Amazon e Facebook no lugar dos bancos? - WHOW

Tecnologia

Amazon e Facebook no lugar dos bancos?

Pesquisa da McKinsey aponta que Amazon tem 65% de adesão dos consumidores para serviços bancários. As big techs prometem chacoalhar o sistema bancário

POR Raphael Coraccini | 23/10/2019 07h34 Divulgação Divulgação

Há 10 anos, os bancos valiam dez vezes mais que as empresas de tecnologia. Hoje, Amazon, Alphabet, Microsoft e outras superaram o valor das instituições financeiras. Mais ricas que os bancos, as empresas de tecnologia querem agora pegar uma fatia de mercado desse setor, que terminou o século 20 como o mais poderoso entre todos.

Há apenas alguns anos, os bancos começavam a ver a ascensão de novos players, mas estavam olhando fixamente para apenas um polo, o das fintechs. Enquanto Nubank e PagSeguro mudavam o setor de crédito e pagamentos, as gigantes de tecnologia se esgueiravam em direção a serviços bancários sem serem acossadas.

Há algumas semanas, o presidente do Bradesco, Octávio de Lazari Filho, confessou que não tem medo das fintechs, mas das big techs. Ele se referia ao avanço de gigantes como Amazon, Google, Apple e Facebook na direção dos bancos. Essas empresas dominam uma imensidão de dados e são capazes de entender o comportamento do consumidor como ninguém.

Essa capacidade preditiva das Big Techs deu a elas robustez e credibilidade dos consumidores para entrar para valer no mercado bancário, aliás, como já começam a fazer, é o que diz a “Pesquisa sobre o futuro do consumidor bancário”, da McKinsey, lançada neste ano.


Confiança dos consumidores nas big techs para serviços bancários  

Apesar dos escândalos de vazamento de dados do Facebook, que levaram Mark Zuckerberg a depor diante do Senado americano, a rede social tem a confiança de 35% dos americanos para oferecer serviços bancários. A Amazon tem a confiança de dois terços dos americanos para vender serviços bancários

Amazon 65%

Google 58%

Apple 56%

Facebook 35%

Fonte: McKinsey 2019 Future of Banking Consumer Survey


Conveniência e transparência  

O relatório da consultoria internacional aponta que essa nova competição representa uma ameaça aos relacionamentos estabelecidos pelos bancos com seus clientes, que enxergam as gigantes de tecnologia como capazes de oferecer conveniência e transparência em serviços bancários. “As grandes empresas de tecnologia estabeleceram confiança suficiente com os consumidores e vão fortalecer seus vínculos”, aponta o estudo da consultoria global, que contemplou mais de 2000 pessoas nos Estados Unidos. Mesmo os escândalos de vazamento de dados e as crescentes denúncias sobre o excessivo poder dessas empresas não têm abalado a confiança do consumidor nelas.

Dois terços dos americanos confiam o suficiente na Amazon para recorrer à empresa no que diz respeito a serviços financeiros. Entre esses que se tornariam clientes da Amazon, cerca de um terço diz que abriria uma conta corrente com a empresa de tecnologia.

“Isso não quer dizer que as empresas de tecnologia irão assumir serviços bancários tradicionais. O setor bancário é de capital intensivo e com negócios altamente regulamentados”, diz o relatório. Para a McKinsey, as big techs, acostumadas com alta rentabilidade, não devem se interessar pelos produtos tradicionais, mas disputar mercado em novos serviços, como novas linhas de crédito e de investimentos.

Serviços bancários que os consumidores estão mais propensos a comprar das big techs

mckinsey pesquisa 2 Infos e organização: McKinsey


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