Como será este ano para as startups brasileiras? - WHOW
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Como será este ano para as startups brasileiras?

Em entrevista ao Whow!, Amure Pinho, presidente da Associação Brasileira de Startups, fala sobre o ecossistema de inovação

POR Adriana Fonseca | 09/05/2020 12h00

O ano de 2020 tinha tudo para ser positivo para o ecossistema de startups brasileiro. Crescimento acelerado dos negócios, investimentos em alta, amadurecimento, unicórnios surgindo e, de repente, a pandemia do novo coronavírus. A Covid-19 chegou, trouxe incertezas e ninguém sabe ao certo qual será a rota do mercado agora.

E para saber mais detalhes  sobre as expectativas do setor, o Whow! entrevistou Amure Pinho, investidor-anjo, mentor e presidente da Associação Brasileira de Startups (Abstartups).

Whow! – Antes da pandemia do novo coronavírus tomar conta do mundo, qual era a expectativa de cenário para as startups no Brasil em 2020?
Amure Pinho – Nós tínhamos um ano muito bom pela frente. Abrimos o ano com um novo unicórnio [a Loft], os investimentos estavam crescendo, assim como o número de startups como um todo. Existia um amadurecimento dos empreendedores e do ecossistema de forma geral, com talentos sendo formados nas startups.

W! –Hoje, diante dos acontecimentos, o que mudou nessa expectativa?
AP –Tivemos que fazer uma reavaliação.

W! –De forma geral, como você diria que as startups estão lidando com a atual crise?
AP –O primeiro momento foi de se adaptar ao novo cenário. Algumas estão perdendo receita, reduzindo custos, se vendo obrigadas a mudar seus modelos de negócios e reinventar suas entregas, principalmente aquelas que dependiam de serviços no mundo off-line.

W! –Alguns setores estão sofrendo mais do que outros. Quais são os mais afetados entre as startups?
AP –Algumas startups, as que já estavam posicionadas em um ambiente puramente digital, como educação à distância, startups de apoio ao e-commerce, de logística e saúde estavam bem posicionadas, mesmo sem saber. Então, tem startups crescendo muito nessa fase. E tem outras, ligadas à moda e viagem, que estão vendo a receita diminuir a zero. Temos visto cortes em parte do time, mas não vi nenhuma fechar até o momento.

W! –Tradicionalmente, as startups trabalham com um modelo contábil diferente de outras empresas, com pouco dinheiro em caixa, priorizando o investimento para alcançar um crescimento acelerado. Isso tende a mudar depois dessa crise?
AP – Startups grandes se acostumaram a operar em um modelo de base de usuários, e não contábil, porque ao mesmo tempo que recebem muito dinheiro de investidores também queimam muito dinheiro para crescer rápido. No Brasil isso é um pouco diferente, porque não há tanto capital assim, e as startups já tinham mais foco em receita.

Mas a partir de agora é bem provável que a gente veja empreendedores sendo mais preparados para enfrentar uma crise. Muitos deles não tinham passado por uma crise severa ainda. A tendência é sair disso com atenção para se ter um fundo de reserva maior, investir com mais cautela. Acho que os empreendedores vão contar menos com a maré boa, e passar a contar com a maré ruim. Algo como, “não posso ter só um mês de vida” [fluxo de caixa].

W! – Quais outros aprendizados as startups podem tirar deste momento na sua visão?
AP – A questão do trabalho remoto traz um aprendizado. Antes se achava que a reunião presencial era insubstituível, que o time tinha que estar presente fisicamente por conta da cultura, e estamos aprendendo a questionar isso um pouco mais. Essa dose de adaptabilidade vamos carregar.

W! – Você falou em adaptabilidade, uma característica marcante dos empreendedores de startups. Eles estão realmente mostrando que têm essa competência no momento?
AP – Estão se mostrando adaptáveis a um momento tão atípico. Os empreendedores, assim como todo mundo, passaram por um momento de observar o problema, fazer suas próprias pesquisas, tirar suas conclusões e encarar a realidade. Todo mundo está dando seu jeito. Não dá para desistir.


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