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3 startups que estão transformando o meio ambiente do Brasil

VG Resíduos, Biosolvit e KEMIA trouxeram soluções inovadoras e transformadoras no mercado de gestão ambiental. Veja os cases

POR Carolina Cozer | 28/04/2020 11h21 3 startups que estão transformando o meio ambiente do Brasil Imagem: Pixabay

Startups de gestão ambiental enfrentam desafios adicionais na missão de inovar e manter crescimento escalável enquanto causam transformações de impacto sustentável. O ranking 100 Open Startups ajuda a manter o tracking de quais empresas estão realmente trazendo a inovação de que precisamos para enfrentar mudanças climáticas.

Exploramos abaixo três cases de startups brasileiras engajadas na missão de contribuir para um mundo melhor, abordando oportunidades e desafios do setor. 


VG Resíduos

Top 1 na categoria Environment do Ranking 100 Open Startups 2019

A startup fornece soluções de resíduos para empresas, com a garantia da rastreabilidade dos resíduos desde a sua geração até o transporte e a sua destinação, otimizando processos. O CEO Luiz Guilherme Arruda explicou ao Whow! que a empresa se responsabiliza pelas documentações necessárias dentro desses processos, além de gerar relatórios e indicadores para melhoria da gestão de resíduos e fornecem uma plataforma de matchmaking que encontra melhores destinadores ou compradores de resíduos para cada caso.

Segundo Luiz, o mercado de resíduos ainda é bem informal, e é um grande trabalho convencer a cadeia sobre a importância e os benefícios de se fazer uma gestão residual completa. “A gestão das empresas ainda não é tão sofisticada, e os próprios destinadores e recicladores ainda têm muita informalidade. É um trabalho grande de convencer as empresas não só dos benefícios financeiros, mas de garantir a sustentabilidade do país. [Funciona] até como benefício para as marcas, porque sabemos que os consumidores consideram bastante as políticas de sustentabilidade das marcas”, explicou.

Em relação à crise da Covid-19, o CEO comenta que as operações da empresa continuam normais, uma vez que o contato com os clientes já se dava de modo remoto. “Nossos clientes, alguns foram impactados. Tivemos alguns problemas com negociação de redução de pagamentos, como a área automobilística, por exemplo. Mas tivemos outros tipos de clientes, como das áreas alimentícia, química e produtos de limpeza, que estão a todo vapor”, afirmou. “O setor de resíduos foi afetado, mas não completamente, porque temos diferentes tipos de indústrias como clientes. Acabou que um compensou a perda do outro.”

Por fim, Luiz Guilherme diz que a visão da startup para o futuro é criar um mundo sem resíduos e mais habitável para as próximas gerações. 

“Não acreditamos que as empresas vão utilizar toda a matéria-prima delas, mas que vão conseguir aproveitá-las ou vendê-las para outras indústrias ou recicladores. Nossa visão é, através de ferramentas de tecnologia, incentivar o reaproveitamento dos resíduos e da gestão alinhada com a preservação ambiental”

Luiz Guilherme Arruda, CEO da VG Resíduos

meio ambiente Imagem ilustrativa (Pexels)


Biosolvit

Top 4 na categoria Environment do Ranking 100 Open Startups 2019

A catarinense Biosolvit é uma startup de biotecnologia que desenvolve novos materiais a partir de resíduos orgânicos descartados em lavouras ou outras produções. O conceito da empresa, segundo o CEO Guilhermo Pinheiro de Queiroz, é a economia circular, ou seja, o reaproveitamento de matérias para a criação de algo novo. Para isso, utilizam o intermédio de pesquisadores associados através de uma plataforma digital.

Na essência, de acordo com o CEO, a Biosolvit é um hub de inovação com uma base estruturada na sustentabilidade.

A gestão ambiental está completamente envolvida no negócio. De acordo com Guilhermo, isso ocorre desde o reaproveitamento dos resíduos até a utilização de substitutos à degradantes do meio ambiente, ou através de absorvedores de petróleo, por exemplo. Todas essas soluções oferecidas pela empresa evitam ou remediam acidentes graves à natureza, como o derramamento de petróleo.

Como principais desafios do segmento no Brasil o executivo explica que dizem respeito à gargalos com propriedades intelectuais, além da presença no mercado. “A sustentabilidade ainda é tida como algo muito caro. Na Biosolvit entendemos que não existe sustentabilidade sem viabilidade econômica, ou seja, faz sentido falar nisso desde que o preço seja justo, mais barato ou mais eficiente, ou a relação econômica seja mais interessante para nosso cliente”, comentou ao Whow!.

Ele reitera que a missão final da Biosolvit é fazer um mundo melhor ― se não para todos, para aqueles que puderem estender as mãos. 

“Nós fizemos uma pequena revolução na reutilização de fibra vegetal de uma indústria alimentícia. No Estado de Santa Catarina, uma só pequena indústria desperdiça duzentas toneladas de biomassa por mês. Nós conseguimos fazer um aproveitamento grande dessa biomassa em uma única indústria. Estamos recuperando uma parte consistente dessa indústria, e esperamos que, com nosso crescimento, possamos ajudar muito mais”, disse Guilhermo.

Nossas soluções também geram impacto positivo nos nossos clientes, que deixam de  consumir produtos que degradam o meio ambiente ou previnem acidentes ambientais graves.”

Guilhermo Pinheiro de Queiroz, CEO da Biosolvit


KEMIA

Top 5 na categoria Environment do Ranking 100 Open Startups 2019

A também catarinense KEMIA trabalha com o tratamento de águas e todos os tipos de despejos líquidos, sejam eles de empresas ou da população. A startup, assim, trata esses efluentes para que voltem ao meio ambiente de forma correta, atentando às legislações ambientais. “Também estamos nos destacando por fazer ações de reuso dessa água, ou seja, ao invés de levar para o meio ambiente, voltamos essa água para o próprio processo, gerando economia”, explica Rafael Celuppi, sócio-diretor da empresa. “Como há muitas regiões com falta de água, esse pessoal nos procura para fazer reuso, ou também para diminuir custo até de água potável. Por isso desenvolvemos tecnologias para tratamento diferenciadas, que atendam efluentes de difícil tratabilidade.”

A inovação correu nas veias da KEMIA desde o início. Rafael Celuppi explica que tudo começou de um processo de inovação chamado eletrocoagulação ― tecnologia que ainda está sendo aperfeiçoada pela empresa. “Nós nascemos disso, então a nossa origem é da inovação, de fazer testes”, diz.

Felizmente, a crise do coronavírus teve um impacto pequeno para a startup, que possuiu muitos contratos que foram abertos no início do ano.

“Alguns clientes têm negociado alguns títulos, mas ainda estamos sentindo muitos outros procurando tratamento, até porque atendemos a indústria alimentícia, que tem crescido muito”

Rafael Celuppi, Sócio-Diretor da KEMIA

Contudo, a empresa está se prevenindo da crise estocando matérias-primas, para que possam trabalhar de portas fechadas caso haja novos decretos de paralisação em Santa Catarina.


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