Após uma década da fundação, Hotmart quer aumentar a expansão e adquirir outras empresas, segundo CEO - WHOW

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Após uma década da fundação, Hotmart quer aumentar a expansão e adquirir outras empresas, segundo CEO

Em entrevista ao portal Whow!, o cofundador destaca os desafios enfrentados pela primeira startup mineira a chegar ao valor de US$ 1 bilhão

POR Eric Visintainer | 30/03/2021 19h04 Imagem: RetkiKosmos Imagem: RetkiKosmos

Em 2004, quando os dois colegas de graduação João Pedro Resende e Mateus Bicalho se formaram em Ciências da Computação pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pagar por um produto digital era algo quase raro, principalmente no Brasil. Mas com o espírito empreendedor, conhecimentos acumulados em sete anos e vontade de ter um negócio com abrangência global, a dupla resolveu montar a Hotmart, uma plataforma de distribuição e venda de conteúdos digitais de terceiros, em 2011.

E próximo de completar uma década de atuação e presença de vendas em 185 países, a startup mineira anunciou um novo aporte hoje (30) de R$ 735 milhões em uma rodada de investimento série C liderada pela TCV e com a participação da Alkeon Capital. A empresa também revela que chegou ao status de startup unicórnio em março de 2020, se tornando a primeira do estado de Minas Gerais.

Atualmente a empresa é composta por 1.300 funcionários espalhados pela sede internacional na Holanda e escritórios no Brasil, Espanha, México, Colômbia, Reino Unido, Estados Unidos e França. Também já realizou cinco aquisições e quatro investimentos em outras startups, desde o seu lançamento.

Confira os principais desafios da empresa, a sua internacionalização, aquisições recentes e os próximos passos, nesta entrevista completa do portal Whow!, com João Pedro Resende, CEO da Hotmart.

Os desafios e a internacionalização da Hotmart

WHOW!: Que comparação você faz sobre os cenários digital e de empreendedorismo no Brasil de 2011 e de 2021?
JOÃO PEDRO RESENDE: Nos últimos anos, a evolução do uso da tecnologia aconteceu em ritmo acelerado. Vale fazer o exercício de imaginar que, há pouco tempo, havia poucos recursos tecnológicos. Os aparelhos celulares, por exemplo, não tinham tela colorida, 3G, muito menos conexão Wi-Fi. O mercado de produtos digitais também estava engatinhando. Hoje, o cenário é diferente. As transformações digitais mudaram e facilitaram as formas como nós empreendemos, aprendemos e ensinamos. Prova disso é que, no Brasil, o número de pessoas que transformaram seus conhecimentos e paixões em um produto digital, como cursos on-line, podcasts e ebooks pela Hotmart teve um aumento de 167%.


W!: Nesta trajetória de quase uma década com a Hotmart, quais foram os principais desafios e aprendizados adquiridos? O que te fez mais acreditar e desacreditar no negócio?
JP: Nossa trajetória foi cheia de desafios, como a expansão internacional. Mas além dos desafios e dificuldades, também foi uma caminhada marcada por aprendizados e conquistas, como a criação do HotPay, primeiro sistema de pagamentos global especialmente para o mercado de produtos digitais, além de outros investimentos e aquisições. Mais pessoas tiveram acesso ao conhecimento democratizado, mais pessoas se tornaram empreendedoras digitais, contamos mais histórias inspiradoras e abrimos mais fronteiras. Nossa trajetória não se trata apenas da nossa história, mas a de milhões de pessoas que todos os dias são impactadas por meio dos nossos serviços e ferramentas.


W!: Como se deu o movimento de internacionalização da Hotmart e o que o fez entender qual seria o momento certo para que acontecesse?
JP: Eu e o meu sócio, Mateus Bicalho, sempre pensamos que a Hotmart poderia ser uma empresa global. Consolidamos um modelo de negócio aplicável em todo mundo, fornecemos ferramentas exclusivas e eficazes para transformar os talentos das pessoas em possibilidades reais de negócio. Começamos nossa jornada pela Europa, abrindo o escritório em Amsterdã. Depois nos instalamos em Madrid, na Espanha, transformamos nosso escritório na Holanda em nossa sede global, e seguimos depois para Colômbia, México, EUA e França. Finalmente, em 2020 fizemos a aquisição da Teachable, nos EUA, e da Klickpages, no Brasil. Isso nos permitiu um ganho de escala. Hoje temos uma boa parte da nossa receita gerada no mercado internacional. O esforço envolvido na nossa expansão passa por consolidar nossa cultura organizacional, considerando as diferenças culturais, e por entender cada um dos novos mercados onde atuamos do zero. Temos 1.300 funcionários na Hotmart Company atualmente.


W!: Como é feito o trabalho para manter a essência da empresa mesmo com o rápido crescimento e novos escritórios internacionais?
JP: A Hotmart vai além das ferramentas e soluções oferecidas, é uma empresa construída todos os dias com base em uma forte cultura, baseada em pilares e mantras. Os pilares autonomia, liberdade e love ajudam no incentivo à criatividade, a entregar soluções necessárias para o crescimento do mercado e atrair talentos que ajudam no crescimento.

Autonomia significa que cada pessoa que faz parte da empresa tem o poder de decisão sobre como executar seu trabalho, resolver problemas e colocar em prática novas ideias, com foco em entregar os melhores resultados possíveis. Não significa trabalhar e ter que fazer tudo sozinho, mas assumir responsabilidades e ter um forte compromisso com o que se propõe a fazer.

Já a liberdade significa que nossos colaboradores podem escolher como organizar seu local de trabalho, flexibilidade de horário, onde fazer as reuniões, estudar, fazer suas pausas e a forma como querem trabalhar. Liberdade também significa que essas escolhas devem ser feitas de forma responsável. E o “Love” reforça não só o cuidado com a empresa, mas com todas as pessoas, nossos colegas de trabalho, clientes e fornecedores.

Próximos passos do unicórnio de Minas Gerais

W!: O que motivou as aquisições da Teachable e ROBOS.im, além do aporte na SkillHub?
JP: Nesses dez anos, adquirimos a Teachable, ROBOS.im, Klickpages, Vidmosters, e Woolo, além disso investimos na eNotas, 12 Minutos, Skillhub e Reshape. Vimos nessas empresas potencial e sinergia, seja com nossa operação interna, ou com nossos clientes. Essa combinação fortaleceu ainda mais o desenvolvimento da comunidade de criadores de conteúdo, e também trouxe funcionalidades mais robustas para apoiar as crescentes demandas do mercado. Com isso, vamos consolidando nossa plataforma como um ecossistema completo para quem quer empreender, ensinar e aprender online.


W!: Quais são os próximos passos para a Hotmart em 2021 e nos próximos cinco anos?
JP: Para os próximos anos, nossos objetivos são manter o crescimento acelerado e ampliar ainda mais as funcionalidades oferecidas por nossa plataforma, tendo todas as soluções que um negócio digital precisa para acontecer. A expansão para novos mercados organicamente e por aquisições é outra grande prioridade da Hotmart, permitindo que criadores de conteúdo de todo o mundo vivam de suas paixões. Levar o negócio para um território desconhecido, com cultura diferente e estabelecer do zero uma rede de conexões é um desafio contínuo. Mas acreditamos que quando criamos um negócio que gera impacto positivo no mundo, é nossa obrigação fazê-lo crescer e chegar a mais pessoas.


W!: No que a empresa se baseia para dizer que o valor de mercado passou de US$ 1 bilhão em março de 2020, uma vez que não revela o seu atual valor de mercado?
JP: Superamos a marca de mais de US$1 bilhão no ano passado, quando captamos investimentos da General Atlantic e GIC para a compra da Teachable. Somando a Hotmart Company, que reúne a Hotmart, Teachable e Hotmart Sparkle, temos mais de 50 milhões de usuários, 316 mil produtos e vendas em 185 países, com vendas acima de US$1 bilhão. O total transacionado na plataforma mais que dobrou em relação a 2019. Mas nosso maior objetivo continua sendo fortalecer a comunidade de criadores, ou seja, oferecer todas as funcionalidades que um negócio digital precisa para acontecer, em um só lugar.

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