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A inovação em busca da saúde mental

A tecnologia, grande causadora de vários problemas de saúde mental, também está possibilitando novas formas de cuidado

POR Adriana Fonseca | 12/11/2020 17h30

A tecnologia, grande causadora de vários problemas de saúde mental, também está possibilitando novas formas de cuidado, com meditação, mindfulness, yoga e telemedicina, gerando redução importante dos custos. Foi com essa introdução que Alexandre Teixeira, cofundador da ODDDA, iniciou o painel do Whow! Festival de Inovação 2020, que falou sobre as inovações na área da saúde mental.

Participaram do debate três empreendedores que atuam com saúde mental, sendo que duas das empresas usam, justamente, a tecnologia para endereçar o tema. 

O Cíngulo, do médico psiquiatra Gustavo Ottoni, que é cofundador e COO da empresa, é um aplicativo de terapia guiada totalmente digital. Sua história começou em 2008, quando Ottoni, em paralelo à sua carreira clínica, tinha um grupo de pesquisa de neurociência. Entrou nesse grupo uma pessoa que trabalhava com computação e, a partir daí, eles começaram a coletar dados pela internet para a pesquisa. “Nos demos conta de como a tecnologia ajudava as pessoas, saindo do ambiente acadêmico. Ao coletar os dados as pessoas já se sentiam apoiadas”, diz. 

Assim, Ottoni fez um site experimental em 2016 e, em 2017, com a criação do Cíngulo, entrou para o mundo do empreendedorismo. 

No aplicativo, o usuário faz uma autoavaliação do seu perfil emocional e a partir daí recebe um caminho personalizado para atingir suas dores de forma competente e amigável. “Não adianta o remédio ser só efetivo nesse ambiente de tecnologia, tem que ser gostoso também. A pessoa tem que estar quase se divertindo enquanto se ajuda, se não fica difícil entrar nessa jornada.” 

Hoje, o app tem 2 milhões de pessoas cadastradas. “Só no boca a boca. Nunca investimos em marketing.”

Saúde mental orientada em dados

Voltando à origem do Cíngulo, a pesquisa feita lá atrás gerou um banco de informações validado cientificamente. Afinal, 150 mil pessoas responderam mil perguntas sobre si mesmas. A partir daí e com o cruzamento desses dados, o Cíngulo consegue ser mais específico nas particularidades de cada usuário e indica o melhor caminho para cada um. 

Há, na plataforma, diferentes linhas de terapia, desde as mais tradicionais, como a cognitivo-comportamental, até psicologia positiva, passando por Freud e Jung. “A tecnologia tem essa vantagem de aplicar o melhor modelo à pessoa”, diz Ottoni. Por fim, entra a empatia. “Usamos a tecnologia empática, afetiva.”

A Zenklub, de Rui Duarte Brandão, também médico, CEO e cofundador da startup, surgiu devido ao burnout que sua mãe sofreu. “Ficou evidente que era preciso ser criado um sistema de saúde emocional”, diz Brandão. “Ser mais um cirurgião vascular em 2015 não era o que eu queria.”

Assim, ele fundou, em 2016, a Zenklub, uma plataforma que une conteúdo e especialistas como psicólogos, coaches e psicanalistas que atendem on-line. Hoje, a plataforma trabalha com mais de 200 empresas como Natura e Votorantim.

Brandão define a saúde emocional como uma habilidade comportamental de superar desafios. E isso é também relevante no ambiente corporativo, porque interfere em como as pessoas se relacionam com seus pares, líderes e liderados. “Entender o outro, não julgar. Gerenciar todas as emoções do nosso dia a dia. Isso gera mais engajamento e, no fim do dia, gera a linha de Ebitda que todo gestor quer ver.”

Estado de flow

O tema da produtividade no trabalho também foi abordado por Cadu Lemos, sócio-fundador do Projeto FLOW, que aplica o conceito de flow – ou fluxo – no ambiente corporativo.

Teixeira define o estado de flow: “É importante para encontrar satisfação e felicidade no trabalho, é quando você está tão imerso na sua atividade que perde noção de tempo e esforço. É uma forma de plenitude.”

A consultoria de Lemos existe desde a década de 90. Ele explica que, no estado de flow, tudo acontece de uma forma muito natural, “como se você não estivesse se esforçando”. Mas como chegar lá? Como ativar o estado de flow? Lemos diz que, se puxarmos na memória, todos já tivemos em um estado de flow em algum momento, mas ele surge dadas algumas condições do ambiente, psicológicas e sociais. “É entendendo esses gatilhos, que são 20, que se constrói um caminho para ativar o flow”, afirma. Em cada pessoa a consultoria vai estudar onde estão os gatilhos, assim como nas equipes. “O foco traz o flow”, diz, dando uma pista de como chegar lá.


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