A Covid-19 abriu as comportas para as cidades inteligentes - WHOW
Tecnologia

A Covid-19 abriu as comportas para as cidades inteligentes

As condições criadas pela pandemia facilitarão a adoção de soluções tecnológicas pelos governos locais, principalmente na Europa. Entenda o porquê

POR Adriana Fonseca | 05/08/2020 17h25 A Covid-19 abriu as comportas para as cidades inteligentes Arte Grupo Padrão (Giovana Sorroche)

O novo coronavírus vai servir como uma espécie de propulsor para as cidades inteligentes, é o que diz o especialista alemão em planejamento urbano Klaus Kunzmann. Na visão dele, este modelo de cidade pode ser materializada mais rapidamente do que o esperado, graças aos esforços de digitalização de serviços municipais e a sistemas de vigilância urbana onipresentes. 

Em um artigo recente intitulado “Cidades inteligentes após a Covid-19: Dez narrativas”, Klaus argumenta que as condições criadas pela pandemia facilitarão, para os governos locais, a busca por soluções de cidades inteligentes em áreas como controle de tráfego, previsão de crimes e sensores de dados.

Cidades inteligentes munidas da confiança no setor público

O especialista ainda comenta que a pandemia aumentou a exposição das pessoas às orientações governamentais de cima para baixo – com a imposição de distanciamento social e até o fato de virologistas estarem interpretando dados dos cidadãos. Essa exposição, diz Klaus, vai criar – ainda que de forma sutil – mais abertura para as sugestões e planos propostos por líderes governamentais.

Isso, combinado à necessidade imperativa de reconstruir rapidamente as economias locais devastadas pelo novo coronavírus, vai abrir a porta para as soluções focadas em eficiência oferecidas por empresas.

“A conveniência individual superará as preocupações com a privacidade.”

Klaus Kunzmann, especialista alemão em planejamento urbano

Essa nova confiança no setor público, principalmente na Europa, vai acelerar o desenvolvimento de novos modelos de cidades, acredita o especialista.

Aumento na utilização de serviços digitais

cidades inteligentes Foto Tumisu (Pixabay)

A Covid-19 conduziu os cidadãos a uma crescente confiança nos serviços digitais, já que mais pessoas estão trabalhando remotamente e fazendo compras pela internet. Essa experiência, para Klaus, permite que muitos governos vejam como eles poderiam confiar mais nas opções digitais de serviços, que em tempos normais aconteceriam pessoalmente.

Ainda que a Europa, de forma geral, possa estar mais aberta a projetos e soluções de cidades inteligentes sugeridos de cima para baixo – a partir de lideranças do setor público –, uma vez que os governos locais foram rápidos em impor restrições e fechamentos, vendo assim as taxas de infecção caírem, outros países podem seguir o mesmo rumo. Mesmo países onde há menos confiança na liderança governamental nos últimos meses, pois eles também sentirão os impactos extremos da pandemia, isso será a justificativa para todos os tipos de abordagens experimentais.

“Por alguns anos, a Covid-19 será o argumento e o pretexto padrão para apoiar decisões públicas e privadas em quase tudo, com ou sem muita evidência empírica”, escreveu o especialista alemão em planejamento urbano. “Para impulsionar seus negócios ligados a cidades inteligentes, indústrias e empresas de energia e água, bem como os serviços públicos, usarão a ocasião para digitalizar ainda mais a produção e os serviços.”

Isso poderia significar mais investimento em redes inteligentes de energia e em sensores que monitoram e equilibram os fluxos de tráfego. Também poderia significar mais investimento em sistemas que levantam preocupações significativas com a privacidade, como leitores de placas automáticas que rastreiam o movimento das pessoas.

Com um vasto currículo, Klaus recebeu seu PhD em 1971 na Áustria. Hoje, suas pesquisas envolvem os temas de política urbana inovadora, planejamento espacial europeu, reestruturação regional e desenvolvimento regional lento.


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