3 passos do Gympass para pivotar um modelo de negócio - WHOW
Eficiência

3 passos do Gympass para pivotar um modelo de negócio

No início da pandemia, a empresa viu a necessidade urgente de mudar o seu modelo de negócio voltado para levar as pessoas às academias

POR Carolina Cozer | 10/11/2020 17h15 3 passos do Gympass para pivotar um modelo de negócio Foto: Andrea Piacquadio (Pexels)

Todos os negócios de sucesso nascem de um problema e uma necessidade. Muitas vezes, o que diferencia o tamanho do sucesso de uma empresa para a outra é o tamanho da necessidade que elas estão suprindo ― além da capacidade de execução de cada negócio. 

A plataforma de serviços fitness e wellness Gympass, fundada em 2012, é um exemplo de startup que se mantém inovadora ao criar novos negócios através da paixão por resolver problemas.

No início da pandemia da covid-19, a empresa viu a necessidade urgente de pivotar seu modelo de negócio ― até então voltado para levar mais e mais pessoas às academias de musculação. Rodrigo Silveira, vice-presidente de New Ventures do Gympass, contou no painel “Apaixonados pelo problema: como implementar uma startup dentro da startup?” do Whow! Festival de Inovação 2020 qual foi o modelo de resolução de problemas que o Gympass utilizou para, em poucas semanas, ter um modelo de negócios totalmente novo.

De B2B a B2C

O Gympass se consolidou em cima de uma missão clara: acabar com o sedentarismo globalmente. “O sedentarismo é uma pandemia da nossa geração, que afeta milhões de pessoas todos os anos”, conta Silveira. “No começo a startup não tinha uma missão clara, mas os três fundadores compartilhavam da mesma dor: a dificuldade de encontrar academias com passe único”. 

Silveira explica que, um ano e meio depois da fundação da Gympass ― que na época era um serviço B2B ―, um gestor de RH sugeriu a ideia de levar o produto para os funcionários da sua empresa. Surgiu, então, a possibilidade de pivotar o negócio para um modelo B2C. Um dia após o lançamento desse novo modelo, a Gympass triplicou de tamanho, e toda a estrutura da empresa se adaptou a essa nova fase.

Em 2019 a empresa recebeu um aporte do Softbank, que fez com que ultrapassassem o valuation de US$ 1 bilhão e se tornaram um dos unicórnios brasileiros. Hoje o Gympass tem mais de 55 mil academias e estúdios afiliados globalmente.

Os 3 passos para a transformação

Com a chegada da pandemia o modelo de negócio do Gympass foi completamente impactado, uma vez que a missão central sempre foi levar as pessoas para dentro das academias e estúdios. “O impacto chegou primeiro pelas academias que foram fechadas na Itália e na Espanha”, diz Silveira. “Tivemos poucas semanas para criar um novo Gympass.”

O executivo compartilha os três passos que a startup tomou para pivotar o seu negócio, e que podem ser replicados em qualquer negócio:

“Prioridade nº 1: não abandone a sua missão”

A primeira coisa que o Gympass fez, segundo Silveira, foi olhar para o que estava acontecendo e discutir possíveis soluções. “O importante é que não queríamos abandonar a nossa missão principal, que é acabar com o sedentarismo. Então era preciso pensar em como fazer isso com as pessoas em casa e as academias fechadas”, explica. “Então o ponto mais importante era ter uma missão clara e não abandoná-la.”

“Prioridade nº 2: entenda o contexto dos seus usuários, clientes e parceiros”

O segundo ponto colocado por Silveira é entender o contexto de vida de todos os stakeholders. “Como continuar agregando valor a cada um em um contexto de vida tão diferente. O mundo mudou, mas a necessidade do usuário continuava a mesma. Mais do que nunca precisávamos ajudá-los a manter o corpo e mente saudáveis. Entender o contexto da necessidade vai definir como você entregará aquela solução.”

“Prioridade nº 3: separe responsabilidades entre os times”

O terceiro ponto compartilhado fala sobre a importância de estruturar um time de inovação, ou como Silveira chama, “criar uma startup dentro de uma startup”. Separar os times foi um movimento fundamental. A grande maioria dos colaboradores continuou focado em tocar o negócio, trazendo mais parceiros e novos clientes. O outro time era dedicado a gerar novas ideias, resolver problemas, testar conceitos e escalar rápido. “O grande objetivo é como a área consegue apoiar o core business no desenvolvimento de novas e viáveis soluções que irão desbloquear crescimento na empresa”, comenta.

Além desses três passos, o executivo compartilha que o Gympass gosta de operar de modo muito semelhante a um Venture Capital, incentivando que qualquer colaborador traga novas ideias e apresente seu pitch. “A gente olha para essas novas ideias como se olhassemos para uma startup de early stage. Encorajamos que as pessoas surjam com novas ideias e as que são selecionadas levamos para teste, e podemos levar até a um processo de graduação no mercado”, afirma.

Novas soluções

As mudanças empregadas após o início da pandemia resultaram em dois novos produtos para o Gympass.

O primeiro foram as aulas ao vivo, que possibilitaram que as escolas e academias parceiras pudessem continuar trabalhando. “Em poucas semanas tínhamos duas mil escolas em todo o mundo oferecendo aulas ao vivo aos nossos usuários”, conta Silveira.

O segundo produto foi o wellness marketplace, que expande a oferta de serviços do unicórnio a outros verticais que vão além do bem-estar físico. “Agora também trazemos soluções de saúde mental, nutrição, financial wellness, guia de sono, mindfulness e meditação, por exemplo. Hoje somos muito mais que um passe para academias, somos um passe para bem-estar completo que os clientes encontram em um só lugar.”

“É importante se apaixonar pelos problemas, pois são dali que surgem grandes ideias que, quando são bem, executadas levam a grandes negócios e grandes resultados.”

Rodrigo Silveira, vice-presidente de New Ventures do Gympass


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