Empreendedorismo, 6 dicas de CEOs para quem deseja ingressar
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6 dicas de CEOs para quem deseja ingressar no empreendedorismo

CEOs da Volanty, Flores Online, Mundiale e outras startups compartilham suas experiências para quem deseja empreender em 2021

POR Eric Visintainer | 23/02/2021 17h04 6 dicas de CEOs para quem deseja ingressar no empreendedorismo Arte Grupo Padrão (Flavio Pavan)

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o índice de desemprego no Brasil chegou a 14,1% no final do terceiro trimestre de 2020 ― um aumento de 7,1% em relação ao trimestre terminado em julho, com quase 1 milhão de pessoas a mais sem trabalho e fonte de renda.

Em 2019, cerca de 52 milhões de brasileiros possuíam um empreendedorismo, de acordo com o Global Entrepreneurship Monitor (GEM). E ao longo do último ano, mais de 1,4 milhão de novas microempresas (MEI) foram abertas no país, segundo o Sebrae, registrando o maior número de novas MEIs em um único ano na história.

Em tempos de desemprego e desigualdade econômica, o empreendedorismo cresce e se torna uma saída para amenizar o desemprego. Assim, o portal Whow! separou dicas de seis CEOs para empreendedores que desejam abrir a própria empresa ou startup, mesmo na crise no cenário de 2021, seja como alternativa profissional, seja para dar vida a um sonho ou novo desafio.

6 dicas de CEOs para empreendedores em 2021

Maurício Feldman, CEO da Volanty

Empreender no Brasil é bastante desafiador. Para quem quer começar a empreender, minha dica é que esteja aberto para ouvir experiências de quem já está no mercado. Converse com empreendedores, pergunte, escute seus aprendizados e estude. Estude o mercado, o público, os gaps em que você pode alavancar o negócio e ter um diferencial importante.

Há diferentes possibilidades e cursos disponíveis no mercado, além do conhecimento ser essencial, esse também é um ambiente para fazer networking e se conectar com outros negócios”, aponta o empreendedor da plataforma de compra e venda de carros que já recebeu US$23.4 milhões em aportes desde a sua fundação em 2017.

Bruno Doneda, CEO da Contraktor

“Primeiro, o empreendedor precisa entender que o mundo vai ser diferente no pós-pandemia. Então vai existir o mundo antes e depois da Covid-19. Mesmo depois da vacina, as pessoas não vão se comportar como antes. Ainda que a vacina resolva esses desafios que estamos vivendo no momento, que amenize a situação, tudo será diferente. O empreendedor também precisa considerar que virão outras situações desafiadoras no futuro, que vão nos forçar a passar por algo inesperado e talvez até semelhante com o momento atual.

Então, ele precisa pensar em um tipo de negócio que seja blindado ou que possa se adaptar a essas situações. A pandemia de coronavírus é um marco na história, que acaba revirando diversos conceitos, comportamentos, crenças e costumes das pessoas na sociedade. Isso acaba matando alguns modelos de negócios, mas impulsionando outros. E ainda existem os que não foram postos em prática.

O grande ponto é ficar com o olho muito aberto para essas oportunidades, que estão na cara do gol e ninguém percebeu ainda”, comenta o cofundador da startup de gestão de contratos e assinatura digital.

Luiz Torres, CEO da Flores Online

“Empreender nem sempre é uma tarefa fácil. Exige dedicação, estudo, análise e ainda temos questões muito burocráticas para serem resolvidas no Brasil. Por isso, não é só importante você ter um negócio que seja inovador, mas também que saiba onde investir seu tempo, com inteligência, para que suas operações funcionem perfeitamente.

Parar e pensar onde estão os pontos que você pode melhorar, o que exige mais tempo e atenção e onde se pode otimizar processos são essenciais para trazer resultados positivos e manter o seu público satisfeito. Procure estar sempre próximo de seus parceiros, ajude-os nos momentos de crise e não pense só no seu negócio. Pense naquilo que você pode fazer pelo mercado também. Essa é uma boa combinação e diferencial para quem deseja empreender”, diz o empreendedor que, ao lado do Lucas Buffo, assumiu o comando da empresa em 2017 e depois anos depois registrou a marca de 200 mil pedidos.

Raphael Carvalho, CEO da Spot Metrics

“Empreender com toda a ajuda já é difícil, mas acredito que é muito pior sozinho! Minha sugestão é procurar por mentores que estejam em linha com o desafio que você e sua startup têm pela frente. Livros são uma excelente fonte. Eu sou viciado em leitura, mas acredito que uma conversa com quem já tenha experiência é muito mais eficiente.

Usualmente ficamos apreensivos em nos aproximarmos das pessoas e pedir ajuda, mas você pode se surpreender com a receptividade das pessoas, sobretudo com empreendedores. Eles sabem mais do que qualquer um, que empreender é uma tarefa árdua mas que, com ajuda de quem tem expertise no assunto, tudo fica muito mais claro e a trajetória flui com mais leveza e assertividade. Além disso, lembre-se: o networking é fundamental neste processo”, comenta o CEO da empresa focada em inteligência de mercado.

Gustavo Pena, CEO da Mundiale

“O olhar para o mercado é uma das dicas mais importantes quando se decide empreender. Negócios digitais e de saúde são nichos que se revelaram promissores no cenário dos últimos meses. Juntar os dois, então, como as healhtechs, que passam por um ótimo momento, pode ser uma ideia interessante. Mas, qualquer que seja o ramo, é preciso estudar o mercado e o negócio. Um bom empreendimento precisa resolver um problema ou uma dor da sociedade. Muitas vezes não é necessário uma nova tecnologia e sim uma nova maneira de ver o problema e de resolvê-lo com as ferramentas já existentes”, comenta Gustavo que faz a gestão da empresa dedicada aos pontos de interação de clientes com as marcas.

Eduardo Henrique, CEO da Wavy Global

“Se aventurar no universo do empreendedorismo não é uma tarefa para quem não está a fim de sair da zona de conforto. Isso porque os impasses e percalços do caminho são muitos, o que requer um alto nível de resiliência para seguir firme com os desafios que surgirem. Porém, com dedicação e um olhar visionário para o futuro, há algumas chances de dar certo. A dica que deixo é escolher suas parcerias com cautela para que seja feito o melhor para o negócio. Além disso, busque referências de cases de sucesso e tenha sempre em mente que se reinventar deve ser uma prática diária.

Faz parte de bons processos de inovação idealizar, testar, executar, analisar, aprimorar e testar novamente, sendo necessário coragem e persistência para arriscar abordagens pouco convencionais. O mercado é intenso, independente da área em que se atua, e quem não surfa a onda da inovação e da tecnologia, não tenha dúvidas: ficará para trás”, diz o CEO da empresa que faz parte do unicórnio brasileiro, o Grupo Movile.


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