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A liderança na era da Quarta Revolução Industrial

O modelo “comando e controle” é confrontado com uma autonomia e empoderamento para que os processos sejam descentralizados 

POR Adriana Fonseca | 10/12/2020 10h45 A liderança na era da Quarta Revolução Industrial Imagem: Shutterstock

Como liderar uma empresa diante das mudanças tão intensas e rápidas que estão acontecendo? É para responder a essa pergunta que Sandro Magaldi e José Salibi Neto escreveram o livro “Gestão do Amanhã”, publicado pela Editora Gente e que chega agora à décima edição. 

Neste fim de 2020, a dupla lançou mais um livro, o terceiro de uma tríade: “Estratégia Adaptativa – As regras da competição mudaram” Você está preparado?” A obra aborda como a adaptação é um dos atributos mais relevantes para as empresas neste novo mundo em ebulição. Antes desse, foi lançado O Novo Código da Cultura. Entre os dois primeiros são 75 mil exemplares vendidos.

Diante da experiência de Magaldi como autor sobre a temática da gestão de negócios durante a quarta revolução industrial, o Whow! entrevistou o escritor. Confira trechos da conversa.

O líder na Quarta Revolução Industrial

Whow!: O que difere a liderança na era da Quarta Revolução Industrial da liderança anterior?
Sandro Magaldi: É importante termos a perspectiva de que todo o sistema de gestão de uma organização tradicional foi modelado de acordo com fundamentos fincados durante a Primeira Revolução Industrial. O modelo de liderança obedeceu a essa mesma dinâmica e evoluiu de acordo com demandas empresariais muito orientadas a manutenção de estabilidade e controle total do sistema. Nesse sentido, um dos principais objetivos sempre foi o de eliminar qualquer elemento que representasse um risco à organização. Como consequência dessa filosofia, o sistema clássico de liderança teve como base o modelo conhecido como “comando e controle”, onde o líder tem o papel de centralizar as decisões zelando pelo controle total das atividades a serem executadas por seus colaboradores. Essa lógica consolidou-se ao longo de mais de século e caracterizou as empresas mais prósperas do século XX.

Ao longo dos anos recentes, a sociedade transformou-se dramaticamente. Sobretudo, devido ao efeito da tecnologia – com destaque nessa reflexão a popularização da Internet que revolucionou a comunicação – houve uma mudança importante no sistema de pensamentos global que impactou todos os agentes sociais. Em paralelo, o mundo empresarial vivenciou uma explosão em seu nível de complexidade proveniente da onipresença da mesma tecnologia, que fez emergir novos protagonistas no ambiente, sobretudo as chamadas “startups”, que já nasceram com um sistema de pensamentos distinto do tradicional, mais sintonizado com as demandas do novo contexto.


W!: Que pontos destacaria?
SM: Esses movimentos trazem uma nova perspectiva para a liderança, já que indivíduos, em seu papel de colaboradores, não aceitam mais serem encarados como meros seres autômatos. As organizações, por seu turno, começam a entender que estão desperdiçando um potencial importante de seus chamados “recursos humanos” ao não estimular todo potencial existente em suas equipes.

Como consequência, ganha espaço a demanda por um novo tipo de liderança. O modelo “comando e controle” é confrontado com uma dinâmica que gere mais autonomia e empoderamento para que os processos de tomada de decisão sejam mais descentralizados e de responsabilidade dos indivíduos em suas atividades regulares. É evidente que esse é um processo que está em curso, exatamente agora, e, como tal, requer uma transição e muito aprendizado para que todos consigam operar de acordo com essas novas demandas.

Novo tipo de liderança

W!:Por que é importante, na sua visão, que os líderes adotem esse novo tipo de liderança?
SM: Em última instância porque se não assumirem um novo papel estarão colocando em risco suas organizações e sua própria atuação como líder, já que os exemplos são fecundos em demonstrar que o sistema tradicional não gera a performance necessária para lidar com a complexidade do mundo atual. Podemos testemunhar uma evidência importante dessa visão quando constatamos uma migração importante de indivíduos talentosos das tradicionais e reluzentes empresas vencedoras de outrora para novas startups que não oferecem o mesmo pacote de remuneração ou benefícios no curto prazo.

Esses indivíduos buscam protagonismo e a possibilidade de realização, atributos que não combinam com o modelo clássico de “comando e controle”. Sob um horizonte de médio prazo (que está se afunilando cada vez mais), as organizações que não se modelarem a um estilo de liderança mais adaptado aos novos tempos não terão condições de atrair os melhores talentos para seu negócios e se submeterão a “jogar na 2ª divisão” do ambiente empresarial em poucos anos.


W!: No seu livro “Gestão do Amanhã” você escreve sobre a importância do equilíbrio emocional. Daniel Goleman já falou disso anos atrás, inclusive cunhou o termo “inteligência emocional”. Os líderes vêm evoluindo nesse equilíbrio?
SM: É inegável que há uma maior sensibilização, atualmente, sobre o tema. Por mais paradoxal que possa parecer, quanto mais a sociedade caminha para a onipresença tecnológica, mais se evidencia a relevância da humanidade. Esse ponto de vista está baseado na constatação clara de que respostas previsíveis, cartesianas, sistêmicas podem ser geradas com muito mais assertividade por robôs do que por seres humanos. Porém, em um ambiente altamente incerto e imprevisível, ganha relevância a capacidade de enunciar novas perspectivas, possibilidades e visões fora do convencional. Essa habilidade de alto valor é uma habilidade humana e, pelo menos até agora, não pode ser substituída por máquinas.

Se por um lado essa dinâmica favorece o indivíduo, por outro tem o potencial de gerar muita insegurança já que lhe remete a navegar por mares até então não navegados. Um dos atributos mais relevantes a ser desenvolvido nessa nova era é a capacidade de lidar com o desconhecido. Equilibrar nesses dois contextos (o conhecido e desconhecido) traz a necessidade de uma reflexão pessoal profunda e que valoriza o autoconhecimento. Do contrário, o indivíduo não tem os recursos para se fortalecer. Como se trata de um movimento muito novo em um ambiente acostumado a uma concepção muito racional e lógica, ainda existe um processo de consolidação desse entendimento e de busca de ferramentas e estruturas adequadas a lidar com essa dinâmica.

Não se trata de tarefa fácil já que as empresas têm a demanda pela geração de resultados práticos de suas operações. Ao mesmo tempo que lidam com novos desafios, os líderes empresariais têm a necessidade de zelar por atingir as metas e os objetivos do projeto. De qualquer forma, é justamente para lidar com esse duro desafio do foco no curto prazo com a sustentabilidade futura da companhia que a inteligência emocional, tão bem explorada pelo professor Daniel Goleman, ganha e ganhará cada vez mais força na sociedade e no contexto empresarial.


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