Afinal, qual é a verdadeira capacidade dos dados? - WHOW

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Afinal, qual é a verdadeira capacidade dos dados?

Coordenadora do LabData na FIA comenta sobre captação e armazenamento de dados, segurança e as legislações envolvidas

POR Carolina Cozer | 26/11/2020 14h24 Foto: Kevin Ku (Pexels) Foto: Kevin Ku (Pexels)

Muitas pessoas temem a captação de dados, mas eles são essenciais para muitas inovações, inclusive para a criação de cidades inteligentes e inclusive para o combate à pandemia do coronavírus. 

Entre criações que são capazes de mudar o rumo da humanidade e os escândalos de privacidade envolvendo as big techs, é fato que os dados e algoritmos estão presentes em diversos aspectos do nosso dia a dia. Mas afinal, qual é a verdadeira capacidade dos dados, e o que se deve ou não fazer com eles?

Dados: o que pode e o que não pode

A medida que as tecnologias se tornam mais acessíveis, mais repositórios de dados surgem no mundo, e mais aplicativos e serviços capazes de coletar esses dados aparecem e mudam a forma como nos relacionamos com o mundo.

A Professora Alessandra Montini, coordenadora do LabData ― Laboratório de Big Data da Fundação Instituto de Administração (FIA), comenta com o Whow! que a Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA), localizada no Estado de Utah, tem capacidade para armazenamento de 1 yottabyte ― que equivale à quantidade de dados gerados pela humanidade em 500 anos, ou seja, é uma quantidade superior à soma de todos os dados existentes na web hoje.

Mas o que pode e o que não pode ser feito com os dados da população?

“Em alguns países, para a utilização de alguns dados de Pessoa Física, é necessário o consentimento explícito do proprietário dos dados ou utilizar os dados em conformidade com bases legais”, diz Montini, explicando que uma base legal envolve legítimo interesse. “Caso um cliente entre muitas vezes em um site e procure sempre o mesmo produto, temos evidências que o cliente deseja comprar o produto. Dessa forma podemos fazer uma oferta a ele”, explica a Professora.

dados Com a LGPD, as empresas precisam correr para usar dados com bases legais. Foto: Mika Baumeister (Unsplash)

O perigo da captação de dados

Se coletados e armazenados incorretamente, os dados podem se tornar um perigo, afirma Montini. “As pessoas precisam ter muito cuidado com a captação de dados e com a liberação de acessos do conteúdo de celulares”, diz. 

Segundo a Professora, a grande dificuldade está em os usuários saberem a finalidade a que se destina a captação de seus dados. “Quando liberamos acesso a empresas que não tomam cuidado com a proteção de dados, os servidores podem ser invadidos e os dados vazados”, explica.

Nem todas as empresas se preocupam com a proteção de dados com a mesma intensidade, mas algumas legislações podem ajudar a população a terem maior proteção e transparência nesse sentido.

“Temos a LGPD, que já entrou em vigor. As empresas precisam correr muito para usar de acordo com as bases legais ou apagar os dados sensíveis de clientes que não autorizaram o uso”

Alessandra Montini, coordenadora do LabData (FIA)

Contudo, a Professora explica que a população precisa estar ciente de seus direitos, e exigir a transparência de dados por parte das empresas. “A qualquer momento, o proprietário de um dado pode cassar o consentimento de uso desse dado. Nesta condição, a empresa não poderá mais usá-lo sem autorização. Só pode usar se tiver base legal.”


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