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Amazon, SpaceX e OneWeb disputam a ‘corrida espacial’ para conectar o planeta

Amazon e SpaceX pretendem povoar o espaço dentro e fora da Terra, com carros voadores e satélites de banda larga para maior conectividade no planeta

POR Carolina Cozer | 14/10/2019 18h45 Foto SpaceX (divulgação) Foto SpaceX (divulgação)

Engana-se quem acha que a corrida espacial terminou na década de 70. Amazon, SpaceX e outras empresas estão na disputa para posicionar satélites ao máximo de espaços livres na órbita da Terra. O motivo? Levar Internet de banda larga para o planeta inteiro.

Dezenas de milhares de satélites, ativos ou inativos, orbitam a Terra neste momento, ainda assim, existem muitas lacunas que ainda não foram exploradas, sobretudo em áreas remotas do globo. Para se ter ideia, 40% da população mundial não tem acesso à Internet no momento e, para Jeff Bezos, fundador da Amazon, isso é um mercado com enorme potencial.

O plano da maior varejista online do mundo é lançar cerca de 3 mil novos satélites na órbita terrestre, nos próximos anos, para cobrir essas áreas. Já a SpaceX, de Elon Musk, planeja lançar 12 mil até 2024 – 60 deles já estão operando. Muitos dos satélites dessas empresas já estão passando (ou já passaram) pela Comissão Federal de Comunicações (FCC) – o órgão de regulamentação de telecomunicações dos EUA.

OneWeb é concorrente em potencial

A OneWeb, empresa aeroespacial londrina, também está na corrida para trazer maior conectividade ao mundo, e planeja levar sinais de banda larga a 48% do território do Ártico a partir de 2020. Diferentemente de Amazon e SpaceX suas duas maiores ‘rivais’ na ‘disputa’, a empresa afirma que serão necessários apenas 2 mil satélites para uma cobertura quase que total do planeta. Por enquanto, apenas 6 satélites da frota já foram lançados, mas todos estão operando com sucesso, apresentando baixa latência em testes de streaming.

Benefícios para a humanidade

Com satélites mais baratos, menores e mais próximos da terra será possível atingir áreas rurais e inóspitas do planeta, o que será extremamente benéfico para que mais pessoas tenham acesso a vagas de emprego, educação domiciliar, obtenção de atendimento médico, entretenimento e capacitação na economia global, levando inovações à áreas com menores recursos. Também será possível melhorar os sinais de Internet em barcos e aviões.

Atualmente, a maior parte dos satélites de Internet estão a 35 mil quilômetros de distância da Terra, o que gera um atraso de 600 milissegundos na comunicação. Já os modelos que estão sendo produzidos nesta nova leva, além de serem muito mais baratos, ficarão a uma órbita de 1,6 mil quilômetros, o que reduziria o atraso para cerca de 32 milissegundos – o mesmo de uma chamada telefônica.

Jeff Bezos, porém, tem mais alguns planos para a Amazon: a maior varejista online do mundo pretende aumentar suas vendas com o acréscimo de usuários de Internet, sobretudo se aliadas às entregas providas por drones. O mercado de satélites não tende a ser dos mais lucrativos, gerando pouca receita em oposição aos bilhões investidos. E Bezos parece ter encontrado um meio para trazer benefícios à humanidade de forma que não desperdice capital para sua empresa.

O problema do lixo espacial

Noventa por cento dos objetos que flutuam ao redor da Terra, hoje, são fragmentos de corpos artificiais em desuso, que colidem entre si e geram ainda mais detritos. É especialmente difícil rastrear os movimentos desses destroços, pois se movimentam de forma aleatória e em alta velocidade. Satélites mais próximos da Terra levam muito menos tempo para entrar na nossa atmosfera, se tornando lixo rapidamente, além de congestionar os sinais das linhas ativas.

Para evitar esse problema, a SpaceX pretende queimar seus objetos no próprio espaço quando estiverem esgotados, além de controlar a frota para evitar colisões. Contudo, no último mês de setembro, um de seus satélites entrou em grave risco de impacto, e houve muita resistência na retirada de sua órbita operacional.

Devido a enorme quantidade de satélites a serem lançados, pode ser que essas soluções não sejam suficientes, tornando o espaço uma enorme bagunça. Para piorar, a maior parte dos detritos não são catalogados, e um monitoramento mais preciso desses corpos entraria em conflito com os sigilos normalmente presentes nos dados de satélites, ocasionando conflitos geopolíticos.

Turismo espacial e carros voadores

Além da conectividade, a SpaceX também aposta no turismo espacial para aumentar sua presença na corrida espacial. Sempre ambiciosa, a empresa de Musk planeja levar turistas pagantes não apenas para orbitarem ao redor da Terra, mas para pisarem na Lua. O projeto já deveria ter ocorrido em 2018, mas foi adiado para o primeiro trimestre de 2020, devido à leis proibitivas.

Agora, com o recuo das leis, a NASA já toca no assunto, e estipula que cada assento para turismo em foguetes deverá custar cerca de US$ 58 milhões, além de US$ 35 milhões por ‘diária’ na estação.

Aliás, o carro espacial que a SpaceX lançou em 2018 tem inspirado outras empresas a criarem tecnologias semelhantes. Airbus, Boeing, Hyundai, Porshe e Uber estão investindo na “mobilidade urbana aérea”, desenvolvendo modelos automotivos avançados, capazes de voar, como se fossem um “helicóptero 2.0”.

O projeto da Uber, chamado de UberAIR, pretende criar aeronaves que irão navegar dentro de grandes cidades, transportando passageiros. Os planos indicam que as operações começarão em 2023.

Em uma nota ao site TechCrunch, a Porshe – mais recente empresa a entrar para a corrida de carros voadores – cita que o mercado deverá acelerar a partir de 2025, motivo pelo qual entraram no ramo neste momento.


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