A inovação é a cura que faltava para o sistema de saúde no Brasil? - WHOW
Tecnologia

A inovação é a cura que faltava para o sistema de saúde no Brasil?

Especialistas de organizações, startups e corporação debatem como novas tecnologias e quebras de paradigma podem beneficiar o setor

POR Eric Visintainer | 10/11/2020 18h10

O atendimento universal, característica do nosso país é uma conquista, mas ainda longe de oferecer a qualidade esperada pelos cidadãos. A pandemia só fez escancarar as deficiências dos sistemas de saúde, as lacunas de tecnologia e a burocracia. O processo inovativo pode trazer respostas para melhorar a qualidade da saúde disponível e oferecida aos consumidores e cidadãos? E por onde começar?

Carlos Gouvêa, presidente-executivo da CBDL (Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial), Anthony Eigier, cofundador e CEO da NeuralMed, que busca a melhora de decisões no fluxo da saúde, Marcus Figueredo, CEO da Hi Technologies, que busca humanizar da saúde através de exames médicos e Thiago Julio, gerente de Inovação Aberta no Grupo DASA buscaram respostas para estas perguntas durante o Whow! Festival de Inovação 2020.

Inovação e novas tecnologias

Um local de começo para obter melhorias na saúde, de acordo com o presidente-executivo da CBDL é a busca de parcerias para solucionar os problemas. “Junto com a Sociedade de Patologia Clínica, Sociedade de Análises Clínicas a entidade representativa dos laboratórios conseguimos uma discussão com a Anvisa para promover o acesso facilitado aos reagentes, para a entrada de novos produtos, mesmo que de forma provisória. Esta união de forças que serviu para a covid-19 e na verdade é um legado que poderá ser usado no futuro”, descreve. 

Já Anthony aponta para o uso da tecnologia na melhor tomada de decisão dos profissionais da saúde. “Com a pandemia ficou claro que, se o Sistema de Saúde não trouxe novas tecnologias e ele não conseguirá atender a população de uma forma aceitável, rápida e com a precisão que esperamos”, afirma o CEO da startup NeuralMed.

Para o CEO da healthtech Hi Technologies a coexistência de dois sistemas de saúde no País implica em dois universos distintos. “25% da população tem acesso a grandes laboratórios e uma população que está à margem”, comenta. “A pandemia destravou várias tecnologias, como inteligência artificial, testes rápidos, telemedicina, que eram grandes debates e percebemos que deveriam abraçar a tecnologia e seguir em frente. Para ter um sistema que funciona para todo mundo teremos que ser abertos a novas tecnologias. E precisamos discutir e abraçar de forma mais rápida.”

Seria a inovação a salvadora para todos os problemas da saúde no Brasil? Thiago diz que isso não é possível. “Eu não acho que a inovação é a cura para o setor, ela é parte da cura. Tem muita coisa que precisamos curar que não vem da inovação ou da tecnologia, como processos, articulação pública-privado, regulação, política público-privada”, diz.

“A inovação é um acelerador, mas não dá para jogar tudo na conta dela.”

Thiago Julio, gerente de Inovação Aberta no Grupo DASA

Agilidade e quebra de paradigmas na saúde

Outro grande tema discutido foi a quebra de paradigmas no setor a necessidade da agilidade por toda a cadeia, bem como o debate sobre trazer os brasileiros que ainda são “pacientes invisíveis” ao sistema de saúde nacional, como descreve Carlos.

Anthony comenta que, quase tão difícil quanto criar uma nova tecnologia é fazer com que esta seja utilizada nos centros médicos. “O papel da inteligência artificial é trazer mais informações para as pessoas que estão na ponta (médico ou enfermeiro) para a tomada de decisão. O Sistema de Saúde é bem rígido, e com razão, pois as pessoas podem morrer. Não dá para ser uma empresa de tecnologia e achar que vai resolver um problema na saúde. Você precisa entender de saúde”, aponta o empreendedor que tem no seu sócio um radiologista e o meu pai também atua na área médica.

E por conta da necessidade de um olhar mais atento neste setor, o presidente-executivo da CBDL diz que o ciclo de inovação incremental, na área da saúde, normalmente é de três a quatro anos. Ele ainda comenta que isso pode ser acelerado com o uso adequado de tecnologia da informação.

Como um exemplo na ruptura com o status quo, Marcus descreve o desenvolvimento e atuação do Hi Lab, é um um laboratório de análises clínicas individual que uni o conhecimento de profissionais de saúde com  Inteligência Artificial e Internet das Coisas. “Tiramos um equipamento de análise de sangue do laboratório, que antes, era pensado para fazer mil pacientes por hora, para fazer um paciente por vez. O equipamento ficou menor e assim surgiram várias possibilidades. E o equipamento de laboratório precisa ser operado por um especialista de análise clínica. E estamos chamando isso de telemedicina diagnóstica”, comenta.


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