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Consumo

Afroempreendedorismo: dados e história no contexto brasileiro

Maioria dos empreendedores são mulheres e começaram os negócios por necessidade financeira, aponta pesquisa

POR Daniel Patrick Martins | 25/08/2021 16h39 Afroempreendedorismo: dados e história no contexto brasileiro

O afroempreendedorismo no Brasil é uma realidade majoritariamente feminina e a abertura de negócios neste contexto está, em geral, associada à necessidade financeira. É o que aponta a pesquisa Afroempreendorismo Brasil, realizada pelo Movimento Black Money em parceria com a Inventivos e a RD Station.

Segundo o levantamento, publicado em maio deste ano, 61,9% do empreendedores pretos e pardos possuem ensino superior, e 15,8% apresentam renda familiar superior a seis salários mínimos. A pesquisa também revelou que, dentre os empreendedores, 35,8% pertencem a faixa etária entre 25 e 34 anos e que 61,5% destas pessoas são mulheres.

Ainda sobre este estudo, os segmentos de saúde e estética são os mais representativos, com 14,3% dos negócios encabeçados por pessoas negras, seguidos pelo e-commerce e varejo, com 10,4%, e então agências de publicidade e marketing, com 8,4% deste mercado. “As indústrias predominantes refletem uma herança ancestral de cuidados coletivos, mas também, infelizmente, a herança escravocrata de estar a serviço do outro ou da outra”, comenta Nina Silva, CEO da Movimento Black Money, sobre a pesquisa ao portal Mundo Negro.

A população negra movimenta mais de R$1,7 trilhão de reais, segundo dados de pesquisa do Instituto Locomotiva. Nesse sentido, há oportunidades não apenas para empreendedores pretos ou pardos, como para negócios que solucionem dores específicas deste segmento.  “Grande parte dos negócios nasce não só por oportunidade mas também por necessidade. Ao verem que suas demandas não são atendidas pelo mercado, elas criam as próprias alternativas”, exemplifica Taís Oliveira, professora universitária, em entrevista ao portal Claudia.

Frente a este cenário, investimentos, parcerias e aceleração de negócios estão no radar para a formação de pequenas e médias empresas, além de inovação por parte de startups no contexto empreendedor sob a liderança negra. Dessa forma, o empreendedorismo somente por necessidade dá lugar para um ecossistema de afroempreendedores mais estruturado e financeiramente sustentável.

Afroempreendedorismo na história

Engana-se quem acredita que o empreendedorismo negro é algo recente no Brasil. “É importante resgatar essa história e contá-la. Há uma raiz afrocentrada na história do empreendedorismo brasileiro, que nasce da necessidade de sobrevivência, liberdade e reação à escravidão e à violência. Felizmente, hoje, é possível ver muitas iniciativas que dão visibilidade a esse legado”, relata Jaqueline Fernandes, gestora cultural e diretora da Griô Produções, em entrevista ao Correio Braziliense.

“Temos 131 anos pós-período abolição e, se tem algo que fez com que a população negra sobrevivesse ao racismo estruturado e, muitas vezes, institucionalizado, foi o ato de empreender. Empreendemos há 13 décadas de forma potente, mesmo diante de nossas vulnerabilidades”, relata Adriana Barbosa, CEO da PretaHub e fundadora da Feira Preta, em entrevista ao GIFE.

Suellen Ingrid é um exemplo recente de empreendedora que consegue unir história, ancestralidades e inovação em um mesmo negócio. Ela criou a marca Afroish Concept, de moda afro contemporânea, e hoje ajuda outros empreendedores em potencial a estruturarem suas próprias operações. Confira essa história exclusiva no Whow! Vida Loka Podcast (abaixo):