A importância da diversidade nas pequenas e médias empresas - WHOW

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A importância da diversidade nas pequenas e médias empresas

Com a maior demanda por diversidade nas grandes empresas, pequenos empreendedores que fornecem serviços ou produtos B2B também são impactados pela tendência

POR Daniel Patrick Martins | 11/08/2021 18h39

Quando falamos sobre diversidade, abordamos um conceito amplo que trata de diferentes grupos de pessoas sob óticas distintas. Neste sentido, a pluralidade dada a esse conceito pode se referir a gênero, raça, cultura, idade, orientação sexual, local de nascimento, pessoa com deficiência ou mobilidade reduzida, idioma, condição social e econômica, e muito mais.

As pequenas e médias empresas do Brasil são diversas no sentido das atividades e setores econômicos em que atuam, e principalmente, quando se olha para as pessoas que colaboram para o sucesso destes negócios. São 13,5 milhões de PMEs espalhadas pelo Brasil, representando 30% do PIB e 54% dos empregos formais, segundo dados do Sebrae. Entre os empreendedores, são 65% do gênero masculino, 25% entre 35 e 45 anos e 26% concentrados no Estado de São Paulo.

As PMEs são relevantes para a economia brasileira e a questão de diversidade entra ainda mais em vigor. É a partir destas empresas que se nota a pluralidade contida nos contextos dos negócios, e que também acaba sendo uma exigência, dependendo da situação, por parte de muitas empresas de grande porte que utilizam produtos e serviços ofertados pelas pequenas.

“A pressão vem de cima, das empresas grandes, que, ao olharem para as próprias questões, passam a esperar de seus fornecedores equipes mais diversas”, relata Ricardo Sales, fundador da Mais Diversidade, empresa de consultoria que atende grandes marcas para esta questão, em entrevista a Folha de S. Paulo.

Vale ressaltar que todo este tema de diversidade está em alta em um momento histórico de diversas transformações sociais. Por isso, é preciso muita pesquisa e descoberta por parte dos empreendedores, assim como incentivar discussões com os funcionários sobre estes temas, para evoluir no entendimento do conceito.

Ao investir em uma política de recursos humanos, onde os colaboradores constituam um quadro mais diverso, os empreendedores darão maior capacidade para gerar novos negócios, por meio das trocas e visões dos funcionários, além de dar vasão à inovação.

“Diversidade é uma tendência no mundo dos negócios e não deve ser vista como um modismo, uma vez que traz consigo a inovação, algo fundamental para qualquer empreendimento no mundo de hoje”, informa Silvia Luan Lozza, especialista no assunto e coordenadora de curso de pós-graduação em Gestão Inclusiva e da Diversidade ao G1. Para saber mais, neste artigo do Whow!, falamos sobre a inovação orientada a inclusão e diversidade.

A demanda por mais diversidade é reflexo da composição social do Brasil, pois a população negra e parda é a maioria, com 55,8%, seguido pela feminina, com 51,7%. E a população autodeclarada LGBTQIA+ é estimada em mais ou menos 10%, segundo compilações realizadas em dados estatísticos. As mesmas proporções não aparecem em cargos de liderança nas empresas.

“Estamos falando de responsabilidade social, em tornar o mundo um lugar melhor e mais justo, mas também em tornar a empresa melhor. Um negócio mais diverso é mais inovador, mais criativo”, constata Gabriela Augusto, especialista e consultora em Diversidade e Inclusão, em entrevista ao portal G1.

Quanto mais plural é o negócio, mais consistente é a geração de lucros

Segundo o relatório “Diversidade Importa”, da empresa de consultoria McKinsey, as empresas que se comprometem com a diversificação de seus quadros funcionais tem resultados positivos e acima da média para o setor em que atuam, sendo 35%, quando relacionada a raça, e 15%, quando relacionada a diversidade de gênero. Ou seja, o valor da diversidade é um dos trunfos para empresas mais sadias.

“Permanecerá competitiva e relevante no futuro aquelas empresas que conseguirem atender às especificidades dos mais variados nichos que existem, e que, por sua vez, se organizam de forma mais firme com a potência de conexão das redes hoje”, comenta Adriana Barbosa, empreendedora e presidente da Feira Preta, em matéria para Pequenas Empresas & Grandes Negócios.

Quando o empreendedor, diante desta contextualização, investe e capacita seu ambiente de trabalho sobre questões de acessibilidade, inclusão e pluralidade, além de colaborar para uma sociedade bem melhor, ajuda o seu negócio a ser mais consistente frente a outros negócios, com maior capacidade de gerar lucro e atrair talentos.

“O tema gera muito interesse. As pessoas são atraídas para trabalharem em empresas que possuem boas práticas e, com isso, os pequenos e médios podem se tornar ainda mais competitivos frente aos grandes players”, relata Alysson Adler, da Talenses Group.

Seja para empreendedores, fornecedores, colaboradores ou mesmo clientes, o que fica é a atenção e observação de temas cada vez mais relevantes para a sociedade. A partir destas pautas que, consequentemente, tiraremos grandes insights para empreendimentos e que estes sejam cada vez mais significativos às pessoas.