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15 Dicas para uma transição de carreira

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Imagem: Shutterstock

O crescimento do empreendedorismo  no Brasil aponta para uma saída à crise econômica e redução de alguns postos de trabalho,  substituído por outros mais especializados, que já estão por aí ou prestes a nascer. A inovação traz ao mercado novas possibilidades e também anseios de mudança no rumo profissional de muitas pessoas.

Para ocupar esses espaços da nova economia, a transição de carreira é cada vez mais considerada por profissionais de todas áreas. Esse processo, que pode ser intenso e dramático, pede alguns passos específicos para que seja bem realizado.

Em evento em São Paulo sobre empreendedorismo e inovação, Eduardo Seidenthal, fundador e membro da Rede Ubuntu, rede colaborativa de empreendedorismo, e Iaci Rios, sócia-fundadora da IMR & Erickson, rede mundial de coaches, discutiram os passos para uma transição de carreira saudável. Confira as 15 etapas apresentadas pelos palestrantes:

Prepara-se para trabalhos que ainda não foram inventados

“Algum tempo atrás mudanças bruscas eram raras. Hoje, as pessoas estudam para alguma coisa que nem sabem onde vão usar”, destaca Seidenthal. O expert fala sobre a criação de postos de trabalho em áreas que ainda nem existem.

Deslocar-se sentido ao incerto

A transição implica estar exposto a ser deslocado de uma posição que a pessoa domina, com tarefas que ela sabe realizar com qualidade, para áreas e situações imprevisíveis. “Você está sendo colocado na fronteira de novas demandas. Depois que passa a insegurança, é gostoso. Principalmente se deu certo”, diz Iaci.

Pesar desapego e inquietação…

As pessoas com mais idade têm mais dificuldade de fazer a transição porque estão mais acostumadas a situações de conforto, enquanto para os jovens transitar entre diferentes áreas pode ser mais fácil porque não há legado para abandonar. “Para os jovens, as dores mais latentes são relacionadas à inquietação em sempre achar que têm alguma coisa melhor do que aquela que você está fazendo”, afirma Seidenthal ao apontar a facilidade desse público para abraçar o risco de uma nova profissão.

…segurança e coragem  

Para Iaci, o experiente tem uma vantagem sobre o jovem.Tem mais possibilidade de já ter acumulado patrimônio e criar um colchão de segurança para dar saltos no escuro. “O jovem não tem isso, mas tem mais coragem, tem menos a perder. Se há um conselho para o mais maduro é: tenha esse colchão. E para o jovem: aguente o tranco”, diz.

Identificar o tamanho do colchão

Muitas variáveis precisam ser consideradas durante a transição. “Grana é uma delas”, alerta Seidenthal. “Não existe uma fórmula, mas eu pergunto às pessoas quanto elas têm reservado para aguentar sem receber nada e quanto tempo elas podem viver assim. Se ela só tem um mês garantido, vai passar sufoco. Mas tem gente que faz e dá certo”.

Medir a afinidade ao risco

Quando você toma a decisão de mudar de carreira, metade do caminho já foi trilhado, diz Iaci. Para trilhar a outra metade, o profissional precisa entender se é um investidor conservador ou arrojado. O investimento dele será o dinheiro que conseguiu guardar, o tempo que vai dispor para encarar novas experiências e, por fim, largar uma carreira para ingressar em outra que ele não tem certeza se dará a satisfação que aguarda.

Suspender a ideia de especialidade

Para o fundador da Ubuntu, o processo de encontro com uma nova profissão passa, inicialmente, pelo “encontro consigo mesmo. É o encontro com seus talentos e maiores medos, áreas de aprendizagem. Tudo ao mesmo tempo, aqui e agora. No mundo exponencial, a transição é constante. Fomos treinando na revolução industrial onde fazer uma coisa bem é sinal de empregabilidade. Hoje, eu não preciso ter uma atividade só”, alerta.

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Foto Pixabay

Autoconfiança

A coach destaca uma pesquisa da USP sobre como a confiança incidia sobre o sucesso na procura de novos empregos em situações onde as pessoas têm formação e experiência semelhantes. “O diferencial maior (para conquistar o trabalho) era a atitude, a postura em relação à vida, a si mesmo, e como encarar o trabalho. Isso faz muita diferença também num momento de transição”, afirma.

A força criadora do desconforto

Seidenthal destaca o poder criador do incômodo com a carreira e com uma situação adversa que se prolonga. “Você precisa assumir risco para sair daquela situação incômoda. O problema é que a gente não foi educado emocionalmente e isso complica. O momento é você que tem que sentir. Tem gente que transita logo desse estado de desconforto para a ação. Eu levei um tempo, senti um incômodo e levei de 2 a 3 anos”, recorda.

Identificar o que eu sei fazer, afinal?

Um passo importante para ingressar numa carreira nova é saber o que exatamente se sabe fazer. “Eu aconselho pensar em todas as coisas bacanas que você já fez na sua carreira. Pense em dez e escreva em não mais que três linhas o que você entregou com aquela coisa bacana que você fez, qual valor e benefício você criou”, explica Iaci.

Esquecer a falsa modéstia

Depois de enumerado os êxitos na carreira, é preciso identificar porque aquilo ganhou destaque. “Por que eu gostei de fazer aquilo? Seja honesto! Assuma se você gostou porque deu projeção, porque as pessoas elogiaram, porque foi importante para o lugar onde eu estava”, completa a coach. Esse processo, diz ela, é fundamental para identificar o que atrai o profissional para além das funções específicas que vai desenvolver na nova carreira.

Reconhecer os próprios talentos

“O talento é o domínio tão grande de determinada habilidade que você nem se dá conta que é bom naquilo”, ressalta Iaci. Para identificar aquilo que se faz de melhor o mais indicado, segundo a coach, é pedir para que as pessoas ao redor, colegas de trabalho, professores, amigos e familiares, apontem três características positivas e em que momento elas afloram. A identificação de habilidades é fundamental para que a transição de carreira não desemboque em um novo engano.

Não confundir insatisfação com alguém ou algo com insatisfação com a carreira

Para o fundador da Ubuntu, às vezes, a insatisfação não está na carreira, mas em uma situação específica dentro daquele trabalho. “Há casos em que as pessoas topam com uma dificuldade e acham que mudar de carreira é o que precisam para fugir disso. Mas se aprofundamos a investigação vemos que algumas pessoas amam aquilo que fazem, mas há um problema pontual com o gestor, por exemplo”. Se ela fugir da carreira por isso, as chances de se frustrar serão as mesmas.

Não escolher um só destino

Fazer uma decisão de carreira é complexa e os especialistas aconselham a não escolher apenas um destino, mas uma natureza de coisas da qual se vai correr atrás. “Quem parte pensando em encontrar uma vaga está mirando apenas 15% das possibilidades, diz Iaci.  Seidenthal afirma que existem três maneiras de olhar o mercado. “Uma é procurar uma vaga com a sua cara, que não é fácil. A outra é, não existe uma vaga esperando por mim, mas terá. A terceira é, não tem uma vaga e não tem ninguém criando, mas tem a possibilidade de eu mesmo criar. Não importa se essa vaga será dentro de uma empresa ou uma nova empresa. Eu vou criar esse lugar baseado nas coisas que eu tenho e me identifico”, enumera.

Manter as relações sociais bem azeitadas

Para Seidenthal, um dos grandes desafios para quem quer se recolocar no mercado é manter o nível de interação com pessoas que mantinha quando estava dentro do mercado. “A interação tende a diminuir muito e a pessoa se fecha em si”, explica. “Um amigo de Portugal criou um projeto onde as pessoas que não têm emprego ajudam outras a encontrar trabalho. As conversas aumentam as possibilidades e a pessoa se sente útil. A autoestima baixa contribui muito para que as chances de se recolocar diminuam. Isso se inverte ao ir à luta, mesmo que a remuneração não venha imediatamente”, diz.


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