11 Maneiras de evitar o colapso do emprego, segundo Nobel de economia - WHOW
Tecnologia

11 Maneiras de evitar o colapso do emprego, segundo Nobel de economia

Ex-economista chefe do Banco Mundial, Paul Romer veio ao Brasil para discutir o papel do poder público e da iniciativa privada na geração de emprego 

POR Raphael Coraccini | 26/11/2019 17h00 11 Maneiras de evitar o colapso do emprego, segundo Nobel de economia Foto (Pxhere)

Para Paul Romer, ex-economista chefe do Banco Mundial, atual professor da Universidade de Nova York e vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 2018, as ficções cientificas que tentaram prever o futuro das relações dos homens com o emprego e a tecnologia acabaram por criar um desvio de foco sobre as reais preocupações em relação ao mundo do trabalho e a sociedade como um todo.

Em visita ao Brasil, Romer falou sobre como a educação que recolocará as pessoas no mercado de trabalho deve extrapolar o ambiente escolar, já que essa mudança no perfil do trabalho vai precisar contemplar também aquelas pessoas que não têm condições ou paciência para frequentar o ambiente escolar ou acadêmico novamente.

O Nobel de Economia de 2018 também criticou a maneira como programas relacionados a renda mínima podem criar um ambiente ainda mais explosivo, separando aqueles que contribuem daqueles que recebem benefícios.

Confira os 11 tópicos para conter o colapso dos empregos, segundo Paul Romer:

Rebater a ideia do “cavalo velho”

A eminência do fim de muitos postos de emprego suscitou a ideia de programas de renda mínima que atendam uma população que terá cada vez mais dificuldade de encontrar emprego. Apesar de reconhecer uma motivação digna nesse tipo de proposta, Romer considera “ingênuo” achar que será aceitável para a coletividade pagar impostos enquanto outros não trabalham e se mantêm por meio dessa renda. “Isso vai criar uma condição de nós contra eles”, afirma. “É crer também que teremos uma equipe completa, que não precisaremos de mais ninguém. Isso é loucura!”, completa. Para Romer, é preciso rebater a ideia de que os cavalos velhos devem ser recolhidos ao estábulo.

emprego Foto (Pxhere)

Colocar a educação direcionando a mão de obra 

O economista afirma que alguns discursos tentam passar a ideia de que a redução de renda para um determinado tipo de pessoa não será problema porque a tecnologia destrói, mas também cria trabalho e renda.

“Mas não está tudo bem. A verdade é que o governo tem que comprometer-se com investimentos na educação para lidar com essa mudança”

Paul Romer, vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 2018

“Nos EUA do começo do século 20, havia o comprometimento de generalizar o estudo do ginásio e depois criar trabalho para atender a nova indústria. Temos que pensar que o governo tem que fazer com que as pessoas que percam seu emprego voltem a ser incluídas”, ressalta.

Ter o trabalho como escola 

Além do problema relacionado ao déficit educacional em países como o Brasil, existe o fato de que muitos adultos não conseguirão voltar para a escola e se aperfeiçoarem para a quarta revolução industrial. O local de trabalho passa a ser o local educativo.

“Hoje, é essencial aprender habilidades sociais, habilidades muito importantes que a escola não ensina. Nós, que estivemos em classes mais favorecidas, conseguimos passar isso aos nossos filhos, mas em classes menos favorecidas, o trabalho pode ensinar”

Paul Romer, vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 2018

Pensar no coletivo na hora do emprego

Para Romer, para que haja a organização de um novo sistema de trabalho, será preciso recuperar a ideia de coletividade, que se apagou nas últimas décadas. “Os economistas enfatizam cada vez mais os benefícios do eu. E existe uma pequena verdade nisso, que as pessoas atuam pelo interesse próprio, mas nós, que estamos em um sistema global, não podemos nos permitir a isso.”

Mas reconhecer os limites disso 

O vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 2018 aponta que é preciso proteger o navio, não só a tripulação. Ou seja, criar sistemas que pensem o coletivo e não apenas o bem-estar de maneira individualizada. Mas para ele, o pensamento coletivo encontra barreiras para sua disseminação global, que ficou evidente com o recrudescimento de políticas anti-imigração nos últimos anos. “Quando eu digo proteger o navio, refiro-me a nação, a única unidade onde é possível lutar pela inclusão e trabalhar junto”, afirma.

emprego Foto (Burst)

Dividir as responsabilidades 

O governo, para o acadêmico, é o player essencial para a proteção desse navio. “O governo não precisa ter o trabalho total, mas precisa ser suficientemente forte para fazer coisas importantes”, ressalta Romer.

Recuperar a esfera pública

Romer alerta sobre o grande ceticismo que as pessoas têm hoje em relação ao governo. Para ele, “serviços nacionais em atividades variadas podem fazer com que se aprenda como trabalhar pra a coletividade”, em uma lógica semelhante a do serviço militar obrigatório.

Regular o privado pelo público

Para ele, o governo, como representante maior da sociedade, tem a incumbência de regular as novas tecnologias e moderar seu uso, evitando os exageros que tendem a colocar humanidade sob seu controle. Ele usa o caso da Dupont, indústria química, e o CFC. A Dupont inventou esse produto que apaga incêndios e faz refrigeração, mas que estava destruindo a camada de ozônio. “O governo teve que dizer que não poderia mais usar porque ia destruir o planeta, e eles entenderam que os lucros não podem sobrepujar a questão global”, afirma.

emprego Foto (Freepik)

Descentralizar a gestão pública 

“Quanto mais pudermos descentralizar, melhor será a experiência do governo”, avalia Romer. Para o professor, as cidades poderiam trabalhar como grandes companhias, captando a melhor mão de obra para suas necessidades. Na outra ponta, essas cidades deveria ter maior margem para manobra para uso do dinheiro público, sem ter que pedir ao governo federal.

Exigir transparência no uso dos dados

Para Romer, a segurança da individualidade de cada um também carece de atenção com o avanço das novas tecnologias. Ele destaca como algo negativo o alcance dos novos modelos de marketing praticados pelas grandes empresas de tecnologia. “Esse modelo é muito danoso para a sociedade. Nos modelos antigos, eu dava algo para a empresa que eu sabia e consentia. Hoje, as pessoas não sabem do que estão abrindo mão e também não sabem o que vão receber. Portanto, esse modelo se tornou tóxico”, avalia.

Revisar a taxação das empresas de tecnologia 

A receita, segundo Romer, é começar a taxar os lucros dessas companhias de forma progressiva. “Isso incentiva que elas não cresçam muito. Isso fará com que mudem seus modelos de marketing. Acho que esse será um debate critico para os próximos dez anos”, concluiRomer.