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4 novas profissões que surgiram depois das startups

Conheça algumas profissões novas que surgiram junto com o desenvolvimento das startups e com o trabalho superespecializado

POR Raphael Coraccini | 08/10/2019 17h28 Unsplash Unsplash

As revoluções tecnológicas sempre causam um impacto profundo no mercado de trabalho. Com o tempo, os profissionais que foram desalojadas pelas novas tecnologias acabam sendo realocados em novas profissões. Que o digam os datilógrafos da era anterior aos desktops, que foram substituídos pelas máquinas para serem, logo em seguida, recontratados para operá-las.

O êxodo rural em direção às cidades foi fruto da redução dos postos de trabalho e da propriedade de terras no campo. Depois de várias transformações, a indústria já não tinha mais a capacidade de absorver trabalhadores como nos séculos 19 e primeira metade do 20. Esses trabalhadores encontraram seu lugar no comércio e, depois, nos serviços.

O próximo passo da revolução tecnológica se mantém dentro do setor de serviços, mas com empregos que pedem maior especialização. As primeiras fases da automação compreenderam treinar robôs a operar em escala geométrica atividades que os homens fazem em escala aritmética. Agora, na era das startups, treinar robôs em desenvolvimento é só uma das opções. As novas profissões caminham na direção de treinar e organizar especialistas e desenvolver sistemas complexos de negócios. É a superespecialização do trabalho.

Conheça algumas profissões que surgiram com as startups

UX Writer

A experiência do consumidor tem agora um roteirista, que é, geralmente, um jornalista, publicitário ou mesmo um psicólogo. Esse profissional será responsável por criar as conexões entre a inteligência artificial de um robô de atendimento e o mundo real, o mundo do outro lado da linha ou seja lá qual for a interface de atendimento.

As empresas de atendimento que estão entrando na era da automação trabalham com bibliotecas de termos que são compreendidos pelos robôs para que eles realizem o atendimento do consumidor da maneira mais próxima de um atendimento humano.

O que o UX Writer faz é projetar. Ele precisa saber os caminhos do atendimento, as necessidades do consumidor. Isso explica a adesão de psicólogos a esse novo campo

Os comunicadores têm também a habilidade de conectar ideias convertidas em palavras e as várias dimensões e significados de cada uma delas.

O roteiro de atendimento pode compreender diferentes bibliotecas preparadas e conectadas pelos UX Writer, que são munidos de dados capturados por ferramentas de big data. Ou seja, a ferramenta capta uma infinidade de conversas, identifica termos usuais e o UX Writer faz as conexões de maneira que façam sentido para o cliente.

Essas bibliotecas têm não só os significados ortodoxos das palavras de determinado idioma, mas também os significados próprios de cada campo de atuação. Por exemplo, um pé direito para uma clínica de saúde não tem nenhuma semelhança com um pé direito para um escritório de arquitetura. Essa simples diferenças precisam ser programadas nas máquinas de atendimento com a ajuda do conhecimento humano.

Agile coach ou delivery coach

Esses profissionais precisam ser capazes de orientar times extremamente técnicos e de maneira veloz. A metodologia agile está inserida no gerenciamento de projetos e utiliza ciclos curtos de desenvolvimentos de produtos ou serviços.

futuro Pixabay

Times extremamente técnicos são autossuficientes, mas precisam de orientação para que as capacidades sejam reunidas e seus potenciais aplicados no menor tempo possível para projetos realizados dentro de um sprint (um período determinado de tempo onde todo o trabalho precisa ser realizado).

O agile coach ou delivery coach é recrutado para atender mercados de mudanças recorrentes e pujantes. O coach não precisa ser necessariamente um especialista na área, mas ele precisa ser ouvido pelos especialistas

As metodologias ágeis são discutidas desde os anos 70, com destaque para os escritos de William Royce e suas propostas de desenvolvimento de grandes sistemas de software. O livro “Extreme Programming Explained: Embrace Change”, de Kent Beck, trouxe a definição do papel do coach nesses modelos ágeis de desenvolvimento de projetos.

Inicialmente voltado para desenvolvimento de softwares complexos, os modelos ágeis de desenvolvimento de projetos passaram a ser implementados para todo e qualquer squad que seja capaz de gerar suas próprias soluções.

Customer Success

Para Lincoln Murphy, é importante entender a diferença entre o sucesso do cliente e o gerenciamento desse sucesso. O primeiro é algo filosófico, ou seja, busca questionar o que o cliente entende por sucesso quando ele entra em contato com uma empresa: é agilidade, qualidade, um pouco dos dois, novos produtos ofertados? O gerenciamento do sucesso é o modelo operacional para fazer isso acontecer. É aí que atua o Customer Success.

Esse profissional se dedicará a descobrir duas variáveis durante a experiência do consumidor: resultados necessários e experiência apropriada. Resultados necessários se referem ao que o cliente deseja alcançar, enquanto a experiência apropriada está relacionada a como ele precisa alcançar.

Assim como o agile coach, o customer success é uma profissão originada no mundo da tecnologia. Tratava-se do profissional que auxilia o cliente a usar o software depois de adquirido. Hoje, essa profissão expande seus horizontes para outros atendimentos, muito além de softwares. No mundo das novas soluções, com todo tipo de aplicativo e novas tecnologias, com ferramentas de uso não tão óbvio, o customer success deve ganhar terreno nos próximos anos.

Startup Hunter

Descobrir grandes negócios para quem tem dinheiro para investir. Essa é uma das missões do startup Hunter, termo herdado da definição head hunter, aquele profissional dedicado a caçar bons especialistas no mercado para serem absorvidos para áreas estratégicas das empresas. Agora, a missão do startup hunter é achar negócios estratégicos no meio do turbilhão de startups que nascem e morrem todos os dias.

Quando se fala em investidores, não são só investidores-anjo ou venture capital, mas também empresas interessadas em startups para fazer parceria ou para absorver que tenham fit com seus negócios.

“Ser um startup hunter é estar no ecossistema de investidores, acadêmicos, mentores e corporações. Precisa desenvolver um olhar para conhecer os empreendedores, ser mais “o cavaleiro do que o cavalo”’

Alexandre Uehara, consultor de inovação corporativa e professor na pós-graduação da FIAP

O contato entre startups e startup hunters acontece por iniciativa de qualquer um dos lados, mas tendo a missão de levar as boas oportunidades aos investidores e empresas, o profissional precisa ser proativo.

“A pessoa precisa ser bem analítica e investigativa, independentemente da sua formação acadêmica ou onde trabalhou. Precisa entender em pouco tempo e poucas palavras, o que as startups fazem e qual tecnologia usam, além de entender as dores das corporações”, completa Uehara.

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