3 fatores disruptivos para a mobilidade no Brasil e no mundo - WHOW
Consumo

3 fatores disruptivos para a mobilidade no Brasil e no mundo

Relatório aponta como aspectos impactantes a eletrificação de veículos, os carros autônomos e a mobilidade como serviço

POR Adriana Fonseca | 14/09/2020 16h15

O ecossistema da mobilidade no Brasil e no mundo será impulsionado, até 2030, por três fatores, segundo o relatório Mobilidade 2030: transformando o cenário urbano”, produzido pela KPMG: tecnologia e a relação com a eletrificação de veículos e dos conjuntos alternativos de motor e transmissão; veículos conectados e autônomos; e a mobilidade como serviço. De acordo com o estudo, isoladamente, cada um desses itens já causaria uma disrupção significativa, mas, em combinação, devem impulsionar mudanças inéditas.

Segundo a consultoria, devem emergir modelos de negócio diferentes. Os dois padrões dominantes são os fabricantes de veículos tradicionais, que produzem equipamentos cada vez mais sofisticados, e os novos fabricantes de plataformas, que produzirão veículos com plataforma para uma série de serviços de valor agregado para o cliente. “Como sempre acontece quando há mudanças disruptivas, também esperamos vencedores e perdedores”, pontua o relatório.

Os desdobramentos podem variar muito, tanto nos países quanto nas cidades, dependendo do grau de urbanização, da escolha do residente, das opções existentes, da infraestrutura e, claro, das políticas locais. E, do ponto de vista do setor privado, a mudança não será impulsionada por uma empresa ou setor específico. Ao contrário, ela requer uma colaboração inédita para o desenvolvimento das soluções adequadas de mobilidade.

Veículos elétricos

No final de 2017, havia mais de três milhões de carros elétricos em todo o mundo, e isso representava menos de 1% do total da frota. Ainda assim, a eletrificação, com certeza, é um dos principais itens da pauta dos fabricantes de veículos tradicionais. 

A Volvo, por exemplo, comprometeu-se em fabricar somente modelos 100% elétricos ou híbridos desde 2019, e não está sozinha nisso. Quase todas as grandes montadoras assumiram o compromisso de investir em tecnologia elétrica. 

Do ponto de vista do consumidor, a incorporação dos carros elétricos variou de maneira significativa de país para país, muito em função das políticas locais. Na Noruega, por exemplo, os subsídios a esse tipo de veículo fizeram com que 40% das vendas de novos veículos de passageiros fossem de carros com baterias elétricas (BEVs) ou veículos híbridos plug-in (PHEVs) em 2017.

Estados Unidos e China também ofereceram grandes incentivos financeiros e agora, juntos, respondem por mais da metade da frota atual de veículos elétricos em todo o mundo.

O Reino Unido também fez progressos, com uma expectativa de aceleração do crescimento até 2030, quando esses carros poderão ter uma fatia de 69% das vendas de veículos de passageiros e de 57% das vendas de veículos leves comerciais.

Veículos conectados e autônomos

mobilidade no Brasil Foto Andrew Roberts: Unsplash

O progresso em direção aos veículos altamente automatizados (nível 4) continua ininterrupto. Pelo menos 15 fabricantes de veículos tradicionais comprometeram-se com o lançamento de veículos autônomos no nível 4 entre 2019 e 2025, prevendo-se que a maior parte das primeiras utilizações seja em áreas urbanas.

A subsidiária da Alphabet, Waymo, por exemplo, lançou seu serviço de carros comerciais autônomos no estado americano do Arizona. 

Mesmo com o avanço, a autonomia no nível 5 – autonomia completa em todos os locais e em todas as condições – pode não chegar antes de 2030. 

Mobilidade como serviço

Existe uma mudança em curso sobre como os consumidores veem a mobilidade, e isso inclui o fato de ser dono de um veículo. 

Na Pesquisa Global dos Executivos do Setor Automotivo de 2019 da KPMG, a diminuição no número de proprietários de veículos é compartilhada por 39% dos consumidores pesquisados, que mostra que metade dos proprietários de carros, hoje, diz que não terá um veículo pessoal até 2025. 

Os números do Departamento de Transporte do Reino Unido vão na mesma direção ao mostrar que a porcentagem dos homens com idade entre 17 e 20 anos que têm carteira de motorista no país caiu de 51% em meados da década de 90 para somente 29% em 2017. Na faixa etária entre 21 e 29 anos a porcentagem caiu de 81% para 69%. 

Essas mudanças podem ser atribuídas parcialmente à demanda pela mobilidade do consumidor “como um serviço” (MaaS ou Mobility-as-a-Service) e como alternativa a ser proprietário de um carro.


+MOBILIDADE

Políticos discutem inovação e empreendedorismo nas cidades inteligentes do Brasil
Conheça as principais cidades inteligentes do mundo
Cidades inteligentes: dados e tecnologia a favor da mobilidade
Cidades inteligentes: Dubai desenvolve superapp para serviços públicos e privados