Acampamento de férias dá lições de empreendedorismo e liderança para crianças - WHOW

Pessoas

Acampamento de férias dá lições de empreendedorismo e liderança para crianças

Conheça o acampamento que usa atividades lúdicas para ensinar temas como estratégia, administração, comunicação e design thinking

POR Marcelo Almeida | 14/12/2021 12h56

Geralmente associamos acampamentos de férias a lugares onde as crianças são capazes de começar a aprender como é a vida sem o apoio constante dos pais, mas, sobretudo, que focam em uma série de atividades físicas voltadas para tornar a experiência a mais divertida possível. O acampamento IsWe, embora não deixe de lados essas atividades mais voltadas para a diversão, busca ir um passo além: logo no primeiro parágrafo de sua homepage, eles se descrevem como o “primeiro acampamento de férias focado em Empreendedorismo e Projeto de Vida, trabalhamos fortemente com a interação e sociabilização dos acampantes, desenvolvendo aspectos como liderança, comunicação, estratégia de marketing, inovação, criatividade, design thinking, conceito de startup, trabalho em equipe entre muitas outras habilidades.”

O criador desse acampamento diferenciado, que fica em Porto Feliz (SP), é Carlos Coelho, educador e consultor educacional com experiências trabalhando em empresas como a Apple e na Singularity University, instituição fundada dentro da Nasa dedicada a inspirar, educar e dar suporte a líderes e empresas. Nesta experiência, ele afirma ter absorvido muitos ensinamentos ligados ao que é o cerne do Vale do Silício em termos de inovação e empreendedorismo, já que a universidade fica nessa região dos EUA.

Desde 2008 ele já trabalhava em acampamentos, como monitor, em um primeiro momento, e depois criando a IsWe em 2013. De início, o seu acampamento era mais tradicional. “Mas aí começamos a perceber que seríamos mais do mesmo. E como tenho essa expertise, esse conhecimento, percebi que para a gente se diferenciar do mercado, teríamos que buscar alguma novidade. Então fomos conversar com os jovens para identificar o que eles sentiam falta”, afirma Coelho.

Dentre as muitas respostas, ele recebeu feedbacks sobre a vontade de aprender a liderar, falar em público, entre muitas outras, e começaram a incluir no programa do acampamento atividades relacionadas a essas temáticas. No entanto, Coelho sempre tomou o cuidado de não tornar esse tipo de ensinamento algo muito formal, não existindo aulas por exemplo, apenas jogos e atividades práticas.

No cerne de sua proposta, está algo que Coelho afirma ser  cada vez sendo mais procurado pelas escolas, que é o conceito de “férias com conteúdo”.

“O conceito de acampamento americano é a independência do jovem porque ele sai de casa, vai para a faculdade e não volta mais. Então ele tem que aprender no acampamento a se virar, a aprender o que é uma rotina sem pai e mãe, então a gente traz isso para o acampamento agora e bateu com a BNCC (Base Nacional Comum Curricular), que está sendo implementada em todas as escolas particulares e públicas do Brasil, ela pede no conteúdo de ensino médio todo esse lado profissionalizante, e um dos eixos estruturantes da BNCC é o empreendedorismo, então hoje eu consigo conversar com uma escola e fazer parcerias e propor que o acampamento seja o seu programa de férias, já que o aluno vai brincar, vai aprender e ao mesmo tempo vai poder aplicar aquilo que aprendeu nas salas de aula”, afirma Coelho.

Ou seja, embora eles já tivessem um olhar mais voltado para atividades de liderança e empreendedorismo antes da implementação da BNCC, o IsWe acaba ficando agora em uma posição privilegiada por ter adquirido um know-how em como realizar programas e atividades que se enquadram no que é pedido pelas novas diretrizes curriculares, que entram em pleno efeito em 2022.

De início, pode parecer estranho que um acampamento de férias inclua no seu programa “estratégia de marketing” para crianças com a idade a partir dos 7 anos, mas é algo que Coelho diz ser realizado de forma lúdica e ressalta que a demanda veio das próprias crianças. Além disso, ele pontua que trata desses assuntos de forma diferente com acampantes em cada faixa etária.

“Uma criança de 7 anos consegue entender o que é um líder, qual é a posição de um líder. Ela não vai ser um líder naquele primeiro momento, ela nem está pronta para isso, principalmente porque no acampamento tem crianças de outras idades e são maiores que elas, mas é importante ela entender porque ela cresce com uma referência. Então quando ela chega em uma idade mais avançada, ela tem uma  melhor noção de como é lidar com pessoas, respeitar opiniões, saber ouvir, saber apresentar suas ideias sem gerar conflito, saber se comunicar no sentido de saber apresentar bem a sua ideia, o que ela pensa, o que ela imaginou, o que ela está vendendo. Então são aspectos que são para a vida dela”, afirma Coelho.

Segundo ele, muitos pais acabam notando um amadurecimento das crianças após o acampamento, dizendo que elas passaram a fazer atividades domésticas que antes nem prestavam atenção como lavar a louça e cuidar melhor de seus afazeres em geral.

O acampamento não tem regras estritas em relação a celulares, por exemplo, permitindo que as crianças os usem em seus quartos e possam entrar em contato com seus pais quando quiserem, até como uma forma de tranquilizar os pais também. O que acaba ocorrendo, diz Coelho, é que geralmente os jovens acabam se envolvendo tanto com as atividades que acabam não ficando muito tempo nos seus quartos de qualquer forma.

Dentre as atividades realizadas estão jogos como o IsWe Food, cujo objetivo é administrar um restaurante e conseguir realizar todas as entregas dos clientes, e o IsWe City, um jogo de administração no qual é necessário fazer a gestão do transporte público, saúde, educação e segurança e os times precisam trabalhar a organização e estratégia para conseguirem vencer o desafio.

Com jogos como esse e atividades mais tradicionais de lazer, o acampamento busca balancear atividades de diversão e outras que, embora sejam feitas de forma lúdica, buscam agregar conhecimento e ajudar os jovens a desenvolver habilidades de liderança, gestão e comunicação.

Apesar do impacto causado pela atual pandemia, que levou o acampamento a fechar suas portas por mais de um ano e meio, ele volta a operar no próximo mês de janeiro, com uma estimativa de cerca de 90 visitantes, de acordo com Coelho. Antes da pandemia, o acampamento chegou a receber mais de 130 visitantes, e trabalha para restaurar o seu pleno potencial.