A ascensão dos marketplaces para oferecer as melhores ofertas para os clientes - WHOW

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A ascensão dos marketplaces para oferecer as melhores ofertas para os clientes

Inteligência artificial e machine learning têm ajudado plataformas de e-commerce no Brasil a melhorarem a jornada dos seus consumidores

POR Adriana Fonseca | 11/11/2020 17h15 Imagem Karolina Grabowska: Pexels Imagem Karolina Grabowska: Pexels

A pandemia causada pelo novo coronavírus impulsionou o e-commerce. Conforme dados apresentados por Tania Zahar Mine, professora de pós-graduação da ESPM, durante o Whow! Festival de Inovação 2020, mais de 135 mil lojas virtuais foram criadas este ano e houve um aumento de 41 milhões de novos usuários nos comércio eletrônico. Diante dessa multidão que passou a consumir on-line, os varejistas tiveram que fazer adaptação para atender os clientes.

Fernando Guglielmetti, head de e-commerce da C&A Brasil, conta que as 290 lojas da marca tiveram que ser fechadas durante a pandemia. Em razão disso, o digital, que era pouco representativo para a marca, se tornou o único canal de vendas. “A C&A já investia em digital há alguns anos, com estratégia de omnichannel e relacionamento, mas foi um grande desafio, porque colocou toda a energia no digital”, afirma. “Ideias que talvez levassem três anos para avançar, andaram em 15 dias.”

Um exemplo dessa aceleração de adoção de novas estratégias foi a operação “drive thru” para as lojas continuarem vendendo. Fernando conta que a C&A implementou a novidade em 70 lojas em somente sete dias e em mais sete ampliou para 150.

ascensão dos marketplaces

Outra ação que tomou corpo foi o “ship from store”, que é quando o produto comprado on-line pelo cliente sai de uma das lojas da rede, e não de um centro de distribuição. O executivo diz que, antes da pandemia, 5% das compras on-line funcionavam nesse modelo. “A C&A teve que usar mais o estoque das lojas e o modelo’ passou a representar 50% das vendas do digital. E mesmo com a reabertura isso continua”, descreve.

O marketplace da marca também cresceu este ano. O executivo diz que a empresa é novata nesse ramo e tinha menos de dez vendedores parceiros neste espaço no começo do ano. Em 2020, a empresa decidiu se tornar um marketplace de nicho de moda e lifestyle, agregando produtos complementares para casa, decoração e eletrônicos.

A aderência foi positiva e, hoje, são cerca de 200 vendedores na plataforma. “Para o seller é bom porque o marketplace focado no segmento traz um público qualificado. Já o consumidor passou a ter acesso a um sortimento maior de produtos”, conta. 

Novas tecnologias aplicadas ao varejo

marketplace Imagem: Pixabay

Frase bem semelhante foi dita por Juliana Camargo, head de marketing e merchandising do eBay América Latina. Ela diz que, no Brasil, a companhia norte-americana, tem cerca de 500 milhões de listings disponívels. “Tem relevância trabalhar a personalização, se não o cliente vê um monte de coisa e não sabe por onde ir”, explica. Para isso, a companhia também faz uso de IA e machine learning.

“A inteligência artificial é chave para entregar personalização de ofertas e traduções, além de sugestões de preço para os vendedores e conteúdo de como ele faz uma boa oferta levando em conta preço, descrição e imagem”, conta a executiva.

O eBay tem usado ainda uma nova tecnologia que permite ao consumidor tirar uma foto de um produto que gostou e subir essa foto na plataforma, para então receber opções de produtos similares para comprar.

A inteligência artificial também faz parte da rotina da Webmotors, plataforma de compra e venda de carros e motos. “Inteligência artificial e machine learning são o básico hoje”, diz Rafael Constantinou, CMO da empresa. O uso dessas tecnologias se traduz em benefícios para quem está usando a plataforma. “Temos uma questão forte de geolocalização e personalização da jornada, porque tem desde o Chevete 80 até a Ferrari 2021, carros para família, antigos, etc. O nível de apoio que eu tenho que dar é como de um amigo especialista.”

Durante a pandemia, o site viu os acessos caírem pela metade, mas ainda assim, 15 milhões de pessoas continuavam acessando o site. “Por que estão chegando no site? As lojas não estão abertas. Para que se investiria em carro ou moto?”. Com esses questionamentos, a equipe chegou a algumas respostas. “O carro era oportunidade segura se precisasse sair de casa e se tornou o meio de transporte mais seguro nesse momento de pandemia”, diz Rafael. 

Ciente disso, a equipe da plataforma de compra e venda de carros e motos focou na criação de muito conteúdo, desde como higienizar o carro adequadamente até como fazer a transferência de documento neste momento. Além disso, viabilizou uma vídeo chamada para a pessoa conhecer o carro e criou o delivery, para fazer a entrega do carro ou da moto higienizado. 

Agilidade no relacionamento com o cliente

Também participou do painel Saulo Marti, diretor de marketing do Olist, startup que ajuda pequenas empresas a venderem on-line. A empresa viu um aumento expressivo no número de clientes e teve que se adequar. Uma das frentes foi gerar mais conteúdo para ajudar o varejista a começar no ambiente virtual e se profissionalizar.

A Olist também redesenhou o seu modelo de negócio para permitir uma entrada mais ágil do cliente. Antes, havia uma dependência de time de vendas, que fazia consultoria antes de o lojista começar a vender on-line. “Reescrevemos a jornada do cliente para que ele pudesse entrar sem falar com ninguém”, comenta. 

Assim como outras empresas que atuam com e-commerce, a fintech brasileira também faz uso de IA para ajudar o seu cliente a vender mais e isso inclui descrição de produto e precificação. “Para vender bem no marketplace tem que ter visibilidade e competitividade em preço e em frete. Usamos a inteligência artificial para tudo isso”, pontua. 

Quem também entrou no e-commerce foi a empresa de pesquisas Kantar. Juliano Piccoli, diretor e líder de insights criativos da Kantar Brasil, conta que a companhia está há cerca de um ano com seu marketplace. “É algo inusitado em um mercado de pesquisas”, ele admite. 

A proposta é agilizar o processo de pesquisa e democratizar, oferecendo soluções com custo menor. Se antes uma pesquisa levaria três semanas para ser entregue, no marketplace a entrega é em 24 horas. “Ainda tem limitação dos tipos de pesquisa que estão disponíveis, porque algumas dependem de interação face to face’ 


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