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Apps criados por empreendedores ajudam alunos afetados pela pandemia

De acordo com o estudo “O Impacto da Pandemia na Educação”, o país deverá levar de 3 a 11 anos para recuperar a aprendizagem perdida durante a atual pandemia.

POR Marcelo Almeida | 26/11/2021 19h28

A atual pandemia provocada pelo covid-19 afetou praticamente a todos: além daqueles que ficaram doentes e os que vieram a falecer, muitas pessoas acabaram perdendo o emprego ou uma perda significativa da renda em função das restrições, sofrendo psicologicamente com o isolamento, dentre muitos outros casos. Um grupo particularmente afetado, mas nem sempre lembrado, foi o de crianças em idade escolar. De acordo com o estudo “O Impacto da Pandemia na Educação”, feito pela Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, o país deverá levar de 3 a 11 anos para recuperar a aprendizagem perdida durante a atual pandemia.

Com o intuito de auxiliar esses estudantes que acabaram ficando com uma educação defasada, empreendedores têm criado apps que oferecem reforço escolar.

Um desses aplicativos foi lançado recentemente: o Reforça App, desenvolvido pela empresa ProUser Apps.  Ele é voltado para estudantes dos  Ensinos Fundamental 2, Médio e que irão prestar o Enem.

“A partir do olhar sobre a situação pós-pandemia do ensino básico brasileiro, vimos o gap e como poderíamos contribuir e ajudar com um complemento na jornada de estudos. Os dados são preocupantes”, afirma Rodrigo Murta, fundador e CEO da ProUser Apps, referindo-se ao estudo da secretaria de educação.

A ProUser Apps foi fundada em 2017 por Murta, que é jornalista por formação e profissional com 15 anos de experiência em marketing, produtos e desenvolvimento de novos negócios.

A principal metodologia do Reforça App são os chamados flashcards – cartões com ilustrações, textos e áudios – explicativos de todas as matérias e alinhados à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), como matemática, física, história e português.

A aposta da empresa em desenvolver um aplicativo para auxiliar nos estudos é embasada também por dados sobre o comportamento dos jovens. Segundo levantamento feito pela App Annie, agência com foco em análise do mercado mobile, o Brasil é o país com a maior média de tempo gasto em aplicativos. Feita no segundo trimestre de 2021, o estudo revela que a média diária de uso de apps é de 5,4 horas.

Além disso, de acordo com a terceira edição do Painel TIC Covid-19, estudo divulgado pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), o telefone celular foi o principal dispositivo usado para acompanhar as aulas e atividades remotas.

Disponível para downloads em smartphones (sistemas Android e IOS), o Reforça App também oferece aos usuários um canal para tirar dúvidas das principais matérias com monitores.

“Nossa ideia é aproveitar este potencial e familiaridade do público brasileiro com o mobile para apresentar uma solução que está atacando um problema grande e real do Brasil. Vamos investir forte para que essa solução chegue a milhões de jovens brasileiros, seja através de distribuição própria ou de parcerias que estamos negociando com grandes empresas e instituições”, afirma Murta.

Ele destaca a gama de recursos fornecidos pelo app, mas reconhece o seu papel complementar.

“As aulas presenciais continuam indispensáveis e trazemos o app como método de reforço educacional. É um suporte com uma linguagem diferente dos livros didáticos a que os jovens estão acostumados. E com o Reforça App usamos a metodologia de flashcards que sintetiza o conteúdo com uma linguagem simples, direta e fluida por meio de cards coloridos e divertidos, otimizando o processo de cognição e aprendizado”, diz ele.

Outros aplicativos

Já o TutorMundi foi criado pelos engenheiros Raphael Coelho, Alexandre Tondello, Thomas Machado e o programador holandês Bart Sturm.

Sua plataforma e proposta são um pouco diferentes, buscando conectar alunos a tutores para que eles consigam receber aulas particulares.

O reforço escolar acontece através de tutorias individuais feitas através de mensagem de texto, imagens, vídeos ou áudios.

Embora não seja uma forma de estudos tão difundida por aqui, já que acaba sendo mais custosa, o objetivo do app é exatamente tornar mais acessível esse tipo de reforço escolar.

De acordo com estudo do MIT, alunos que aprendem com ajuda de um tutor possuem desempenho 98% maior que os demais, o que mostra o potencial desse tipo de aprendizado.

Embora tenha sido criado antes da pandemia, o app assume um papel ainda mais importante ao oferecer um reforço e garantir aos seus clientes que consigam recuperar conteúdos que podem ter não ter sido aprendidos corretamente em função das restrições impostas pela pandemia.

Já o Passei Direto é o mais veterano dos apps citados, criado em 2012 por Rodrigo Salvador e Andre Simões.

Atualmente eles se definem como “a maior rede de estudos do Brasil” e contam com mais de 10 milhões de conteúdos compartilhados por estudantes e especialistas em todos os níveis de ensino.

A sua proposta é mais fornecer os mais diversos conteúdos para os alunos em todas as disciplinas para que eles possam fazer proveito desses materiais.