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Eficiência

7 startups que combatem a falta de saneamento básico no mundo

Empresas indianas se destacam no segmento de saneamento básico, mas Brasil, Quênia, Austrália e Estados Unidos também têm seus cases

POR Raphael Coraccini | 27/03/2020 18h45 7 startups que combatem a falta de saneamento básico no mundo Foto ilustrativa Sasin Tipchai (Pixabay)

Quase um terço da população mundial não tem acesso a nenhum serviço de saneamento, segundo o estudo Progress on Drinking Water, Sanitation and Hygiene” da UNICEF. Isso corresponde cerca de 2,3 bilhões de pessoas sem banheiro para depositar dejetos, água tratada ou coleta de esgoto.

A falta desaneamento básico, que é um dos maiores problemas da humanidade, tem se apresentado como oportunidade de negócios para empreendedores pelo mundo. Destaque para a Índia, que tem um dos maiores déficits de saneamento básico do mundo e onde as startups dedicadas a esse tema ganham cada vez mais destaque.

O Brasil também tem soluções de destaque nesse ramo de atividade, mas ainda insuficientes para reverter o quadro de déficit de saneamento. Quarenta e oito por cento dos brasileiros, ou seja, cerca de 110 milhões de pessoas, não têm acesso a coleta de esgoto, aponta pesquisa do Instituto Trata Brasil. E mais, apenas 45% dos esgotos são tratados e 35 milhões de brasileiros não têm água potável.

Conheça algumas startups pelo mundo que têm feito desses problemas crônicos uma oportunidade de desenvolvimento social e econômico.

Stattus4 – Brasil

O Instituto Trata Brasil aponta que o Brasil perde, hoje, 37% da água coletada durante a distribuição para lares e comércios. Ou seja, um terço da água encanada se perde por vazamentos no encanamento. A startup brasileira Stattus4 desenvolveu um sistema de monitoramento da rede de abastecimento em tempo real para detectar vazamentos e reduzir essa perda.

O projeto Fluid, desenvolvido pela Stattus4, funciona a base de sensores que mapeiam vazamentos e enviam os dados para um software comandado por técnicos para que a mão de obra especializada seja mandada aos locais de vazamento em menor tempo.

Em caso prático, a startup conseguiu reduzir de 41% de perda de água para 18% na rede de distribuição da cidade de Santa Barbara D’Oeste, no interior de São Paulo.

A startup é uma cria do ecossistema de inovação do interior de São Paulo, tendo nascido na incubada do Parque Tecnológico de Sorocaba.

saneamento Foto ilustrativa (Pixabay)

Fresh Room – Índia

Uma startup indiana está dedicada a mudar a visão que se tem sobre banheiros públicos. Tanto no Brasil quanto no País asiático, o segundo mais populoso do mundo, onde os banheiros públicos são vistos como uma ameaça à saúde das pessoas.

O Centro Nacional de Informações sobre Biotecnologia (NCBI), nos Estados Unidos, afirma que há uma associação significativa entre a ocorrência de infecções do trato urinário e o uso de banheiros públicos. Principalmente em mulheres.

O mundo economizaria 263 bilhões em saúde pública ao ano se todos tivessem acesso a instalações básicas de água e saneamento

UNICEF

Com o intuito de diminuir o risco à saúde nos banheiros de uso comunitário, a Fresh Rooms está colocando Internet das Coisas nas cabines, permitindo que se limpem automaticamente logo depois do uso, no esquema conhecido como “Smart Toilet”.

Além de reduzir o número de fungos e bactérias, a startup permite gerenciamento de resíduos e reciclagem de água com operações movidas a energia solar. O Fresh Room recorre também à ideia de banheiros secos, que não utilizam água para escoar os dejetos.

“A ideia por trás disso é fornecer às pessoas algumas das instalações básicas de saneamento de que precisam enquanto se deslocam ou viajam. O acesso à higiene equitativa não é apenas a chave para uma vida saudável, mas também para o desenvolvimento de um ecossistema sustentável”

Ashutosh Giri , fundador da Fresh Rooms, ao site Your Story

Ekam Eco Solutions – Índia

Solução semelhante oferece a startup Ekam Eco Solutions, com sede em Nova Déli, capital da Índia. A empresa foi criada em 2013 e produz mictórios a base de bambu e que não utilizam água. Os mictórios convencionais de lavagem com água usam de dois a quatro litros por lavagem. A tecnologia permite também equipar mictórios comuns, reduzindo a destinação de água para esse tipo de atividade.

Toilets for People (TfP) – Estados Unidos

A Toilets for People (TfP) também está interessada em reduzir o uso de água no tratamento do esgoto e reduzir a quantidade de dejetos ao ar livre.

A startup desenvolve banheiros que eliminam os dejetos a base de uma tecnologia de compostagem, desvio de urina e um kit de ventilação para produzir um banheiro que seja confortável, inodoro e fácil de manter. A ideia é atender, principalmente, comunidades que vivem em áreas sujeitas a inundações, onde as tecnologias de saneamento convencionais, como latrinas e sanitários, significam mais um problema do que uma solução.

Svadha WASH– Índia

Outra startup indiana dedicada ao saneamento é a Svadha Wash, fundada em 2014. A startup trabalha em toda cadeia de valor do saneamento básico, desde a coleta de dejetos até a oferta de banheiro populares e portáteis.

Uma das soluções é a Svadha Green, tecnologia de processamento de resíduos que converte mais rapidamente o lixo humano em composto, fundamental para evitar o acúmulo de resíduo e a proliferação de doenças.

Os banheiros pré-fabricados, chamados Svadha Quick, podem ser montados em apenas três horas e procuram atender construções de equipamentos de moradia e comerciais produzidos em larga escala em áreas com pouca disponibilidade de tijolos e pedreiros.

A Svadha atua ainda como consultora para ONGs, poder público e para empreendedores do setor de saneamento básico, que movimenta de 10 bilhões a 14 bilhões de dólares por ano com construção de banheiros, tratamento de dejetos, entre outras ações voltadas para a redução do número ainda alarmante de pessoas sem acesso a banheiro no País.

E segundo a startup o mercado de saneamento rural na Índia gira em torno de 10 bilhões a 14 bilhões de dólares. Além disso, a Índia possui 60% da população global que não tem acesso a equipamentos para despejar corretamente dejetos sólidos.

saneamento Foto ilustrativa Daniel Kirsch (Pixabay)

Sanergy – Quênia

Na África, a startup do Quênia, tem se dedicado a levar saneamento acessível a favelas urbanas. A empresa constrói instalações de saneamento de baixo custo perto de regiões populosas e sem acesso a saneamento básico. Esses banheiros são vendidos como franquias a empreendedores locais, que coletam o lixo diariamente para convertê-lo em produtos como fertilizantes, que podem ser vendidos a agricultores.

Seabin – Austrália

Este é um dispositivo para limpar oceanos e consiste em sugar todos os detritos flutuantes com o que parece um aspirador de pó, com um caixote flutuante em sua retaguarda para capturar o lixo, que vai de detritos sólidos a dejetos humanos ou mesmo combustível. Funciona melhor em superfícies calmas, como em marinas, onde se concentra a população que vive na costa.

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