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7 CEOs definem o que é inovação e o impacto nos negócios

Bradesco, Mastercard, WMCann, e outras grandes empresas apresentam, na voz dos seus CEOs, suas definições sobre inovação e seus impactos

POR Raphael Coraccini | 19/09/2019 19h13 7 CEOs definem o que é inovação e o impacto nos negócios Imagem: Shutterstock ceos sobre inovação

Inovação e seus sinônimos tentam resumir algo que, em miúdos, significa repensar ideias e ferramentas que encaminhem a resolução de todos os problemas da sociedade. É, portanto, uma linha no horizonte. No dia a dia dos negócios, porém, inovação está muito mais relacionado ao que o CEO do Bradesco, Octavio de Lazari, chama de sobrevivência.

O executivo está à frente de uma das maiores empresas do mundo do setor que talvez seja o que mais recebe os impactos da inovação. “As pessoas não vão mais em bancos”, alardeia Lazari. “O modelo de negócios está mudando. Há 5 anos, eu sabia quem eram meus concorrentes. Agora, todo dia quando acordo vejo que surgiu um concorrente novo. Concorrentes competentes, o que nos torna melhor”, diz o executivo.

Modelos para invoar

A Mastercard também experimenta a sensação de “se correr o bicho come, se ficar o bicho pega”. Empurradas pela maré que ameaça afogá-las no mar da inovação, as grandes empresas do sistema financeiro são empurradas para a caverna escura da incerteza, tateando para perceber o que está em sua frente.

A solução da empresa de cartões foi identificar formas no escuro. “Inovação passa por definir uma agenda. Nós definimos lá atrás que o dinheiro iria acabar. Hoje, o mundo discute justamente esses efeitos dos pagamentos feitos por meios digitais. O importante é termos em mente que não devemos ter uma solução única para um problema”, diz João Pedro Paro, presidente da Mastercard Brasil.

A dificuldade de se manter relevante num segmento em plena revolução é também o desafio da Alelo. Além do surgimento de inúmeras fintechs de peso, players de outros setores também entram na jogada. Diante de mudanças que vêm de todo lado, a Alelo tem levado a lógica do setor onde atua para dentro da empresa.

As ideias para inovação vêm de diferentes áreas e pessoas com a criação de uma diretoria de gente e inovação. “Nos últimos anos, falamos de cocriação dentro de um setor comoditizado”, afirma Cesário Nakamura, CEO da Alelo.

“Falamos de ecossistemas de inovação aberta, o open innovation. No entanto, também adotamos um novo modelo. Lá, fazemos o novo por meio da nossa diretoria de gente e inovação”

Pode ser paradoxal, mas em alguns casos, promover a inovação pode ser encerrar a área de inovação. Para Nelson Campelo, CEO da Atos para a América do Sul, não há nenhum contrassenso nisso. Quando a inovação vira cultura, não há sentido em manter um setor dedicado a isso.

“Falar de inovação em uma empresa de tecnologia é chover no molhado. É algo inerente do nosso trabalho, pois, do contrário, não sobreviveríamos como companhia. Isso está no mindset dos nossos funcionários e essa é a maior inovação. Todos na companhia devem falar sobre inovar”, descreve o executivo.

Revolução permanente

Estabelecer essa cultura da inovação dentro da empresa é promover uma espécie de revolução permanente dentro do ambiente corporativo, instigando não só nos colaboradores, mas principalmente nos tomadores de decisão contestar a todo momento verdades cristalizadas.

“Sobre inovação, o que me trouxe até aqui não é o que vai me levar lá para a frente”,

Luiz Fernando Musa, CEO do Grupo Ogilvy

A cultura empreendedora dentro do mundo corporativo ou fora dele é o que tem estimulado as grandes ideias a serem apresentadas e testadas, sem medo de errar. Nesse cenário, o risco é parte do negócio, mas colocar corporações em risco muito alto pode significar um perigo sistêmico. É aí que as startups se destacam. Elas podem arriscar mitigando impactos no sistema.

Segundo Hugo Rodrigues, chairman & CEO da WMcann, a ascensão de empresas de mais de 1 bilhão de dólares no Brasil no último ano mostra o tamanho do potencial inovador do País. “Os cães ladram, mas a caravana não para. Precisamos tocar o país para frente”, diz o executivo sobre a crise econômica persistente. “Existe potencial nesse país e essa economia (da inovação), ainda indefinida, cresce graças ao investimento e à mão de obra privadas”, destaca Rodrigues.

Inovação é informação, informação é poder

A inovação no setor de saúde promete deslocar os serviços para fora dos hospitais e clínicas.

As startups GymPass e Dr. Consulta estão aí para dar uma mostra do que promete ser o setor daqui em diante. Daniel Coudry, CEO da Amil, conta que a empresa espera utilizar sua base de dados sobre a saúde da população brasileira para oferecer informações aos seus clientes de como tomar conta da própria saúde e reduzir a frequência com a qual se vai ao médico ou que se busca outros serviços.

Inovação pode ser cirurgias a distância, redução no tempo de realização de exames, sistemas de avaliação de diagnósticos, como já é possível ver.

Mas, para Coudry é, principalmente, conscientizar as pessoas a tomarem conta da sua própria saúde, fornecendo dados para que a prevenção seja feita dentro de casa. “Você tem o Apple Watch e um monte de outros devices que estão monitorando a nossa saúde hoje. Mas se não mudar o comportamento, os devices não vão mudar a vida de ninguém”, diz o executivo.

Coudry aponta ainda que dar mais subsídios às pessoas é aliviar a pressão sobre o sistema público de saúde, mas também ao privado de saúde, que, segundo o próprio executivo, está “caríssimo”.

“Por isso nós temos hoje o mesmo número de clientes que tínhamos em 2012, quando já era baixo. As empresas não conseguem mais pagar a despesa de seus funcionários relacionadas a esse serviço. Essa despesa já é a segunda mais importante para uma empresa, a baixo apenas do custo do trabalho”, completa.

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