5 hubs de startups para conhecer - WHOW
Tecnologia

5 hubs de startups para conhecer

Brasil entra na lista de hubs de startups feita pelo Fórum Econômico Mundial, junto com Singapura, Coreia do Sul, Israel e Quênia

POR Adriana Fonseca | 13/10/2020 19h06

Não, não vamos aqui falar do Vale do Silício, na Califórnia, residência de muitas startups e multinacionais de tecnologia, como Apple, Google e Facebook. Muitas das soluções inovadoras que o mundo está vendo emergirem não vêm de lá, mas de outros hubs de startups que estão espalhados ao redor do mundo. São locais com ecossistemas empreendedores bastante fortes e maduros e que trazem, além disso, sua própria cultura e valores.

O Fórum Econômico Mundial mapeou cinco hubs de startups pelo mundo: Brasil, Singapura, Coreia do Sul, Israel e Quênia. Saiba o que a instituição tem a dizer sobre esse cinco ecossistemas.

1. Brasil

De acordo com o relatório Ecossistema Global de Startup 2020, do Startup Genome, São Paulo é a única cidade da América Latina entre os 30 maiores hubs de startups globais, “um claro sinal de que a cidade está liderando o cenário de startups da região”, afirma o Fórum. A instituição destaca o tamanho da nossa população ― 200 milhões de pessoas ― e o fato de o país ser a oitava maior economia do mundo, o que resulta em um grande mercado interno com elevada penetração de smartphones e uso de internet, ambos significativamente acima da média global. Aqui, segundo o Fórum, as startups têm acesso a uma ampla gama de opções de financiamento de grandes investidores nacionais e internacionais, bem como a um pool de talentos de universidades.

O Fórum menciona ainda as iniciativas do governo brasileiro para aumentar o ecossistema de startups do país, mas pontua que existem limitações, pois muitas dessas políticas não refletem a verdadeira natureza do ecossistema.

Segundo os dados levantados pelo Fórum, as fintechs têm a maior proporção tanto no número de negócios quanto no valor investido, “e é claramente um dos principais impulsionadores do cenário de startups do Brasil”. Colaboram para o sucesso do setor o alto uso de celulares no país e uma maior população de jovens, bem como um ambiente favorável de regulamentação de fintechs. 

A instituição também destaca que startups inovadoras estão surgindo com soluções para automatizar o antigo setor imobiliário, “o que torna o setor proptech uma perspectiva promissora”, e menciona as startups que estão na vanguarda da revolução nos processos de contratação tradicionais do Brasil – as HRtechs.

2. Singapura

Singapura ficou em primeiro lugar no último Relatório de Competitividade Global do Fórum Econômico Mundial, tanto no geral quanto em fatores como infraestrutura, saúde, funcionalidade do mercado de trabalho e desenvolvimento financeiro. O país ocupou a 13ª posição em termos de capacidade de inovação e possui inúmeros fatores que atraem empreendedores. Além de uma forte conexão local e um fluxo de talento de alta qualidade proveniente de instituições competitivas, o governo está no centro de um esforço para implementar várias políticas favoráveis ​​para atrair startups e talentos. Isso inclui redução e isenção de impostos, concessões e incubação de empresas e infraestrutura de execução. 

Graças a esses esforços, o investimento em Singapura aumentou de US$ 2,39 bilhões em 2017 para US$ 8 bilhões em 2019, de acordo com a Enterprise Singapore. O valor total do investimento em startups de alta tecnologia aumentou 260%, de US$ 160 milhões para US$ 580 milhões no mesmo período. Segundo estudo da Accenture, os investimentos em fintechs chegaram a US$ 861 milhões em 2019, mais que o dobro do valor arrecadado em 2018 no país. 

Segundo o Fórum, o sucesso do setor de fintechs do País deve-se em grande parte ao regulador financeiro do estado, a Autoridade Monetária de Singapura (MAS), que fornece vários tipos de suporte ― incluindo medidas regulatórias e uma plataforma de troca de API para permitir experimentos, bem como desenho rápido e implantação de soluções potenciais.

3. Coreia do Sul

A economia da Coreia do Sul é impulsionada principalmente por grandes empresas como Samsung e LG, que reconheceram a importância das startups como um impulsionador de seu sucesso econômico contínuo. O Tech Incubator Program for Startups, um programa de incubação liderado pelo governo, descobre e desenvolve startups promissoras a partir de financiamento governamental. Como o governo não pega em troca nenhum patrimônio e fornece esses fundos sem quaisquer obstáculos, as startups podem aspirar alto sem ter que se preocupar com o potencial fracasso. Isso, segundo o Fórum Econômico Mundial, mudou o cenário, especialmente porque a cultura local tem forte aversão ao risco.

Em 2019, mais de US$ 3,5 bilhões em recursos chegaram ao mercado ― um aumento de 25% em relação ao ano anterior. Serviços de TIC, biotecnologia e comércio foram três setores que tiveram um aumento significativo no financiamento.

4. Israel

Israel tem a maior concentração de startups per capita global. Com quase nenhum recurso natural disponível, o país buscou um caminho para inovar em setores como água, agricultura e TIC. O espírito de ‘chutzpah’ (uma palavra iídiche que significa audácia e extrema autoconfiança), o questionamento constante e o desafio do status quo, combinados com um objetivo ambicioso de atingir mercados globais devido ao seu pequeno mercado interno, criaram uma mentalidade empreendedora agressiva no país. Gigantes globais da tecnologia, como Google e Microsoft, viram enormes oportunidades e potencial em Israel, e apoiam startups no país com investimentos e aquisições. Muitos empreendedores que passam por saídas bem-sucedidas se tornam empreendedores em série e patrocinadores de novas empresas que estão sendo formadas pelo grande fluxo de capital humano em Israel, e esse ciclo virtuoso mantém o ecossistema sustentável e vibrante.

As startups israelenses levantaram um recorde de US$ 8,3 bilhões em financiamento em 2019, aumento de 30% em relação ao ano anterior, graças ao maior investimento de capital estrangeiro, impulsionando setores como software, internet, ciências da vida e semicondutores.

5. Quênia

O cenário de startups na África tem sido cada vez mais dinâmico, segundo o Fórum Econômico Mundial. O investimento total em startups no continente ultrapassou a marca de US$ 2 bilhões em 2019. Uma população crescente, juntamente com a recente adoção de dispositivos móveis, permitiu que várias startups digitais prosperassem ― e o Quênia está no centro dessa história.

Com o inglês como idioma nativo, talentos de várias universidades estão atraindo uma série de empresas iniciantes para estabelecer sua sede por lá. A internet confiável, bem como uma excelente infraestrutura de pagamento online, está permitindo que muitos modelos de negócios baseados em dispositivos móveis prosperem. Além disso, o governo apoia os empresários no crescimento e na ampliação de suas ideias por meio de sua iniciativa Enterprise Kenya.

O Quênia é considerado um dos mercados emergentes mais atraentes para a implantação inicial de 5G, e o governo também tem planos ambiciosos para criar a chamada Savana do Silício, que espera gerar 2% do PIB em uma década. Há, entretanto, algum espaço para melhorias. As leis trabalhistas do Quênia nem sempre são adequadas para atender as startups e há uma falta de políticas específicas para as empresas em relação à fundação e financiamento.


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