A inovação na Votorantim Energia foca em antecipar tendências e acompanhar o ecossistema - WHOW
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A inovação na Votorantim Energia foca em antecipar tendências e acompanhar o ecossistema

O diretor de Desenvolvimento de Novos Negócios e Inovação diz que a maior dificuldade está em separar os desafios das operações do dia a dia

POR Eric Visintainer | 29/01/2020 08h59

Ao longo do processo de inovação dentro de multinacionais, sejam elas estrangeiras ou brasileiras, passa por diferentes desafios, que podem variar deste a implementação de uma cultura inovadora, quais as melhorias parcerias para o desenvolvimento de open innovation, a disseminação das metodologias ágeis, a definição da tese de inovação oucorporate venture, entre outras.

No caso da empresa brasileira Votorantim Energia, criada no ano 2000, que conta com 28 usinas no Brasil e pertencente à holding Votorantim. Atualmente, a empresa foca no ecossistema de inovação para a geração de energia limpa.No quesito da tese de inovação a empresa se coloca como na fase de estruturação para médio prazo e entende que as startups vão buscar parcerias com companhias têm uma tese clara um track record. Sobre investimentos o executivo com o qual o Whow! conversou aponta para um eventual montante entre R$ 10 e R$ 20 milhões para realizar aportes.

Conheça os bastidores da inovação na empresa na continuação desta série especial do portal Whow! “Os Desafios para Inovar”, na entrevista com Carlos Guerra, diretor de Desenvolvimento de Novos Negócios e Inovação, sobre a inovação na Votorantim Energia.

Os desafios da inovação na Votorantim Energia

Whow!: Como está o processo de inovação na empresa atualmente?
Carlos Guerra: “Entre os anos de 2015 e 2020 a Votorantim Energia passou de uma comercializadora  de vender energia que sobrava do grupo e não era focada no mercado, mas sim atendia o Grupo Votorantim. Então, ela começou a vender este know how para o mercado em 2015 e a produzir energia eólica, entre 2015 e 2017 criou um parque eólico focado para o mercado. Em três anos a empresa mudou em patamar. Cheguei em 2018 e montados a área de inovação na empresa. Antes era o foco na Internet e melhoria contínua. Assim, passamos pensar  em novos negócios, trazer resultados, não só P&D e marketing e para nos anteciparmos à tendências e disrupções.

W!: Qual é a tese de inovação que rege a companhia?
CG: “Temos três grande blocos de inovação: primeiro o uso de dados. Hoje, qualquer consumidor está gerando dados e estes são pouco explorados e serão fundamentais para qualquer negócio de energia para captar valor. Um exemplo é como a energia eólica e solar são fontes intermitentes e o consumidor tem uma flexibilidade. Então, saber o perfil de consumo e consumidor para uma noção de trading. Segundo, a gestão de uma plataforma. Uma empresa não consegue fazer tudo para o cliente e você precisa alavancar o ecossistema para trazer ao cliente sem perdê-lo. Para trabalhar juntos com outras empresas e parceiros, estamos olhando, principalmente, startups. Mas não descartamos a possibilidade de parceria com grandes empresas de tecnologia. Terceiro, ganhos de eficiência com ganhos da automação para prepara a VE a custo zero. Para escoar no mercado e ter milhares de usuários, você precisa ter isso a um custo quase zero, com robotização, digitalização e automação. Não podemos nos dar ao luxo de manter pessoas em um processo digital, estas pessoas precisam pensar no futuro e no atendimentos ao cliente.”

W!: No site da empresa vocês se colocam como “Inovadores e Criativos no Mercado de Energia”, como isso acontece na prática?
CG: “Quando falamos que a nossa inspiração é ser a melhor energia do setor para todos os stakeholders, com lucro e sustentabilidade, oferecer isso é ter uma energia competitiva, como ter o nosso parque de geração, mas com um portfólio de camadas, para ser competitivo ao longo do tempo; e como colocar um parque solar, dentro de um parque eólico. Se o regulador não permite uma solução, vamos tentar influenciar o regulador  em uma solução hibridizado para incentivar algo que possa ajudar a todo o Brasil. Assim aproveitamos a mesma infraestrutura e na última camada a energia possa sair de graça. E assim ser cada vez mais competitivos. O cliente quer saber mais de onde vem a energia, se é de fonte sustentável e ter flexibilidade se pode usar com diferentes volumes ao long do dia. É preciso saber como criar o seu parque para que não haja um risco que você não conseguir gerenciá-lo.”

W!: Quais desafios a empresa enfrenta nos projetos ou na cultura de inovação hoje?
CG:
“O primeiro passo foi saber para que é necessário inovar, porque do jeito que as as coisas estão não vamos liderar o mercado. O primeiro passo foi criar esta atenção. Em 2018,  a forma de trabalho também mudou e começaram a mudar os times para squads, principalmente, na comercializadora e colocado o problema na mesa para entender como melhor antever os clientes, tangibilizar os problemas e lançar MVPs. E começamos a prototipar internamente, para mostrar aos clientes os benefícios, se conectar com os clientes e fazer mais entrevistas, para entender o problema e depois buscar soluções. E começamos a criar parcerias como a com a Energy Future, para fazer chamadas ao ecossistema de startups para ajudarem a solucionar os problemas e criamos uma parceria com a Endeavor para nos dar acesso ao que o setor e o país está trazendo de novidades. E isso nos traz uma oxigenação. O principal desafio está em separar os desafios das operações do dia a dia. Você chega com um plano de cinco anos, mas se aparece uma necessidade de operação o foco fica no dia a dia e como alocar os seus recursos.”

Cultura da inovação e programas de aceleração

W!: Quais são novos olhares (produtos, serviços e tendências) que a empresa mira neste momento?
CG: “O desafio é continuar pensando em como olhar para não perder uma oportunidade e antecipar qualquer possível ameaça ao negócio atual, como a Blockbuster não viu a Netflix  pegar o seu mercado. A área de inovação precisa alertar a companhia para o que olhar, o negócio pode não ser mais o mesmo e a margem pode sumir, se não anteciparmos estes sinais a área de inovação falhou! Inovação é estar na frente ligado ao ecossistema e traduzir isso para a área de negócio.”

W!: Qual é a visão e prática da empresa com M&A e programas de aceleração?
CG:
“Vemos isso como algo natural, ao conhecer várias destas novas empresas e soluções e trabalhando alguns pocks e pilotos que geram clientes para a companhia. Estamos pensando, sim, em construir a nossa tese com foco em dados, plugar na nossa plataforma e nos nosso processos, para gerar eficiência, aí falo em colocar um investimento e alavancar startups. Em termos, de corporate venture estamos na fase de estruturação para médio prazo e para que possamos até utilizar a Votorantim como um todo. As melhores startups vão procurar as empresas que têm uma tese muito clara e um track record. Eventualmente, entre R$ 10 a R$ 20 milhões seria interessante para lançar alguns investimentos. Conversamos bastante com a EDP Ventures, no mundo de venture capital. Mesmo como competidores você pode ter boas parceiras e isso aumenta a taxa de sucesso. Estar em um fundo com outras grandes empresas do meio da energia, pode diluir o risco e aumentar a visibilidade de atração.”

W!: Como descreveria a cultura da inovação na companhia e os frameoworks utilizados?
CG: “Na inovação sempre temos espaço para continuar a melhorar a cultura. Mas temos pouco tempo. Faz dois anos que estruturamos de forma clara na companhia. Estamos em uma fase inicial para ver as necessidades da companhia e o que significa inovar e precisamos evoluir na forma de trabalho, como cada um dos líderes pensa inovação. Inovação não é só o pensamento de uma área. Quando vemos um ciclo virtuoso na empresa, com resultados, isso expande o pensamento na empresa. Medimos a margem de resultado adicional por ter colocado uma nova solução em casa e parte desta margem reinvestimos em projetos para colocar a risco. E isso vira meta das pessoas. Outra métrica é a quantidade de novos produtos para lançar ao mercado.”


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