6 principais descobertas do Índice Global de Inovação de 2020 - WHOW

Eficiência

6 principais descobertas do Índice Global de Inovação de 2020

De acordo com o relatório, o capital de risco levará mais tempo para ser recuperado do que os gastos com Pesquisa e Desenvolvimento

POR Luiza Bravo | 08/09/2020 16h30 Foto: Freepik Foto: Freepik

Todos os anos, o Índice Global de Inovação classifica o desempenho em inovação de mais de 130 economias em todo o mundo. Com as expectativas de queda do PIB global devido à pandemia do novo coronavírus, como ficarão os investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D)? Veja a seguir as principais conclusões do estudo conduzido pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual, em parceria com a Cornell SC Johnson College of Business.

1.Impacto da Covid-19 na inovação e reação dos líderes 

A pandemia desencadeou uma paralisação econômica global sem precedentes. Aos poucos, as medidas restritivas começam a ser atenuadas, mas os temores de uma possível “segunda onda” da doença permanecem fortes. Segundo o estudo, a crise atingiu em cheio o panorama de inovação no mundo, juntamente em um momento que ele estava florescendo. 

Em 2018, os gastos com P&D cresceram em 5,2%, ou seja, significativamente acima do crescimento global do PIB, e o capital de risco e a utilização da propriedade intelectual atingiram o nível mais alto de todos os tempos. Agora, com a retração da economia em 2020, a questão é: será que a inovação também entrará em declínio?

De acordo com o relatório, a pandemia não mudou o fato de que o potencial para a inovação e tecnologias revolucionárias continua a ser elevado, e abandonar os investimentos nessa seara seria um erro para quem deseja garantir a competitividade no futuro. 

2. Financiamento da inovação tem diminuído com a crise

O estudo destaca que as transações que envolvem capital de risco estão em declínio em toda a América do Norte, Ásia e Europa. Com poucos IPOs à vista, as startups que sobreviverem poderão se tornar menos atraentes e rentáveis para os investidores. Em vez de financiarem novas empresas, os detentores de capital de risco começaram a concentrar-se nas chamadas “mega transações”. Esses investimentos, juntamente com a busca dos chamados “unicórnios”, não se revelaram tão interessantes quanto o esperado. 

O resultado provável desse movimento, de acordo com o relatório, é que o capital de risco levará mais tempo para ser recuperado do que os gastos com Pesquisa e Desenvolvimento. Por ser fundamental para a estratégia das empresas, especialmente em momentos de crise, existe a esperança de que a inovação não registre uma queda tão significativa quanto anunciam as previsões. 

3.O panorama global da inovação está mudando

Índice Global de Inovação Foto: WIPO 2020

As classificações do Índice Global de Inovação indicam que, em 2020, a geografia da inovação continua se transformando. Nos últimos anos, China, Vietnã, Índia e Filipinas foram as economias com o progresso mais significativo em sua classificação relativa à inovação. Todos os quatro países estão, agora, no grupo das 50 principais economias. Suíça, Suécia e EUA lideram as classificações de inovação, seguidos pelo Reino Unido e pelos Países Baixos. Este ano marca a primeira vez que uma segunda economia asiática – a República da Coreia do Sul – integra o grupo das 10 principais, ao lado de Singapura. 

4.Excelente desempenho em economias em desenvolvimento

O desempenho da inovação se revela de algumas outras maneiras além das altas classificações no IGI, revelando bons desempenhos nesse quesito por parte, também, de países com economia em desenvolvimento. 

Em primeiro lugar, o IGI 2020 identifica as economias que detêm consistentemente os melhores lugares no plano mundial em determinadas facetas de inovação do índice, como capital de risco, empreendedorismo, P&D e produção de alta tecnologia. Hong Kong e EUA lideram esse ranking; Israel, Luxemburgo e China empatam em 3° lugar; Chipre ocupa o 4° lugar; e Singapura, Dinamarca, Japão e Suíça empatam em 5° lugar. 

Algumas das primeiras posições em indicadores de inovação selecionados, no entanto, não são ocupadas por economias de alta renda. No Sudeste Asiático, por exemplo, a Tailândia é a primeira em P&D empresarial no plano global, e a Malásia é a melhor em exportações líquidas de alta tecnologia no plano global. Na África Subsaariana, Botsuana ocupa o 1° lugar em gastos com educação no plano global e Moçambique lidera em matéria de investimento global. 

5.As divisões regionais persistem

Existem ainda divisões regionais no que diz respeito ao desempenho nacional em inovação: América do Norte e Europa lideram, seguidas pelo Sudeste Asiático, Ásia Oriental e Oceania e, com maior distância, pelo Norte da África e Ásia Ocidental, América Latina e Caribe, Ásia Central e Meridional, bem como África Subsaariana, respectivamente. 

A América Latina e o Caribe continuam a ser uma região com desequilíbrios significativos, caracterizada por baixos investimentos em P&D e inovação e por uma desconexão entre os setores público e privado na priorização de inovação. Nesse contexto, a região também luta para traduzir seus investimentos com eficácia em resultados. Apenas Chile, Uruguai e Brasil, segundo o estudo, produzem altos níveis de artigos científicos e técnicos, e apenas o Brasil ocupa uma posição elevada em matéria de patentes por origem. 

6.A inovação está concentrada em clusters de ciência e tecnologia

Índice Global de Inovação De acordo com o relatório do IGI, a pandemia não mudou o fato de que o potencial para a inovação e tecnologias revolucionárias continua a ser elevado. Foto: Unsplash

De acordo com o relatório do Índice Global de Inovação, os 100 melhores clusters de Ciência e Tecnologia estão localizados em 26 economias, seis das quais (Brasil, China, Índia, Irã, Turquia e Rússia) são de renda média. Os EUA continuam a abrigar o maior número de clusters (25), seguidos pela China (17), Alemanha (10) e Japão (5). 


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