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Tecnologia

5G poderá ser nociva para pequenos agricultores

Esta tecnologia é pré-requisito para transformação do agronegócio, mas 70% das propriedades agrícolas no Brasil não têm sinal de internet

POR Carolina Cozer | 03/11/2020 12h41

Muito se fala sobre como a 5G e a transformação digital estão mudando a indústria do agronegócio, com seus drones, sensores IoT e armazenamento em cloud computing, que monitoram climas, pragas e automatizam processos. Mas uma realidade pouco abordada é a dos pequenos agricultores, cujos negócios orbitam em áreas rurais de baixo ou nenhum acesso à internet.

Que a 5G irá transformar todas as áreas de negócio isso todos sabem; mas como será essa transformação em ambientes onde não há sequer sinal de 2G ― que representam 70% das propriedades agrícolas no Brasil, segundo o IBGE?

5G: inacessível para a maioria

Essa realidade não é exclusividade do Brasil. De acordo com o estudo International Center for Tropical Agriculture (CIAT), agricultores de todos os países de segundo e terceiro mundo se deparam com o mesmo dilema de dependerem de cobertura de rede para que seus negócios cresçam e gerem competitividade, mas não conseguem dar nenhum passo nesse sentido, já a matéria-prima necessária está inacessível a eles.

Segundo o estudo, apenas 25% das famílias de agricultores no México têm acesso à internet. Na África esse número chega a menos de 40%, e o acesso à redes 4G necessárias para rodar aplicativos mais sofisticados é de apenas 9%.

Em muitos casos o acesso de redes de 3G ou até mesmo 4G estão disponíveis, diz o CIAT, mas os custos de acesso à internet ultrapassam as possibilidades de aquisição de muitas famílias de regiões rurais.

Segundo o estudo, os custos dos dados são baseados na renda da população média dos países. O levantamento mostra que o custo de se engajar na economia digital ainda é impossível para os 10% mais pobres das populações de 83 países na África, Ásia e América Latina e Caribe.

Zia Mehrabi, cientista da Universidade de British Columbia que liderou a análise CIAT, contou à Forbes que a implementação da 5G sem um olhar ao pequeno produtor rural só irá aumentar a desigualdade. “A 5G já está chegando em muitos lugares. Mas se o acesso não for abordado em tecnologias de baixo custo, ela só vai agravar a divisão de classes”, conta.

Andy Jarvis, co-autor do levantamento, complementa: “O estudo aponta para a necessidade não apenas de expandir a cobertura, mas também de reduzir enormemente os custos para torná-la acessível. Precisamos considerar a conexão digital como uma necessidade básica, e projetar inovações de próxima geração para funcionar em todos os cantos da África.”

Inovações podem ser a solução

As inovações serão necessárias para preencher lacunas e resolver os problemas de desigualdade promovidos pela 5G, segundo o CIAT, como a criação de aparelhos de celular acessíveis e capazes de uma experiência de banda larga contínua; a redução dos custos de dados; e instalação de infraestrutura no campo, como torres de celular e energia.

De acordo com a Forbes, algumas tecnologias já estão sendo produzidas a fim de preencherem essas lacunas, como os satélites da Starlink, cujo objetivo é fornecer internet de alta velocidade globalmente, de maneira econômica. Para isso, a empresa está lançando uma série de satélites no espaço na tentativa de povoar a maior parte possível de pontos da Terra, para que recebam sinal de internet.

O projeto Loon, do Google, tem uma missão semelhante, mas em vez de satélites, a big tech está utilizando balões na estratosfera, a uma altitude de 18 km a 25 km, para criar uma rede sem fio aérea com velocidades de até 1 Mbps.


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