Fintech Lydia busca permitir que PMEs na África tenham acesso à crédito por meio da tecnologia para desenvolver continente

O que dizer sobre um mercado que possui US$ 2,2 trilhões de PIB, 450 milhões de usuários de internet e uma população de 1,2 bilhão de pessoas? Mais: com uma média de idade que não supera os 20 anos. Provavelmente, ao observar esses dados, mostrariam um grande entusiasmo para investir. Porém, ainda não acontece como deveria. A África ainda não entusiasma os investidores como outros mercados como China, Índia e até o Brasil, num passado recente.

Alguns empreendedores locais, no entanto, lutam para mudar esse cenário. A despeito dos desafios sociais, econômicos e logísticos, startups mostram para o mundo o potencial que esse mercado tem. Um desses casos é a fintech Lydia, que quer ser uma alternativa aos empreendedores locais para conseguir crédito e expandir os seus negócios.

O negócio foi fundado no fim de 2016 e, por enquanto, se baseia na Nigéria, país de nascimento do empreendedor Tunde Kehinde. Ele foi um dos palestrantes do evento C2, em Montreal. E a startup se baseia em uma espécie de agência de análise de risco dos pequenos negócios.

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Os pequenos empresários da região podem solicitar uma análise do seu negócio pela Lydia, que vai fazer um balanço de todos os dados financeiros da companhia e também do potencial do negócio – são mais de 100 pontos analisados. Com as informações em mãos, por meio de uma tecnologia própria, uma nota é dada pela empresa. Depois disso, a empresa desembolsa quantias entre US$ 500 e US$ 15 mil para a expansão dos negócios.

“Queremos que a próxima geração de empreendedores realizem os seus sonhos”, diz Kehinde para a Consumidor Moderno. “Queremos construir uma avaliação de crédito para o mundo dos pequenos empresários.”

Alguns resultados, segundo Kehinde, já foram alcançados. Depois do aporte, empresas chegaram a faturar mais de 40% ao mês. Ou seja, tudo o que essas empresas precisam de um empurrão.

No ano passado, a companhia teve um aporte de US$ 1,25 milhão de companhias locais.

Não é o primeiro negócio

Kehinde é co-fundador da Lydia, mas também criou uma empresa de logística antes disso com Ercin Eksin, parceiro em ambas as plataformas. A African Courier Express (ACE) revolucionou a forma como os produtos são entregues na Nigéria.

A cidade de Lagos é a maior do país africano e é conhecida pela fraca infraestrutura e também pelo trânsito caótico. Logo, nenhuma compra feita para ser entregue em casa chegava antes de semanas e até meses. A ACE decidiu mudar isso e diminuiu a espera para até três dias.

A forma que a ACE achou para amenizar o problema foi conectar entregadores a empreendimentos e consumidores. Comidas frescas são entregues em até 24 horas, no melhor estilo iFood e UberEATS. Hoje, a empresa já tem mais de mil pessoas trabalhando diretamente e indiretamente.

Outro desafio encontrado pela startup foi a baixa informatização dos pagamentos na Nigéria. Com uma população que supera 170 milhões de habitantes, menos de 500 mil possuem cartões de débito. A saída foi confiar nas pessoas e permitir que os pagamentos das entregas fossem em dinheiro. Deu certo.

“Construímos todo um ambiente entendendo os desafios do local”, afirma Kehinde. “E os aportes que recebemos, tanto na ACE quanto na Lydia, mostra que as pessoas estão olhando mais para a África.”