algoritmos, suas máquinas criam retratos humanos de modo autônomo, que receberam como referência apenas um borrão ilustrado. A máquina pega esse material, escolhe características distintas e o molda em um rosto humano, que simplesmente não foi programado e nunca existiu antes.

Na instalação artística de Klingemann, duas telas projetam as criações espontâneas da máquina, em tempo real, e suas imagens nunca se repetem. Logo, sentar e olhar para as mudanças na tela é quase como observar a máquina pensando.

O Google Magenta é um projeto de pesquisa em código aberto que explora os limites do aprendizado de máquina como uma ferramenta no processo criativo, sobretudo na música. Segundo a descrição oficial, os pesquisadores do experimento estudam o desenvolvimento de novos algoritmos de deep learning para gerar músicas, imagens, desenhos e outros materiais, mas também exploram a construção de ferramentas e interfaces inteligentes que permitem que artistas e músicos estendam seus processos usando esses modelos.

Um dos seus algoritmos é treinado em música clássica, e escreve suas próprias peças para piano, totalmente originais e sem interferência manual.

criatividade Foto Google (divulgação)

O Poem Portraits, também desenvolvido pelo Google Arts and Culture, é um projeto de poesias geradas por algoritmos treinados por redes neurais, que estudaram mais de 25 milhões de palavras de poemas do século XIX.

No site do experimento, os usuários inserem uma palavra de sugestão e, em seguida, tiram uma selfie, que o sistema processa para formar uma curta poesia totalmente única e personalizada com a sugestão efetuada. Sua criadora, Es Devlin, define o Poem Portraits como “uma obra de arte coletiva online, que experimenta os limites da IA ​​com a colaboração humana.”

Outro experimento que mescla artes e inteligência artificial é o StoryFile, que utiliza big data e storytelling para reproduzir histórias e conversas de modo totalmente artificial, mas que parecem reais.

Para o projeto, foram coletadas mais de 2 mil respostas de pessoas que viveram na época do holocausto e contaram suas histórias em uma filmagem de mais de 25 horas. Os dados fornecidos nas gravações foram inseridos em um sistema, que criou um holograma capaz de conversar e contar uma história totalmente inédita, baseada nas conversas dos voluntários.

Segundo Heather Smith, CEO da StoryFile, com essa tecnologia, em um futuro próximo, será possível recriar entes queridos já falecidos, ou celebridades históricas através de hologramas para que possamos voltar a conversar com eles.


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