A startup de Curitiba que conquistou clientes em 150 países - WHOW
Eficiência

A startup de Curitiba que conquistou clientes em 150 países

A empresa nasceu com DNA global e, para conquistar o mundo, foi em busca de fundos internacionais. Mas sofreu presconceito durante a jornada

POR Adriana Fonseca | 11/07/2020 11h00

Uma startup que já nasceu com DNA global. Essa é a Pipefy, fundada em 2015, com sede em Curitiba, no Paraná, e que hoje atende clientes em 150 países. Para conseguir ir além das fronteiras nacionais, Alessio Alionço, CEO e fundador, iniciou a busca por captação focando em fundos internacionais. “Apliquei para mais de 60 oportunidades”, conta ao Whow!.

Como resultado, alguns meses após a criação da empresa, ele foi para a Califórnia participar do programa de aceleração da 500 Startups.

“Desde o início, nossa ideia era chegar ao mercado atraindo prospects do mundo todo e empresas de diversos tamanhos em todos os continentes. Qualquer pessoa pode ser usuário do Pipefy, em qualquer lugar, independentemente de suas necessidades de gestão”, explica.

Startup no modelo israelense

A startup é uma empresa de SaaS (Software as a Service) que permite que gestores criem e gerenciem fluxos de trabalho sem que precisem de suporte técnico – tornando o contato com a TI na gestão de processos inteiramente opcional. O software fornece uma plataforma de autosserviço em que esses profissionais podem projetar, implementar e mensurar o desempenho de novos fluxos de trabalho digitais.

Com escritório também no Vale do Silício, nos Estados Unidos, a Pipefy tem crescido mais de 300% ao ano e, atualmente, atende cerca de 15 mil clientes.

A intenção de tornar a Pipefy global desde o começo tem a ver com a experiência prévia de Alessio. 

“Tive a chance de trabalhar por alguns meses como consultor de produto em uma aceleradora em Haifa, Israel. Durante um jantar com o CEO da aceleradora, perguntei como os israelenses conseguiam levar suas tecnologias para fora do país, mesmo sendo um país tão pequeno. A resposta dele foi simples e mudou meu modo de pensar: ‘somos o que somos justamente pelo motivo que você citou. Não temos mercado local. Todo empreendedor israelense é obrigado a pensar e competir com qualidade global desde o primeiro dia do negócio’”, conta o empreendedor.

“Eu já havia empreendido antes mas, a partir daquela noite, entendi que meu próximo negócio seria global desde o primeiro dia.”

Alessio Alionço, CEO e fundador da Pipefy

Aliás, Alessio revela que via um risco real do negócio ser extinto em cinco ou dez anos caso ficasse somente no mercado local. 

 Equipe global e expansão para o exterior

Para conquistar o mundo, a Pipefy adotou o inglês como língua oficial. “Isso significa que tudo, desde o site principal até a comunicação interna do time, deve ser em inglês”, diz o empreendedor. “Nosso produto é on-line e já nasceu em inglês, o que abriu muitas portas para nós desde o início. Se ficássemos somente no Brasil e depois mudássemos a língua da solução para expandir, seria um processo mais difícil.”

Hoje, além de brasileiros, há na equipe da Pipefy americanos, indianos, egípcios e paquistaneses, entre outras nacionalidades.

A internacionalização começou pelos Estados Unidos e, hoje, metade do faturamento da Pipefy vem do Brasil e a outra metade vem do exterior.

Todos os investimentos que a empresa fez e recebeu até hoje foram destinados à expansão e solidificação da marca no mercado externo. Hoje, a Pipefy soma mais de US$ 60 milhões captados com fundos, como 500 Startups, Redpoint eventures, Valor Capital e Founders Fund, além da Insight Partners, OpenView e Trinity Ventures. Todos têm ação internacional. 

Preconceito no exterior

Alessio conta que nada saiu errado no processo de internacionalização, mas ele registra um obstáculo: o preconceito.

“Não é raro, enquanto empreendedores brasileiros, passarmos aperto por não sermos ex-Google, ex-Facebook, ex-Ivy League.”

Alessio Alionço, CEO e fundador da Pipefy

“No nosso caso, passamos aperto por não termos a mesma sofisticação e traquejo com investidores, por não termos fluência perfeita, por termos deixado escapar uma tradução mal feita, por sermos brasileiros. Porém, a história mostra como isso nunca nos parou. Nossa estratégia? Comer pelas beiradas”, comenta o fundador da startup.

Apesar de ter orgulho de ser um SaaS brasileiro, a Pipefy não menciona em seu site de onde é. “E pretendemos continuar assim por um bom tempo. Pelo menos até criarmos uma credibilidade sólida e obtermos uma boa fatia de mercado”, conclui o empreendedor.

investimentos
Arte (Grupo Padrão)


+STARTUPS

Por que algumas startups fracassam?
Startups se mostram otimistas com o futuro, segundo pesquisa
Conheça os dados e obstáculos do empreendedorismo e da inovação no Brasil, segundo o IBGE
Opinião: Na crise, startups devem criar políticas de vesting