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4 aprendizados da CEO da Vittude para decolar a sua empresa

Tatiana Pimenta está à frente da Vittude, depois de uma carreira de 15 anos em grandes empresas. Aqui ela compartilha o que aprendeu como empreendedora

POR Adriana Fonseca | 04/10/2019 20h07 4 aprendizados da CEO da Vittude para decolar a sua empresa

A Vittude, plataforma online que conecta psicólogos e pacientes, completou três anos de vida em setembro. À frente da startup como CEO está Tatiana Pimenta, uma engenheira de formação que se apaixonou pela psicologia, pelo estudo do comportamento humano, da felicidade e pelo desenvolvimento de times de alta performance.

Depois de mais de 15 anos de experiência profissional, ocupando cargos como executiva em empresas de grande porte como Votorantim Cimentos e Arauco, ela decidiu empreender com a Vittude.

Hoje, a startup tem mais de 14 mil usuários e cerca de 3 mil psicólogos cadastrados. O negócio cresce, em média, 20% ao mês desde dezembro de 2017.

“Nos últimos três anos, acumulei mais conhecimento do que nos outros 15 anteriores de carreira. Tive mais satisfação e mais alegrias do que qualquer promoção, atingimento de metas ou recebimento de bônus polpudo”, diz Tatiana, que decidiu compartilhar o que aprendeu exercendo o papel de CEO.

Em paralelo à vida profissional, a empreendedora faz terapia há mais de sete anos, é maratonista amadora e praticante de mindfulness.

Veja abaixo quatro aprendizados que podem servir para quem também empreende ou pretende abrir o próprio negócio.

CEO Foto Unsplash

1.Escolha um bom sócio

Quando eu digo bom, não quero apenas dizer competente. É preciso que sócios sejam complementares, que tenham skills capazes de fazer o negócio funcionar enquanto os recursos financeiros ainda são escassos. O ativo mais precioso de uma startup são os founders, seu poder de criação e capacidade de execução. É preciso engajamento e resiliência. Vocês precisam acreditar em valores semelhantes, para que possam criar uma cultura forte.

Uma sociedade é muito semelhante a um casamento. Exige dedicação, paciência, cumplicidade e respeito. Vocês terão momentos difíceis e um precisará segurar a onda do outro quando as coisas estiverem difíceis. Perdi as contas de quantas vezes o Everton [Höpner, sócio de Tatiana na Vittude] me olhou nos olhos e afirmou: vai dar certo! Isso quando eu achava que estávamos perto do fim. Em outros momentos, a proximidade do término do caixa deixou ele desanimado e foi a minha vez de bater no peito e dizer, confia em mim, o investimento vai sair.

Enquanto eu sou a extroversão em pessoa, ele é analítico, preciso e direto. Enquanto eu sonho, faço mil planos, ele me puxa para o chão e mostra a realidade. Essa estrutura complementar é o combustível que nos move e, também, uma das grandes razões do crescimento da Vittude até aqui.”

2.Contrate devagar e demita rápido

“Atrair os melhores talentos é um desafio para qualquer organização. No entanto, em um estágio inicial, ter as pessoas corretas no time faz toda a diferença. O time precisa estar 100% comprado no propósito da startup, precisa ter brilho nos olhos e faca nos dentes. É necessário não somente competências técnicas, mas acima de tudo comportamentais. Um grupo desengajado ou desalinhado pode ser a receita certa de fracasso.

Para evitar que isso aconteça, invista boa parte do seu tempo no recrutamento. Trazer as pessoas corretas para o barco é um dos papéis do CEO. Tenha atenção ao processo de seleção, faça perguntas estratégicas, observe pontos cruciais como timing de vida do candidato.

Uma startup demanda muita energia no início, isso significa foco e muitas horas de trabalho. Se uma pessoa está querendo fazer um intercâmbio, cursar uma segunda faculdade, casar, viajar, ter filhos ou qualquer outra atividade que possa concorrer com a empresa nesse primeiro estágio, talvez ela não seja a pessoa certa. Pode ser no futuro, quando a empresa estiver mais estruturada e capitalizada.

Percebeu que contratou errado ou mesmo que as duas partes (empresa e colaborador) estão com expectativas desalinhadas, não hesite em encerrar o vínculo.

Por experiência própria, procrastinar uma decisão de demissão tem um efeito devastador. Corrói a cultura, desmotiva outras pessoas e pode trazer muita dor de cabeça. Tomar decisões difíceis dói, principalmente quando estamos falando de pessoas que gostamos. Porém, não decidir é mais dolorido. A minha demora em desligar uma pessoa desalinhada no passado custou um turnover de 100% pouco tempo depois. Hoje dou risada da situação.

Posso afirmar que contratar devagar e demitir rápido tem sido um dos meus maiores aprendizados.”

CEO Foto (Pixabay)

3.Crie uma cultura forte

“Não importa a cultura, desde que ela seja forte! Já diria Peter Drucker, a cultura come a estratégia no café da manhã. No final de 2018 começamos um trabalho de cultura organizacional na Vittude. Com o apoio de um mentor, definimos um conjunto de cinco valores que refletem o que meu sócio e eu acreditamos. Dentro de cada valor, listamos quatro atitudes ou comportamentos esperados de nós e também do time. Tendo como base um trabalho de Ram Charan [consultor de negócios, palestrante e escritor indiano que vive nos Estados Unidos], estruturamos uma régua, com uma pontuação de 1 até 4, que mensura a aderência de cada um aos valores da empresa.

Um dos nossos valores, por exemplo, é atitude de dono. Para esse valor, temos as seguintes expectativas:

Dono é sempre aquele que faz algo a mais;

Coloca o cliente em primeiro lugar;

É ousado e assume riscos conscientes;

É curioso, está sempre buscando novos conhecimentos;

Considerando o item “cliente em primeiro lugar”, uma nota 1 é atribuída quando não escutamos o cliente, demonstramos pouca empatia, demoramos a dar retorno ou solucionar os problemas. Clientes internos também são considerados clientes! Na outra ponta, para receber um 4 é preciso ser verdadeiramente apaixonado pelo cliente, tomar ações para surpreender, engajar e criar fãs. É preciso estar preocupado em melhorar o produto ou serviço, a usabilidade, a experiência, inclusive ajudando o time de produto e tecnologia a desenvolver novas funcionalidades com base nos feedbacks recebidos.

Essa régua é usada para balizar uma entrevista por competências, por exemplo, de forma a assegurar a contratação de pessoas com aderência cultural. E também é usada para reforçar a cultura, reter, promover e desligar pessoas do time!

Depois da experiência do turnover citada acima, garanto a vocês, cultura forte é fundamental. Seu time precisa vibrar na mesma intensidade que os fundadores, principalmente no early stage.”

4.Celebre cada pequena vitória

“Curta a jornada. Não olhe somente para o fim, o caminho tem que valer à pena, ou você perderá a vontade de levantar todos os dias da cama para mudar o mundo. Bateu meta? Comemore, grite, pule, ria, abrace seu time, saia para almoçar, faça um churrasco, leve todo mundo pro boteco. Vale qualquer coisa, só não vale passar batido!

Recebeu uma nova rodada de investimentos? Estampe um baita sorriso no rosto, dê gargalhadas, expresse sua gratidão, vibre! A vida é feita de pequenos momentos, de pequenas conquistas e grandes lembranças. Siga sonhando, realizando e celebrando. Como diria Jorge Paulo Lemann [empresário e um dos homens mais ricos do Brasil], sonhe grande, pois dá o mesmo trabalho que sonhar pequeno.”


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