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Consumo

Alimentação feita com dados: por que não?

Algoritmo cria fórmula saudável para alimentos de origem animal com ingredientes vindos da natureza

POR Redação Whow! | 24/07/2019 15h18 Alimentação feita com dados: por que não?

É possível ter uma dieta baseada em alimentos construídos a partir de algoritmos? Luísa Marchiori, diretora de marketing na América Latina da The Not Company, ministrou o painel “Alimentação com Dados”, durante a manhã do segundo dia do Whow!.

Por que não? Esse é o questionamento da Not Company, em relação a como as pessoas se alimentam nos dias de hoje. Pensando em democratizar a alimentação saudável, rica em propriedades nutricionais e livre dos produtos químicos da indústria, a startup criou o Giuseppe, uma inteligência artificial.

A partir dos dados dos alimentos vindos da indústria, sua composição química e ingredientes de origem animal, o assistente desenvolve uma nova fórmula somente com elementos vindos da natureza, com o objetivo de manter o sabor, o prazer em comer, mas com mais propriedades nutricionais e garantias de uma boa alimentação.

Para ela, a decisão de compra do consumidor hoje está baseada em alimentos gostosos que fazem mal à saúde, ou produtos saudáveis e, consequentemente, menos saborosos.

“O nosso objetivo é reinventar as comidas que a gente ama comer, trazer inovação para uma indústria onde ela não estava. Com isso, criar um algoritmo que usa inteligência artificial para reconstruir um alimento de origem animal e manter as moléculas de texturas e nutrientes”, comenta.

Após a primeira análise feita por Giuseppe, Luísa conta que chefs contratados pela empresa fazem as adequações e testes de sabor e eficiência. Em uma terceira etapa, os dados de produção do alimento retornam ao assistente para finalização com testes industriais sobre a vida útil do alimento.

Com PH, densidade, composição, propriedades mecânicas e composição nutricional igual ou superior ao alimento “original”, Luísa relata a rapidez do processo.

”O algoritmo faz isso em questão de minutos, o que a gente demoraria de um a três meses para fazer”, comenta.

Primeiro produto 

O primeiro resultado da startup chilena foi a maionese feita de ingredientes totalmente de origem vegetal, sem ovos. Feita com grão de bico, vinagre, mostarda e extrato de uva, a maionese Not Co já está presente nos mercados brasileiros, na rede Pão de Açúcar.

De acordo com Luísa, a diferença da maionese tradicional para a sem feita com ovos ou produtos de origem animal não é notada pelos consumidores e sua adesão é ampla.

“Estamos em mais de 4 mil lojas, com preço tradicional na categoria, e 92% dos consumidores não são veganos e não apresentam restrição alimentar, ou seja, é um produto para todos”

Sustentabilidade

Com emissão quase duas vezes menor de carbono do que uma produção tradicional de maioneses, a Not Co traz um projeto de sustentabilidade e consumo consciente em sua cadeia produtiva.

Segundo a executiva, novos produtos serão lançados no mercado nos próximos meses, primeiramente no Chile, país de origem da startup e com o mercado consumidor mais concentrado.

Entre os lançamentos estão o leite feito de repolho e abacaxi, o creme de avelã sem óleo de palma e o sorvete de chocolate feito com ervilha.

Missão

Com a adesão do consumidor a produtos sustentáveis e sem prejuízos aos animais e ao meio ambiente, Luísa reforça a missão da Not Co e o quanto é importante mudar hábitos e reinventar a alimentação.

“Nossa missão é que uma refeição possa ser feita inteira por not. Não se perguntar porque, mas sim perguntar por que não, desafiar sempre o status quo. A gente quer que as pessoas não tenham que abrir mão do gosto, do prazer de se alimentar, para serem mais saudáveis”, completa.


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