A digitalização em quatro setores no Brasil pós-pandemia - WHOW
Tecnologia

A digitalização em quatro setores no Brasil pós-pandemia

Estudo da Deloitte compilou informações sobre o futuro desta tendência na educação, saúde, justiça e governo

POR Carolina Cozer | 28/09/2020 18h05

A pandemia de covid-19 tem deixado inúmeras marcas na sociedade, mas também incontáveis aprendizados. A crise transformou completamente os meios de trabalho e a forma como a população consome, com a digitalização como o centro de tudo.

Em busca de uma melhor compreensão do futuro da digitalização no Brasil, o instituto Deloitte desenvolveu a pesquisa Digitalização, resiliência e continuidade dos negócios: o que aprendemos com a pandemia de covid-19 e sugestões para nos prepararmos para um novo digital, publicada neste mês de setembro.

A empresa coletou dados públicos, notícias, relatórios, entrevistou especialistas e desenvolveu uma pesquisa para gerar uma compilação de informações que irão gerar pistas sobre o futuro da tecnologia em quatro áreas de impacto da nossa sociedade: educação, saúde, justiça e governo.

digitalização Imagem de pch.vector por Freepik

Educação

Embora o ensino a distância já fosse comum em cursos de nível superior, ele não era outorgado aos níveis escolares, fazendo com que o ensino de educação básica no brasil acabasse sendo tomado abruptamente pega digitalização. Por mais que os alunos brasileiros sejam parte da geração de nativos digitais, muitos professores e os próprios ambientes escolares não estavam prontos para utilizar a tecnologia no ensino. A Covid-19 trouxe, portanto, a aceleração digital ao ensino brasileiro, que, segundo o estudo, deverá assumir um modelo híbrido no futuro, mesclando o ensino presencial com aulas EaD.

Este modelo híbrido deverá elevar o aluno ao protagonismo das salas de aulas, com a maior parte do aprendizado feito de modo offline, e o tempo em sala sendo utilizado para discussões, resoluções de dúvidas e aprofundamento de ideias.

O corpo docente brasileiro precisará se capacitar tanto para a experiência digital quanto para o conhecimento de cibersegurança. Novas metodologias de ensino e aprendizagem serão desenvolvidas e farão parte das grades curriculares da formação de professores.

Saúde

A telemedicina foi uma das principais tendências de futuro aceleradas pela pandemia da Covid-19. Contudo, como havia enorme resistência prévia do setor de saúde brasileiro à adoção dessa inovação, tudo precisou ser feito às pressas para garantir a continuidade dos serviços médicos. Consequentemente, a classe médica estava pouco preparada para assumir essa atividade, assim como algumas definições não estavam padronizadas, como as questões de remuneração neste modelo de trabalho. 

Felizmente, a medicina remota foi bem aceita pelos brasileiros, e deverá ser regularizada pelo Conselho Federal de Medicina após o retorno das atividades comuns. Alguns dos benefícios que esse modelo de atendimento trará para a saúde pública serão a redução de custos, a democratização do acesso e a diminuição de filas em hospitais e clínicas.

No futuro, haverá a aparição de mais startups de healthcare e a inserção de mais wearables de monitoramento da saúde, sobretudo à medida que a LGPD se instalar no País.

Justiça

Segundo a pesquisa da Deloitte, a digitalização dos processos pré-pandemia permitiu que o setor mantivesse as operações internas nos últimos meses. Além disso, a liberação das videoconferência como plataforma jurídica tem sido essencial para garantir a continuidade de audiências neste período.

Ainda assim, uma grande parte do setor jurídico brasileiro ainda depende de processos em papel e assinaturas físicas, o que causa alguns entraves na digitalização da categoria. Para a Deloitte, uma vez que esse gargalo for vencido, e o Judiciário estiver 100% digitalizado, os processos passarão a se dar totalmente por plataformas eletrônicas, o que possibilitará maior agilidade e segurança nos serviços legais do Brasil. Magistrados e advogados precisarão, contudo, passar por atualizações para a inserção nos recursos digitais visto que ainda há alguma resistência por parte desses indivíduos no setor.

A inteligência artificial também terá muito a contribuir à Justiça no auxílio à aceleração de processos burocráticos e organizacionais.

Governo

As operações federais com base digital já eram bastante utilizadas no pré-pandemia, mas as ações municipais (sobretudo de pequenas cidades) eram ― e continuam ― quase inexistentes.

Ainda há muita burocracia para a realização de parcerias entre o governo e empresas privadas que facilitem processos governamentais, além da desigualdade nacional ocasionar um baixo grau de digitalização da população. Estes fatores são fortes entraves para a evolução do governo no mundo digital. 

Contudo, muitos serviços digitais surgiram no país nos últimos meses, e a tendência é que continuem crescendo à medida que a tecnologia e a internet se tornarem mais democráticas. Aqui, a LGPD também se faz altamente necessária, para que a população tenha segurança nos processos online, sobretudo com o aumento da utilização de big data e inteligência artificial neste setor.

Uma vez que o governo consiga simplificar o ingresso da população aos meios digitais, o acesso aos serviços públicos poderá ser feito 100% online, sem que a população precise encarar filas e longas esperas para resoluções de situações públicas.


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