Afinal, qual a importância do Pix para a inovação financeira? - WHOW
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Afinal, qual a importância do Pix para a inovação financeira?

Segundo Superintendentes dos bancos Inter e Original, o Pix trará mais agilidade, segurança e modernidade para os meios de pagamento no país

POR Carolina Cozer | 23/09/2020 20h12 Afinal, qual a importância do Pix para a inovação financeira? Foto ilustrativa: Markus Winkler (Unsplash)

O Pix foi recentemente anunciado como nova ferramenta de pagamentos pelo Banco Central do Brasil. Mas o que representa esse sistema, afinal, e quais inovações ele trará para a gestão financeira no Brasil?

O Whow! conversou com especialistas de duas fintechs brasileiras ― os bancos Inter e Original ― para tirar dúvidas acerca dessa novidade.

O que é e como funciona o Pix?

O Pix surgiu para flexibilizar os sistemas de transferência de pagamento, quebrando os limites de horário dos tradicionais TED e DOC. Estará disponível gratuitamente a partir de novembro, e permitirá o envio e recebimento de pagamentos de forma segura e sem taxas 24 horas por dia e sete dias por semana, levando até 10 segundos para que o dinheiro chegue na conta de destino.

Segundo o Banco central, que protocolou a ferramenta, o Pix será gratuito por não depender de intermediários, uma vez que as transferências ocorrerão diretamente da conta de um usuário para o outro, sem limite de uso.

Também será possível utilizar o Pix para fazer pagamentos em estabelecimentos, pagar contas diversas, recolher taxas e impostos e outras funções.

A transferência via Pix vai acontecer através de uma chave de acesso dentro dos aplicativos de instituições financeiras, e também funcionarão via QR Code.

Pix Imagem: Banco Central

Pix vs. Fintechs

Mas qual é a vantagem do Pix em relação aos diversos métodos de pagamento disponibilizados pelas fintechs ― que já envolviam mais agilidade, tecnologia e liberdade de taxas?

Segundo Eduardo Cotta, Superintendente de Conta Digital do Banco Inter, a principal vantagem do Pix, além de se tratar de um meio de pagamento instantâneo, é o custo, já que será provável que um grande número de instituições não cobrem pelo serviço. “O Pix vem para beneficiar todo o sistema financeiro e por consequência a sociedade, que vai dispor de um serviço mais barato, seguro e instantâneo”, diz.

Ele acredita que o Pix irá beneficiar ainda mais as fintechs e bancos digitais, que lutam por serviços mais justos e econômicos. “Muitos deles já oferecem transferência gratuitas. Com o Pix estes custos serão menores, aumentando a competitividade do setor”, opina.

Para Carlos Rudnei, Superintendente Executivo de Banking as a Service do Banco Original, a instantaneidade do Pix fará que algumas operações bancárias tradicionais tenham uma diminuição, causando desafogamento nas instituições bancárias.

“Outra possibilidade são as carteiras digitais”, comenta Rudnei. “Antes limitadas aos ecossistemas fechados, poderão agora expandir operando com outras instituições e permitindo o surgimento de novas soluções de crédito e financiamentos, aumentando a competitividade e as possibilidades de inovação.”

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O dinheiro do futuro

Os representantes das instituições financeiras também veem o Pix como um estímulo para a diminuição do uso do dinheiro físico no País, o que trará maior comodidade, agilidade e segurança. Segundo Eduardo Cotta, mais de 500 mil clientes já fizeram o pré-cadastro do Pix no Banco Inter. 

“Acreditamos que a adoção do Pix é um passo muito importante para a modernização dos meios de pagamentos no País, deixando o mercado mais moderno, justo e competitivo” 

Eduardo Cotta, Superintendente de Conta Digital do Banco Inter

Carlos Rudnei opina que o grande desafio deste novo sistema estará na comunicação e na educação da população quanto ao seu uso. 

“Por isso, é fundamental que as instituições promovam o Pix, para que essa nova solução chegue de forma correta aos usuários finais.”

Carlos Rudnei, Superintendente Executivo de Banking as a Service do Banco Original

Benefícios durante o isolamento social

A pandemia do novo coronavírus trouxe grandes transformações e novas tendências para sistema financeiro ― o que certamente influenciou e antecipou o lançamento deste novo serviço no Brasil.

Para Cotta, a crise está expondo para a sociedade a importância dos serviços e pagamentos digitais. “As pessoas estão vendo que não é necessário usar uma agência bancária para resolver problemas do dia a dia”, diz.

Por fim, Carlos Rudnei vê no Pix um primeiro passo de uma série de mudanças que irá ocorrer no sistema financeiro no Brasil. “Essa tendência é consequência de três fatores que convergiram: o regulador, que tem incentivado novos entrantes do mercado e mais competição, a evolução da tecnologia para implantação de novos produtos de forma mais rápida e, por fim, o comportamento do consumidor, que se mostra mais aberto a experimentar as novidades do mercado.”


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