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A trajetória dos unicórnios brasileiros na pandemia

Entre aquisições de outras empresas e inovações para os seus produtos e serviços, estas startups fizeram de tudo na quarentena

POR Eric Visintainer | 30/09/2020 09h26
Há cinco meses, o Brasil enfrenta a crise sanitária do novo coronavírus que afetou diretamente a economia do País. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quatro em cada dez empresas que fecharam, até a primeira quinzena de junho, o fizeram por conta da pandemia. E as que sobreviveram – como temos exemplificado durante os webinars exclusivos da Consumidor Moderno, desde abril, – precisaram se reinventar neste período, principalmente cortando gastos e migrando para o ambiente digital, além de reavaliar o fluxo de caixa e o modelo de negócio. Este último aspecto é uma das principais constantes na mente de empreendedores voltados para startups. E o ecossistema delas não ficou imune aos desafios econômicos estabelecidos pela Covid-19. Mas como os principais nomes da inovação brasileira estão lidando com a crise e o que podemos esperar para os tempos de recuperação?

Na visão de Bruna Losada, pós-doutora em Finanças para Startups pela Columbia University, de Nova York, e autora do livro Finanças para Startups, a pandemia afetou estas empresas de diferentes formas. “Quando falamos de startups, colocamos muita coisa diferente no mesmo saco, de jovens empresas até unicórnios multimilionários que sofrem de formas muito distintas o efeito de um choque de demanda como este”, diz. Ela divide o enfrentamento das startups, nesta pandemia, em quatro grupos:

No primeiro, ela destaca as empresas que se beneficiaram e cresceram, como é o caso do iFood. “Este grupo que se beneficiou diretamente pela pandemia, cujos modelos de negócio são perfeitamente delimitados para um momento como este no qual estamos vivendo, é o que consideramos quase uma demanda perfeita para este tipo de empresa”, comenta Losada.

No segundo grupo aparecem as empresas que não sofreram por estarem em um momento de formação. “Neste estágio, o choque de demanda não afetou o business. Se a startup estava neste estágio de pré-operação, a pandemia não é uma justificativa para dificuldades”, conta.

No grupo três, ela coloca as startups que sofreram, mas conseguiram um investimento recente, antes da pandemia, e assim tiveram mais liquidez para enfrentar os desafios impostos. “Todos sofrem com a pandemia. Se passou com um novo aporte, ela [startup] vai passar de forma tranquila. Mas se entrou sem liquidez, aí você a vê correndo ao crédito. E o crédito é caro para negócios de pequeno porte, sem fluxo de caixa operacional”, descreve a pós-doutora em Finanças para Startups. Ela menciona a Loft, como um exemplo de startup que recebeu um investimento de US$ 175 milhões em janeiro deste ano e o Gympass, como uma empresa que demitiu funcionários e precisou se reestruturar.

No quarto grupo estão as empresas que perceberam que o modelo de negócio não daria certo e resolveram parar com as operações ou realizaram uma mudança radical para sobreviver.

Gosto de olhar situações como um copo meio cheio. Para as startups, está sendo um momento único testar a resiliência do negócio, pois não se tem só um modelo de negócio totalmente definido. Com a cultura digital e maior conveniência, é a hora de encontrar as respostas para o modelo de negócio. E a resposta, mesmo negativa, pode ser um bom efeito para encerrar um negócio e montar outro”, complementa Losada.

A CM conversou com CEOs e diretores da maioria dos unicórnios brasileiros para verificar os próximos passos destas empresas que prezam pelo crescimento rápido.

Mas o que define uma startup unicórnio? Há uma única certeza: a empresa precisa ter um valor de mercado acima de US$ 1 bilhão. Porém, segundo a apuração da Consumidor Moderno, não há uma consolidação no mercado se, ao abrir o capital na bolsa de valores ou ser adquirida, a startup perde o seu chifre de unicórnio. Até o fechamento desta matéria, existiam 490 startups unicórnios no mundo, somando um valor total de aproximadamente US$ 1,5 trilhão, segundo dados da plataforma CB Insights. Os atuais unicórnios nacionais e as suas respectivas datas de entrada para o grupo são: Wildlife Studios (2020), Loft (2020), QuintoAndar (2019), Loggi (2019), EBANX (2019), Gympass (2019), Arco Educação (2018), Stone (2018), iFood (2018), Nubank (2018), PagSeguro (2018) e 99 (2018).

99: O primeiro unicórnio verde-amarelo  

mobilidade no Brasil Foto Denys Nevozhai: Unsplash

A onda dos unicórnios chegou ao Brasil em 2018, quando a 99, empresa de transporte individual, foi vendida para a chinesa Didi Chuxing. A empresa, que hoje conecta mais de 750 mil motoristas a 20 milhões de passageiros em mais de 1.600 cidades no Brasil, diz que viu uma redução no número de corridas entre março e maio, em comparação com o início de 2020. “A meta da 99 é retomar ainda este ano, de forma responsável, o volume de corridas pré-pandemia, bem como obter incrementos com base em sua estratégia de expansão com novos produtos. Na China, a Didi já registra uma retomada no número de corridas em 100% do período pré-pandemia”, explica Davi Miyake, diretor de Operações e Produtos da empresa.

Além de higienização dos carros, distribuição de máscaras, álcool em gel e escudos de proteção para os motoristas parceiros, a 99 também criou uma opção de corrida 30% mais barata para os passageiros em horários de baixa demanda. A startup ainda ampliou os seus serviços com a possibilidade de os clientes realizarem entregas de objetos pessoais. Segundo dados da empresa, os usuários enviam objetos a destinos 14%, em média, mais distantes do que em outras categorias do app.

Miyake ainda diz que a empresa se comprometeu a não demitir ninguém e está contratando.

A onda dos unicórnios chegou ao Brasil em 2018, quando a 99, empresa de transporte individual, foi vendida para a chinesa Didi Chuxing. A empresa, que hoje conecta mais de 750 mil motoristas a 20 milhões de passageiros em mais de 1.600 cidades no Brasil, diz que viu uma redução no número de corridas entre março e maio, em comparação com o início de 2020. “A meta da 99 é retomar ainda este ano, de forma responsável, o volume de corridas pré-pandemia, bem como obter incrementos com base em sua estratégia de expansão com novos produtos. Na China, a Didi já registra uma retomada no número de corridas em 100% do período pré-pandemia”, explica Davi Miyake, diretor de Operações e Produtos da empresa.

Além de higienização dos carros, distribuição de máscaras, álcool em gel e escudos de proteção para os motoristas parceiros, a 99 também criou uma opção de corrida 30% mais barata para os passageiros em horários de baixa demanda. A startup ainda ampliou os seus serviços com a possibilidade de os clientes realizarem entregas de objetos pessoais. Segundo dados da empresa, os usuários enviam objetos a destinos 14%, em média, mais distantes do que em outras categorias do app.

Miyake ainda diz que a empresa se comprometeu a não demitir ninguém e está contratando.

PagSeguro: Engajamento social na quarentena 

Outro unicórnio brasileiro com ações na bolsa da Nasdaq, nos Estados Unidos, é o PagSeguro. De acordo com dados da empresa, o primeiro trimestre apresentou um crescimento de 27%, em comparação com o ano anterior, bem como alta de 24% na base de clientes ativos, no mesmo período. “Mesmo antes da chegada da Covid-19 ao Brasil e a definição de quarentena de alguns governos, o PagSeguro PagBank já tinha plano de ação bem-definido para seus clientes. O objetivo das ações é ajudar nossos clientes a ter melhor fluxo de caixa e continuar vendendo, mesmo durante a quarentena”,

Assim como já mencionado em outros unicórnios, a startup antecipou valores de vendas para alguns clientes sem custo, link de pagamento e plataforma gratuita para os vendedores realizarem as venda on-line. Além disso, a companhia do Grupo Folha não está cobrando taxas quando as vendas acontecem através de QR Code e isentou as tarifas de TEDs (para qualquer banco) para todos os clientes. Hoje, a startup aponta que possui 5,5 milhões de vendedores ativos.

O PagSeguro tem participado do âmbito social para o recebimento do auxílio emergencial do governo federal, através do PagBank, fez parceria com o governo de Minas Gerais para ser a conta digital de distribuição do auxílio “bolsa-merenda” e se prontificou a depositar R$ 20 extras ao benefício para os que optarem receber pela conta digital.

Losada ainda comenta que, com a pandemia, o ecossistema de startups no Brasil foi recalibrado e que, agora, os investidores estão pressionando mais para ver a viabilidade dos negócios. “Os empreendedores ajustaram os seus milestones e desaceleram em inflar as equipes, com mais cuidado e austeridade. Agora tende a melhorar. Antes a velocidade de gastos era muito superior aos ganhos, com um crescimento ineficiente”, comenta.

Veja, na sequência, um glossário com as descrições dos modelos financeiros para os diferentes estágios das startups bilionárias, dentro e fora do Brasil. E ainda confira os valores atuais de todos unicórnios brasileiros.


QUER ENTENDER TAMBÉM COMO GYMPASS, QUINTOANDAR, EBANX, IFOOD E STONE ESTÃO ATUANDO DURANTE A PANDEMIA? E AINDA SABER O VALOR DE MERCADO DE CADA UMA DELAS? CONFIRA A MATÉRIA COMPLETA NESTE LINK DA EDIÇÃO DE SETEMBRO DA REVISTA CONSUMIDOR MODERNO.


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