Alimentação fitness: da cozinha de casa a uma fábrica com 70 funcionários - WHOW

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Alimentação fitness: da cozinha de casa a uma fábrica com 70 funcionários

Em 2017, empresa teve um faturamento de R$ 700 mil. Para este ano, a previsão é que chegue a R$ 10 milhões.

POR Marcelo Almeida | 12/11/2021 21h27

Empreender com alimentação para nichos é uma alternativa interessante para quem não tem muito dinheiro para começar. A alimentação fitness cresce como tendência em um nicho que está cada vez mais próximo do mainstream. Gustavo Brunello é um exemplo vivo disso.

O empreendedor tem 34 anos e a primeira coisa que se destaca ao vê-lo é seu porte físico.

“Nós [ele e o seu sócio, Daniel Lucco] somos praticantes de esportes, da maromba”, afirma.

Entre um supino e outro, os dois perceberam que haviam criado suas próprias dietas específicas com o intuito de favorecer o crescimento muscular. Foi aí que surgiu a ideia de ajudar pessoas que também são “da maromba” ou que apenas querem comer de forma mais saudável.

Assim nasceu a Lucco Fit, uma empresa focada em uma variedade de pratos congelados vendidos pela internet. Após um rebranding, a marca recentemente mudou para Pratí.

No começo, o menu era bem menos extenso. “Começamos com 10 pratos simples: escondidinhos, pratos de proteína e legumes, proteínas e carboidratos”, afirma Brunello, que de tanto praticar dietas para melhorar seu condicionamento físico, acaba definindo as comidas de acordo com seus aspectos nutricionais predominantes de forma inconsciente.

Hoje em dia, eles vendem de strogonoff de frango a risoto de arroz negro, passando por lasanha de pupunha e sorrentino recheado com ricota, somando cerca de 80 opções no total.

Mas o número de possibilidades de pratos prontos é ainda maior. “Trabalhamos com porções individuais à vácuo, o que permite centenas de combinações”, afirma Brunello.

Mas como eles passaram da cozinha da casa da mãe de Brunello para uma fábrica com cerca de 70 funcionários?

Bom, digamos que, apesar de no meio do caminho existirem algumas pedras, também haviam pessoas dispostas a ajudá-los e a dedicação deles à sua ideia e a vontade de serem donos de seus próprios negócios foram fatores importantes.

Expansão e investimentos

Formado em administração pela PUC e pós-graduado em Marketing pela ESPM, Brunello trabalhou por um bom tempo no mundo corporativo para empresas como a Serasa Experian. Mesmo já estando em um cargo pleno na empresa, ele resolveu fazer um intercâmbio na Austrália em 2014, ficando lá por 9 meses.

Ao voltar, a empresa o convidou a retornar a sua antiga vaga. “Eu acabei voltando pra lá, mas em 2015 mesmo eu já iniciei em paralelo a Lucco Fit junto com meu sócio, saindo em 2016 para me dedicar totalmente ao empreendimento” afirma.

Com 29 anos, portanto, ele decidiu largar o emprego e investir totalmente no seu próprio negócio. Para ele, o timing foi ideal. “Foram duas ideias que se encontraram. Quando eu voltei da Austrália eu já tinha visto este modelo de negocio e já pensava em empreender no ramo da alimentação ou esporte, conversando com uma amiga de colégio ela me falou que o primo dela tinha a mesma ideia e que ele já estava testando algumas coisas bem embrionárias. A gente conversou, o santo bateu, planejamos abrir um negocio em 6 meses, mas em 3 meses já estávamos “pilotando” em casa”, afirma ele.

Apesar da motivação toda, o começo não foi exatamente fácil. “Nós começamos de uma forma bem independente, R$ 500 cada um, contratamos um designer para fazer o logo, compramos embalagens, rótulos e matéria-prima para os primeiros pedidos. Começamos vendendo, boca a boca para amigos e família, depois passamos a anunciar no Instagram”, diz Brunello.

Ainda em 2016, eles tiveram acesso a um crédito facilitado para montar a primeira fábrica, contratando também a primeira cozinheira da empresa. “Ela está na empresa até hoje e continua a ser super importante. Enquanto a gente fazia a comida realmente não era muito boa, mas a proposta sim, quando ela entrou a comida ficou gostosa e assim conseguimos começar a crescer” afirma.

No mesmo ano eles também criaram um site, com um amigo designer ajudando com o layout e outro amigo ajudando com campanhas digitais. Para ele, esse apoio foi muito importante.

“Os amigos foram muito importantes para o nosso começo, tanto como clientes e como parceiros, alguns cobravam o mínimo  outros fizeram trabalhos até sem cobrar por um tempo”, afirma.

Dentre as dificuldades que a empresa enfrentou, ela cita a questão do fluxo de caixa.  “Uma dor do crescimento de muitas empresas é que quanto mais a gente vendia, mais fluxo de caixa a gente precisava, já que o cliente ele paga no VR ou Crédito e só recebemos depois de 30 dias”, afirma.

Apesar de só terem recebido um crédito mais robusto em 2019 para expandir os negócios e das incertezas relacionadas ao desafio de empreender no Brasil, Brunello afirma que nunca passou pela sua cabeça desistir ou voltar para o mundo corporativo.

“Empreender é ser resiliente, acreditar mesmo diante das dificuldades, então desistir nunca. Pode parecer marketing, mas é verdade. A gente está muito motivado pelo bem que a gente faz para as pessoas. A gente trabalha com comida, com a autoestima e com a saúde das pessoas, diariamente recebemos feedbacks de mudança de vida. Isso motiva além do financeiro”, afirma.

Investimentos e aquisição

No começo de 2019, a Lucco Fit recebeu um investimento do tipo Family and Friends.

“Captamos um valor de conhecidos para suportar a nossa mudança para uma fabrica muito maior e mais estruturada, então hoje temos uma infraestrutura de primeira linha”, afirma Brunello.

O investimento deu frutos rapidamente, criando interesse em outros pelo negócio.

“No final de 2019 fizemos um M&A (sigla que significa merge and acquisition, ou fusão e venda) com a Sapore, uma das maiores empresas de alimentação brasileira”, afirma. “Nós fomos adquiridos, mas em um modelo que continuamos à frente do negocio, com liberdade na estratégia e decisões de forma a conseguir manter o crescimento como uma startup. Acabamos sendo um braço de inovação da Sapore”, resume.

Segundo ele, apesar dessas mudanças, a empresa segue com o mesmo propósito e forma de tocar o negócio. “A gente surgiu com o objetivo de criar dietas para quem pratica academia e busca um alto desempenho, mas em menos de um ano percebemos que o público e o propósito eram muito maiores. Com isto ano a ano amadurecemos, aprendemos que comer bem, comer saudável não é fazer restrição. Hoje a gente diz que alimenta o hábito de se fazer bem, com comida super gostosas, naturais, sem conservantes e principalmente praticas.”, resume.

Pandemia e futuro

Durante a pandemia, com as pessoas passando mais tempo em casa, a empresa mais que dobrou de tamanho. “A gente ajudou as pessoas ficarem saudáveis e seguras”, diz Brunello. “Esta mudança de propósito também trouxe a evolução para a marca Pratí, comida que faz bem para todo mundo.”.

Olhando para trás, ele reflete sobre o tanto que a empresa evoluiu em cerca de 5 anos. “Em 2016 éramos eu, o Daniel Lucco [seu sócio] e mais a Diana, a cozinheira. Hoje somos eu, o Daniel Lucco, Fabio Canina e Leonardo Paiva na liderança e cerca de 70 funcionários”, diz ele.

Isso refletiu, obviamente, no faturamento da empresa. Em 2017, eles tiveram um faturamento de R$ 700 mil. Para este ano, a previsão é que chegue a R$ 10 milhões.

“Hoje nosso padrão de qualidade, infraestrutura e regulamento são do mais alto padrão, estamos aptos por exemplo para vender para segmentos exigentes como o de hospitais. Aqui utilizamos de tecnologia no processo de congelamento, com ultacongeladores que preservam a qualidade, nutrientes e textura dos alimentos”, afirma.

Para quem quer entrar no setor, ele dá as seguintes dicas: “Em vez de comprar um ultracongelador, a pessoa pode começar com o congelamento convencional, optando por receitas e ingredientes que sejam mais fáceis de serem congelados. Também é importante investir em embalagens, apresentação do produtos e, se possível, em fotos legais para as mídias sociais, além de materiais de higiene para manter a qualidade da produção, claro”.