A favela como um centro de inovação - WHOW

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A favela como um centro de inovação

Criador de startup mineira conhecida por ações de valorização de soluções internas nas comunidades, extrai da criatividade desses territórios para atender clientes interessados em inclusão e diversidade  

POR Ana Weiss | 10/11/2020 15h40 Imagem Thiago Japyassu: Unsplash Imagem Thiago Japyassu: Unsplash

Como pensar e aplicar a inovação à realidade de uma favela? No painel “A Inovação que vem da periferia: o que podemos aprender com as comunidades brasileiras”, parte do no Whow! Festival de Inovação, o fundador e head da Futuros Inclusivos e presidente do Fa.vela, João Souza, vai além e mostra como a criatividade de ações inovadoras nas comunidades brasileiras podem ensinar muito sobre inovação para um dos maiores problemas brasileiros, a desigualdade social, mas também para grandes organizações que almejam tornar seus processos mais inclusivos.

Laboratório constante de soluções para a inovação

João abre a sua apresentação com a história de Igor, um garoto de uma comunidade da Grande Belo Horizonte, em Minas Gerais, que, sem ensino médio e desempregado, criou o Picolé-Fy. Lojas sem ambientes internos para seus funcionários, acabavam mandando os colaboradores para praças e canteiros locais nos horários de descanso com pouca rede de internet, onde o Igor levava seu carrinho para vender seus picolés.

Ele notou que as pessoas passavam boa parte do tempo conectadas em seus celulares. Então, ele teve a ideia de oferecer o roteamento de seu pacote de internet para as pessoas que consumissem o seu produto durante o tempo que elas permanecessem no lugar público. “Foi uma grande sacada para dar andamento para o negócio dele. E talvez nunca tenha tido a noção do impacto que ele criou no local quem essa ação. Certamente se a ideia tivesse saído de uma grande agência, ganharia escala e visibilidade”, descreve o empreendedor.

“Nasci, cresci e moro até hoje no Morro das Pedras, uma favela. É muito comum na minha geração de profissionais das comunidades, sair da favela, pela perspectiva de que não é um local em que possa se crescer e se desenvolver”, conta João. “Mas, além de adorar onde eu moro, vejo uma vantagem competitiva no meu negócio: convivo o tempo todo com a desigualdade e faça o dessa imersão um laboratório constante de soluções. Empatia não substitui a vivência.”

Essa vivência real me permite o inovador oferecer a perspectiva real de como ações e empreendimentos nascidos dentro da comunidade se transformam e evoluem. “É a perspectiva de inovação na base da pirâmide”, define.

Diversidade como estratégia de produtividade

Tanto as duas sócias do inovador como seus 16 colaboradores são pessoas da periferia, negras, LGBTs e com vivência no território das favelas. A equipe, conta João, é composta por pessoas que não tiveram acesso à educação formal, mas se tornaram técnicos de primeira linha no que fazem. “Isso faz com que sempre entreguemos mais do que nos é pedido, independentemente da ponta que estamos atendendo.”

Durante a crise gerada pelo coronavírus, a startup detectou o que João Souza e equipe batizaram de pandemia de cestas básicas. Lives, empresas, ações de grandes marcas e uma enorme onda de oferecimento dessa forma de ajuda cresceram muito, principalmente no início da crise.

“Tivemos de dizer aos nossos parceiros que o Fa.vela não trabalha com assistencialismo, mesmo num momento emergencial”, conta. “Para desenhar um programa que mantivesse o empoderamento, ainda que orientado, olhamos como persona a mulher, chefe de família, moradora da favela, que perdeu a composição de renda típica das comunidades. Criamos um cartão, o Acode, para que ele desse a opção de escolha dos produtos que essa chefe de família, que sabe o que precisa mais e o que não precisa numa cesta básica pronta para a sua família.”


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